🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis/Chennai Open
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
Semana perfeita
À quinta tentativa numa final
Challenger, Frederico Ferreira Silva sorriu. E sorriu alto. O tenista
português, 255.º do ranking ATP, conquistou este domingo, em Chennai, na Índia,
o primeiro título da carreira no circuito secundário. Fê-lo com mérito, com
resistência e com nervos de aço.
A vitória surgiu após uma semana
quase irrepreensível. Cinco encontros realizados. Muito controlo. E uma final que exigiu
tudo.
Final de nervos
Diante do argentino Federico Agustin
Gomez (196.º ATP), segundo cabeça de série, Silva parecia encaminhar o desfecho
em dois sets. Venceu o primeiro por 6-4, sólido no serviço e criterioso na
resposta. Esteve sempre um passo à frente.
No segundo parcial, voltou a estar
próximo. Teve quatro match points no tie-break. Não conseguiu fechar. O argentino
resistiu. Empurrou a decisão para um terceiro após vencer o desempate por
11–9.
A final ganhou outra dimensão. Física
e mental. Silva respirou fundo. Não se afetou.Reorganizou-se. Voltou à disciplina tática. No
‘set’ decisivo, aproveitou melhor as oportunidades e selou o triunfo por 6-4. O
sétimo match point foi o definitivo. Ao fim de quase três horas de luta, a
persistência foi recompensada.
Persistência premiada
Esta foi a primeira final de Silva
num Challenger 50, a categoria mais baixa do circuito Challenger. Mas não foi a
primeira tentativa no escalão.
Frederico Ferreira Silva feliz.
O jogador natural das Caldas da
Rainha já tinha estado muito próximo, nas urbes de São Paulo, Kobe, Yokkaichi e Troisdorf.
Especialmente na Alemanha, em junho de 2023, voltou a sentir o peso de
um desfecho adiado.
Desta vez foi diferente. Não houve
hesitação final. Existiu maturidade. Houve gestão emocional. Existiu capacidade de transformar frustração em combustível competitivo.
Marca nacional
Com este título, Kiko tornou-se o
13.º português a vencer um torneio do circuito Challenger. Um dado que reforça
o crescimento sustentado do ténis nacional nas últimas duas décadas.
Superou a marca de duas dezenas de títulos e fixou-a em 21 troféus de singulares. Um registo inédito que passa a ser a nova referência do ténis português.
O anterior título havia sido
conquistado há exatamente um ano, no ITF M25 de Vila Real de Santo António. Um
circuito diferente. Uma dimensão distinta. Agora, o salto é claro.
Impacto no ranking
Os pontos somados em Chennai têm
impacto imediato. Silva soma mais 25 pontos do que na campanha algarvia do ano
passado e prepara-se para regressar ao lote dos 230 melhores do mundo na
atualização do ranking.
É um passo importante. Não resolve
tudo. Mas aproxima-o de um objetivo maior: voltar aos torneios do Grand Slam,
pelo menos, por meio da fase de qualificação.
Roland-Garros surge no horizonte. E a
terra batida é um terreno em que já mostrou competência.
Mais do que um troféu
Este título não é apenas uma linha no
currículo. É uma afirmação tardia, mas sólida, aos 30 anos. É a prova de que a
persistência pode ser tão decisiva quanto o talento.
Silva não precisou de brilho exuberante. Necessitou de consistência. De disciplina. De acreditar que o tie-break fugiu. Acreditou quando os match points escaparam da vista. Na quinta foi de vez. Sem invenções. Sem atalhos. Apenas ténis, resistência e mérito.
E, finalmente, um troféu Challenger nas mãos. Chennai jamais sairá da memória do tenista caldense.

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