Dor que trava um sonho invicto no Jamor das irmãs Jorge
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Fotojump
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Matilde Jorge não está bem da coxa e levou à desistência na variante de pares. |
Francisca Jorge e Matilde Jorge
voltaram a ser obrigadas a travar o próprio embalo. Tudo indicava que se
preparavam para acrescentar mais um capítulo relevante ao ténis português. No
entanto, um novo contratempo travou esse impulso.
Pela segunda semana consecutiva, as irmãs vimaranenses desistiram antes de disputar as meias-finais de um torneio WTA 125 no Jamor, onde tinham encontro marcado com as norte-americanas Carmen Corley e Ivana Corley. O motivo foi o mesmo que já as havia travado dias antes: a lesão na coxa esquerda de Matilde Jorge.
A decisão foi tudo menos fácil. Menos
de 24 horas após abandonar em pleno encontro dos quartos de final do Women's
Indoor Oeiras Open, Matilde ainda tentou recuperar a tempo de lutar, ao lado da
irmã, por um lugar na final. Mas o corpo falou mais alto. A prudência acabou
por se impor, num momento em que o calendário apertado e a intensidade
competitiva deixam pouca margem para riscos.
Lesão interrompe embalo
perfeito
O abandono ganha contornos ainda mais
marcantes ao olhar para o momento que ambas atravessam. Francisca e Matilde
chegaram ao Jamor embaladas por uma sequência impressionante de resultados. O
arranque de 2026 tem sido simplesmente irrepreensível: oito vitórias em oito
encontros disputados, incluindo a conquista do título no ITF W75 do Porto e
duas presenças consecutivas nas meias-finais do torneio português da categoria
WTA 125.
A lesão de Matilde surge, assim, como um travão inesperado num percurso que parecia imparável.A mais nova das irmãs demonstrava crescente solidez no fundo do court e grande capacidade de resposta nos momentos de pressão. Essa maturidade alia-se à experiência e à consistência de Francisca, reforçando o equilíbrio da dupla.
Ainda assim, a prioridade passou a
ser a recuperação total.
Invictas em 2026 e senhoras do Jamor
Apesar da desistência, os números
continuam a falar por si. Esta semana, colocadas nas 104.ª e 94.ª posições do
ranking mundial de pares, Francisca e Matilde mantêm-se invictas em 2026. O
registo de 8-0, no campo, reflete não apenas qualidade técnica, mas também uma química rara em
court, construída ao longo de anos de cumplicidade dentro e fora das quatro
linhas.
O Jamor, em particular, tem sido
palco privilegiado do talento das duas portuguesas. Nos torneios WTA 125
disputados naquele complexo, as irmãs já levantaram dois troféus em terra
batida e somam duas meias-finais consecutivas em piso rápido. Tudo isto
sem conhecer o sabor da derrota no court. As únicas “derrotas”
registadas resultaram de condicionantes físicas, não do desempenho competitivo.
Esse histórico reforça a ligação
especial que mantêm com o torneio e com o público português. Cada
vitória no Jamor consolidou a crença de que as irmãs Jorge podem ambicionar voos
ainda mais altos na variante de pares.
Prudência hoje para vencer amanhã
A desistência diante das irmãs Corley
deixa naturalmente um sentimento agridoce. O duelo prometia intensidade e
simbolismo: duas duplas de irmãs frente a frente, a lutar por um lugar na
final. No entanto, a decisão de preservar a condição física de Matilde revela
maturidade estratégica.
A temporada é longa, os objetivos são
ambiciosos e o ranking continua a ser uma prioridade. Com o estatuto cada vez
mais consolidado na categoria WTA 125, cada ponto conta, mas a saúde ainda mais.
Se há algo que esta fase confirma, é
que Francisca e Matilde Jorge formam uma das duplas mais consistentes do
circuito nesta categoria. A invencibilidade mantém-se intacta, a confiança não
desaparece com uma desistência e o Jamor continua a ser território onde sabem
competir e vencer.
Agora, todas as atenções voltaram-se
para a recuperação de Matilde. Porque se 2026 começou invicto, o objetivo
passa por garantir que a história desta temporada seja escrita dentro do
court e não interrompida fora dele.



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