🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Direitos Reservados
⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos
Entrada
inesperada
O torneio ITF W35 de Nairobi ficou
marcado por um episódio que dificilmente passará despercebido nos corredores do
ténis profissional. Não pelo nível exibido em campo, mas pela
ausência dele.
Hajar Abdelkader, egípcia de 21 anos,
entrou no quadro principal da prova por meio de um wild-card. A sua
presença, contudo, desde cedo revelou-se desconcertante. Desde os primeiros
pontos… tornou-se evidente que não dominava os gestos técnicos elementares do
jogo, nem demonstrava familiaridade com os procedimentos básicos de uma partida
oficial.
Jogo sem resposta
O encontro da primeira ronda frente à
alemã Lorena Schaedel, jogadora fora do top 1000 mundial, terminou com um duplo
6-0 em apenas 37 minutos. Abdelkader cometeu 20 duplas-faltas e somou apenas
três pontos em todo o encontro, nenhum deles obtido por iniciativa
própria. Foi uma situação surreal!
A perplexidade alastrou rapidamente.
Em torneios da ITF, apesar de representarem os escalões mais baixos do ténis
profissional, há um nível mínimo implícito. Jogadores podem ser jovens,
inexperientes ou em fase de desenvolvimento, mas espera-se domínio
técnico básico e conhecimento das regras.
Neste caso, isso não se verificou.
Reação imediata
As imagens do encontro circularam
rapidamente e geraram perplexidade entre jogadores e adeptos. A pergunta
impôs-se: como chegou uma atleta sem preparação a um torneio
profissional integrado no calendário da ITF?
A ficha oficial da Federação
Internacional de Ténis pouco esclarece. Abdelkader surge como
jogadora egípcia, destra, com início da prática aos 14 anos. Não há registo de
outros encontros oficiais no seu percurso. O jogo em Nairobi é o único que se encontra na base de dados da ITF.
Responsabilidades divididas
A Federação Egípcia de Ténis veio a
público afirmar que não possui registo da atleta, afastando qualquer
ligação institucional ao caso. A responsabilidade recaiu, assim, sobre a
organização local.
Em comunicado, a Federação Queniana
de Ténis explicou que a jogadora solicitou formalmente um convite para o
torneio e a oportunidade surgiu após a desistência de última hora da atleta
inicialmente selecionada. Segundo a entidade, Abdelkader asseverou possuir
experiência competitiva suficiente, o que levou à aceitação do pedido.
A decisão, porém, acabou por expor
fragilidades no processo de verificação. A própria federação queniana
reconheceu o erro, admitindo que o wild-card não deveria ter sido
atribuído e garantindo que situações semelhantes não voltarão a ocorrer.
De acordo com informações avançadas
pela imprensa britânica, Abdelkader reside no Quénia e terá insistido junto da
organização por meio de múltiplos contactos por correio eletrónico. A janela
aberta por uma desistência acabou por ser decisiva.
Debate aberto
O episódio reacendeu o debate sobre
os critérios de acesso aos torneios da ITF e sobre a necessidade de mecanismos
mais rigorosos, mesmo em provas destinadas ao desenvolvimento do ténis. A
integridade competitiva do circuito depende não apenas dos grandes palcos, mas
também dos seus alicerces.
A capital do Quénia tornou-se, por um
dia, o espelho dessas fragilidades. E o ténis, que vive de regras claras e
mérito desportivo, saiu a perder.
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