🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: ATP Tour
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Nuno Borges imita Paris e volta a superar um top 10 mundial. |
História repetida
Nuno Borges, de 28 anos, voltou a desafiar a
hierarquia do ténis mundial e saiu por cima. Em Melbourne, à
semelhança do que já fizera em Paris, o número um português repetiu um feito
histórico ao superar um adversário do top-10 mundial, garantindo presença na
segunda ronda do quadro principal do Australian Open. Desta vez,
o desfecho sorriu-lhe frente a Félix Auger-Aliassime, oitavo
classificado do ranking ATP, num encontro encerrado no final do terceiro parcial por lesão do canadense.
Depois de já ter vencido um top-10 em
Roland Garros, Borges confirma que o feito não foi episódico. Em Grand Slams,
frente à elite, o português volta a provar que tem argumentos para competir e
vencer.
Um jogo que virou
O encontro começou desfavoravelmente para o maiato. Auger-Aliassime entrou mais agressivo, explorou o
serviço e fechou o primeiro set por 6-3. No entanto, a resposta do
português foi imediata e sustentada. Ajustou a profundidade de bola, melhorou o serviço e passou a controlar os momentos decisivos.
O segundo set caiu para Borges
por 6-4, num parcial marcado pela consistência no fundo do court e
pela eficácia nos pontos decisivos. A tendência manteve-se no terceiro,
novamente fechado por 6-4, já com o português claramente por cima
do encontro e com o serviço afinado.
A desistência
Foi já com Borges a liderar o
marcador, por 3-6, 6-4 e 6-4, que Auger-Aliassime se viu forçado a abandonar o
encontro devido a uma lesão na perna esquerda, que começou a limitar a sua
movimentação a partir de meados do terceiro set. O canadiano ainda recorreu à
assistência médica, mas isso não lhe foi suficiente.
A desistência confirmou oficialmente
a vitória do português. Apesar disso, Borges conseguiu inverter o rumo do jogo
e impor um desgaste físico que acabou por ser determinante.
Com alguma fortuna no desfecho, mas muito mérito na construção do triunfo, o português voltou a provar que sabe elevar o nível quando enfrenta a elite do circuito. Frente a um dos nomes mais cotados do ténis mundial, o Lidador impôs personalidade, consistência e maturidade competitiva.
Peso histórico
Esta vitória representa uma
das maiores da carreira de Nuno Borges e uma das mais relevantes do
ténis português nos Grand Slams.Derrubar um top-10 mundial em dois Grand Slams distintos — Paris e Melbourne — projeta o tenista da Maia para um patamar verdadeiramente raro no ténis português.
Atual 46.º do ranking ATP, Borges confirma a evolução sustentada que tem vindo a construir, agora validada nos palcos maiores do ténis mundial. Em Melbourne, volta a alcançar a segunda ronda do quadro principal, seguindo as pisadas do compatriota Jaime Faria, reforçando a presença portuguesa no torneio.
Mais do que o resultado, o encontro evidenciou a maturidade competitiva do português. Sem precipitações, soube absorver a pressão inicial, ajustar o plano de jogo e ganhar controlo emocional à medida que o encontro avançava. A leitura do jogo, aliada à robustez física, permitiu-lhe transformar um início adverso numa vitória histórica.
Portugal em destaque
Com o Lidador e o Canhão do Jamor a alcançarem a segunda ronda, o ténis português vive um momento de afirmação em Melbourne. A presença consistente em quadros principais de Grand Slam confirma a qualidade e a profundidade da atual geração, cada vez mais capaz de competir na elite mundial.
Apurado para a segunda ronda, Borges
prepara agora o próximo desafio com confiança reforçada e estatuto renovado.
Independentemente do adversário, o português já deixou marca neste Australian
Open, consolidando-se como um nome capaz de bater recordes no ranking.
Em Melbourne, o Lidador não apenas
venceu um jogo. Confirmou um caminho.

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