| Henrique Rocha atento às perguntas dos jornalistas.
No Jamor, a nave de campos cobertos fechou novamente as
portas a Henrique Rocha. O número três português caiu na ronda
inaugural de um torneio Challenger. Saiu do campo com a sensação de que o jogo
nunca chegou a assentar totalmente no seu lado da rede. Houve intenção e houve luta, mas faltou continuidade nos momentos em que o jogo exigia mais clareza. Frente a Alejandro Moro Cañas,
adversário que volta a cruzar-se no seu caminho como um obstáculo recorrente,
Rocha encontrou um duelo irregular. Feito de ritmos quebrados e decisões
difíceis. No fim, Rocha sofreu mais uma eliminação precoce num palco que continua a ser exigente para ele. Sensações
difíceis“Foi um encontro complicado, em
que cometi mais erros do que nas semanas anteriores e em que o nível não
esteve tão bom”, começou por admitir, sem rodeios. Rocha explicou ainda que
tentou ajustar-se às circunstâncias, mas sentiu desconforto ao longo do duelo. “Tentei competir com o que tinha, mas
ele cria-me sempre algumas dificuldades. Varia muito o ritmo e há ali
bolas que me deixam desconfortável”, detalhou, apontando também para um rendimento abaixo do
habitual no lado esquerdo. “Hoje falhei mais esquerdas do que o normal e ele
acabou por se agarrar bem ao encontro.” Foi a quarta derrota em quatro encontros frente ao espanhol. Um historial que explica por que o jogo nunca entrou num registo totalmente favorável. Jamor
exigenteCom este desfecho, o saldo de Rocha
no Indoor Oeiras Open fixa-se numa vitória, em dez encontros a nível Challenger.
O Jamor continua a ser um cenário duro, mesmo num percurso que tem mostrado
sinais de crescimento em outros pontos do circuito. O encontro começou com boas intenções, mas Rocha foi perdendo ritmo e fluidez. Como uma laranja bem
espremida no início, houve sumo nos primeiros momentos, mas faltou frescura nos
instantes decisivos para encher o copo até ao fim. Olhos
na Taça Davis Sem tempo para lamentos prolongados,
o calendário empurra Rocha para desafios em extremos opostos do globo. A
próxima paragem é a China, onde Portugal joga o Grupo Mundial I da Taça
Davis, em Guangzhou. “O Nuno [Borges] está num patamar
acima, mas eu, o Jaime e o Tiago estamos muito perto”, sublinhou. Mesmo sem garantias de
entrar em court, o portuense valoriza o contexto. “Quero fazer uma boa
semana de treinos com bons companheiros. Se jogar, ainda melhor. Vou para o
campo com tudo.” Regresso
ao pó de tijolo Depois da aventura asiática, o plano
segue para a América do Sul. Rocha deverá regressar ao circuito principal nos
torneios do Rio de Janeiro e de Santiago, já em terra batida, uma superfície
onde se sente maior conforto. “Levo alguns meses a jogar só em piso
rápido e acabo por ser um bocadinho mais perigoso em terra batida”, explicou. A escolha não é apenas
estratégica, mas também prática. “Na Europa, nesta altura, só há indoor e
não é o meu piso favorito. Esta opção acaba por ser a melhor e já funciona como
preparação para Roland-Garros.” Caminho
em abertoO Jamor voltou a fechar-lhe a porta
cedo, mas o mapa da temporada mantém-se aberto. Entre viagens longas, mudanças
de piso e novos contextos competitivos, Rocha procura transformar
estas sensações menos positivas em matéria-prima para evoluir.
O sumo pode ter faltado neste copo,
mas a árvore continua carregada. |
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