🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Angelina festeja um triunfo que a leva a entrar, na próxima semana, no Top 400 mundial. |
Dia grande
Em pleno dia de Carnaval, Angelina Voloshchuk
mascarou-se de uma atleta de top 100. A jovem portuguesa assinou a melhor vitória da carreira
em encontros completos e garantiu o apuramento para a segunda ronda do Women’s
Indoor Oeiras Open.
O que há uma semana ficara a dois
pontos de distância concretizou-se esta terça-feira. A número três nacional,
401.ª do ranking mundial, superou a arménia Elina Avanesyan (178.ª e antiga
36.ª há menos de um ano) por 6-2, 4-6 e 6-4, num duelo intenso e resolvido nos
detalhes.
Autoridade e coragem
Voloshchuk entrou sem complexos.
Assumiu a iniciativa. Arriscou. Terminou o encontro com 40 winners, contra
apenas 16 da adversária, números que espelham a postura agressiva da
portuguesa.
Após vencer o primeiro ‘set’ por 6-2,
chegou a liderar por 3-2 no segundo com break de vantagem. Avanesyan reagiu,
elevou o nível e forçou a decisão no terceiro parcial.
Aí, a portuguesa voltou a mostrar
personalidade. Manteve a consistência nos momentos críticos e fechou o encontro
com maturidade competitiva, perante uma adversária habituada a outros palcos.
A maior vitória
Esta vitória só fica atrás da
alcançada em julho, no Porto, frente a Heather Watson, então 141.ª do ranking e
antiga top 40. No entanto, nessa ocasião a britânica desistiu no final do
primeiro ‘set’.
Desta vez não houve asteriscos. Foram
três ‘sets’ completos, conquistados com mérito, intensidade e coragem. Por isso, o
triunfo sobre Avanesyan assume-se como o maior da carreira da jovem de 18 anos
em encontros concluídos.
Tal como no Porto, o feito surgiu na primeira ronda de um WTA 125 disputado em casa. E, tal como então, confirmou
que Voloshchuk se sente confortável quando joga perante o público português.
Redenção imediata
Há apenas uma semana, a história
havia sido diferente. No mesmo escalão competitivo, a portuguesa deixou escapar
dois match points frente a Lucrezia Stefanini.
A frustração transformou-se em
combustível. Em vez de pesar, serviu de impulso. Contra Avanesyan, Voloshchuk
mostrou-se mais fria, mais calculista e mais eficaz nos momentos decisivos.
Ultrapassou pela segunda vez a ronda
inaugural de um WTA 125, confirmando evolução num circuito cada vez mais
exigente.
Salto no ranking
O impacto não se limita ao torneio.
O resultado permitirá a Voloshchuk entrar, pela primeira vez, no top 400 do ranking do WTA na próxima atualização. Tornar-se-á a 12.ª portuguesa a atingir essa marca.
É um passo simbólico, mas significativo. Representa consistência. Representa crescimento. E confirma que a jovem está a consolidar-se no circuito profissional.
Próximo teste
Na segunda ronda, o desafio sobe de grau. A adversária será Suzan Lamens, atual 109.ª do mundo e terceira cabeça de série.
A neerlandesa é campeã do Oeiras Ladies Open de 2024, disputado em terra batida no mesmo complexo. Na estreia desta edição indoor, resistiu a Carole Monnet e venceu, por 4-6, 6-1 e 6-2.
Lamens traz estatuto e experiência. Voloshchuk traz confiança e entusiasmo.
Sinal claro
Mais do que uma vitória isolada, o triunfo sobre Avanesyan é um sinal. Sinal de maturidade. Sinal de ambição. Sinal de que a nova geração do ténis português começa a bater à porta de outros patamares.
No dia em que muitos vestiram máscaras, Voloshchuk mostrou o verdadeiro rosto do seu ténis: agressivo, destemido e pronto para desafios maiores.
Em Oeiras, não houve fantasia. Houve afirmação.


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