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Nuno Borges: “Estava a crescer com o jogo e a sentir-me cada vez melhor”

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: ATP Tour

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

Nuno Borges e o adversário de peso no Australian Open.
Nuno Borges e Félix Auger-Aliassime, junto à rede antes do início do encontro.

Vitória com afirmação frente a um top-10

Nuno Borges voltou a escrever uma página de relevo no ténis português ao garantir a qualificação para a segunda ronda do Australian Open, desta vez com um triunfo sobre um adversário do top-10 mundial. O encontro frente a Félix Auger-Aliassime terminou abruptamente, com o canadiano forçado a desistir devido a cãibras no arranque do quarto ‘set’, mas deixou marcas claras do crescimento competitivo do número um nacional, que saía por cima no marcador e no controlo emocional da partida.

A vitória confirmou-se oficialmente com a desistência, mas o essencial já estava construído no interior do campo.

Borges conseguiu inverter a dinâmica do encontro, impor maior desgaste físico e psicológico e elevar progressivamente o seu nível de jogo, num duelo marcado por condições exigentes e trocas intensas. Mesmo sem um desfecho pleno, o português saiu de Melbourne Park com razões sólidas para sorrir e reforçar a confiança.

“Claro que não é o desfecho que queria e desejo-lhe as melhoras.  Obviamente estou muito contente por seguir em frente. Foi uma ótima vitória para mim na mesma, apesar das dificuldades que ele teve”, começou por afirmar Borges, em declarações à agência Lusa, logo após o encontro disputado na madrugada desta segunda-feira. O maiato foi claro na leitura do seu desempenho, assumindo que o nível não foi máximo desde o primeiro ponto, mas que a tendência era claramente ascendente.

“Penso que não fiz um encontro incrível, mas crescia com o jogo e estava-me a sentir cada vez melhor e a responder melhor”, explicou. Essa evolução foi visível sobretudo a partir do segundo ‘set’, quando o maiato começou a alongar as trocas, a variar mais a profundidade de bola e a explorar com inteligência as fragilidades físicas do adversário, que acabaria por sucumbir às cãibras.

As condições meteorológicas também estiveram em destaque na análise do português. O calor e a humidade, habituais em Melbourne, exigiram uma gestão do esforço, algo que Borges acredita ter feito de forma eficaz. 

“Nas trocas de bola, estava bem e, ao mesmo tempo, a humidade ajudou a não subir muito”, referiu, sublinhando a importância de manter lucidez em encontros longos e fisicamente exigentes.

Mais do que o resultado imediato, Borges mostrou-se focado no processo e no que pode retirar deste encontro para os desafios que se seguem.

Tentarei absorver todos os momentos ótimos deste encontro para levar para o próximo encontro. Estou contente com a minha prestação, julgo que me aguentei bem de cabeça, muitos aspetos positivos. Apesar de o desfecho não ser aquele que eu queria, acho que fiz uma boa exibição.” Palavras que refletem maturidade competitiva e uma abordagem cada vez mais consistente em palcos maiores.

O triunfo ganha relevo no contexto da trajetória recente do maiato no Australian Open. Depois de ter alcançado os oitavos de final em 2024 e a terceira ronda em 2025, o português entrou no torneio com ambição clara de igualar — ou até superar — a sua melhor campanha em Melbourne. A regularidade nas primeiras rondas do Grand Slam é uma realidade e não apenas um objetivo distante.

Thompson volta a cruzar-se no caminho

Na próxima ronda, o desafio será novamente exigente e familiar. Borges terá pela frente o australiano Jordan Thompson, o mesmo adversário que derrotou há um ano neste torneio. Apesar de ainda não estar totalmente focado nesse confronto, o português reconhece bem as características do próximo oponente e sabe que terá de voltar a jogar a um nível elevado para conseguir o apuramento.

“Ainda não estou a pensar muito sobre isso hoje, vou pensar mais sobre o assunto amanhã, mas é um jogador que já conheço bastante bem”, afirmou. Borges acrescentou ainda que Thompson tem enfrentado problemas físicos recentes, algo que também marcou o último duelo entre ambos em MelbourneNão o tenho visto jogar ultimamente, porque tem estado mais lesionado. Aliás, da última vez que jogámos aqui, ele estava com problemas no pé”.

Jordan Thompson chega a esta segunda ronda depois de um encontro duro frente ao argentino Juan Manuel Cerúndolo, que venceu por 6-7 (3-7), 7-5, 6-1 e 6-1. 

Um resultado que confirma a capacidade do australiano de crescer nos encontros e tornar os duelos fisicamente desgastantes, algo que Borges tem bem presente na preparação.

“É um jogador que arranja maneira de tornar os encontros bastante físicos e bem disputados, portanto, é um jogador bastante rápido, contra o qual não é fácil  fazer winners”, analisou o português. A estratégia, essa, passa por assumir mais iniciativa quando possível e recuperar boas sensações do passado recente. “Tenho de me soltar um bocadinho, usar as minhas referências do ano passado, que podem ser boas, para ganhar mais uma vez aqui.”

Independentemente do que se segue, a vitória sobre Auger-Aliassime representa mais um passo importante na afirmação do Lidador ao mais alto nível. Ganhar a um top-10 num Grand Slam, mesmo num contexto de desistência, é um sinal claro de que o português pertence a este patamar e está preparado para competir de igual para igual com os melhores. Em Melbourne, Borges voltou a provar que o crescimento não é episódico, mas sustentado, e que o ténis português continua a ter motivos sólidos para sonhar. 

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