Henrique Rocha: “Tentei competir com o que tinha, mas ele deixa-me desconfortável”

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis 

⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos

Henrique Rocha explica os motivos da derrota.
Henrique Rocha atento às perguntas dos jornalistas.

No Jamor, a nave de campos cobertos fechou novamente as portas a Henrique Rocha. O número três português caiu na ronda inaugural de um torneio Challenger. Saiu do campo com a sensação de que o jogo nunca chegou a assentar totalmente no seu lado da rede. Houve intenção e houve luta, mas faltou continuidade nos momentos em que o jogo exigia mais clareza.

Frente a Alejandro Moro Cañas, adversário que volta a cruzar-se no seu caminho como um obstáculo recorrente, Rocha encontrou um duelo irregular. Feito de ritmos quebrados e decisões difíceis.

No fim, Rocha sofreu mais uma eliminação precoce num palco que continua a ser exigente para ele.

Sensações difíceis

Foi um encontro complicado, em que cometi mais erros do que nas semanas anteriores e em que o nível não esteve tão bom”, começou por admitir, sem rodeios.

 Rocha explicou ainda que tentou ajustar-se às circunstâncias, mas sentiu desconforto ao longo do duelo.

“Tentei competir com o que tinha, mas ele cria-me sempre algumas dificuldades. Varia muito o ritmo e há ali bolas que me deixam desconfortável”, detalhou, apontando também para um rendimento abaixo do habitual no lado esquerdo. 

“Hoje falhei mais esquerdas do que o normal e ele acabou por se agarrar bem ao encontro.”

Foi a quarta derrota em quatro encontros frente ao espanhol. Um historial que explica por que o jogo nunca entrou num registo totalmente favorável.

Jamor exigente

Com este desfecho, o saldo de Rocha no Indoor Oeiras Open fixa-se numa vitória, em dez encontros a nível Challenger. O Jamor continua a ser um cenário duro, mesmo num percurso que tem mostrado sinais de crescimento em outros pontos do circuito.

O encontro começou com boas intenções, mas Rocha foi perdendo ritmo e fluidez. Como uma laranja bem espremida no início, houve sumo nos primeiros momentos, mas faltou frescura nos instantes decisivos para encher o copo até ao fim.

Olhos na Taça Davis

Sem tempo para lamentos prolongados, o calendário empurra Rocha para desafios em extremos opostos do globo. A próxima paragem é a China, onde Portugal joga o Grupo Mundial I da Taça Davis, em Guangzhou.

“O Nuno [Borges] está num patamar acima, mas eu, o Jaime e o Tiago estamos muito perto”, sublinhou. 

Mesmo sem garantias de entrar em court, o portuense valoriza o contexto. “Quero fazer uma boa semana de treinos com bons companheiros. Se jogar, ainda melhor. Vou para o campo com tudo.”

Regresso ao pó de tijolo

Depois da aventura asiática, o plano segue para a América do Sul. Rocha deverá regressar ao circuito principal nos torneios do Rio de Janeiro e de Santiago, já em terra batida, uma superfície onde se sente maior conforto.

“Levo alguns meses a jogar só em piso rápido e acabo por ser um bocadinho mais perigoso em terra batida”, explicou. 

A escolha não é apenas estratégica, mas também prática. 

“Na Europa, nesta altura, só há indoor e não é o meu piso favorito. Esta opção acaba por ser a melhor e já funciona como preparação para Roland-Garros.”

Caminho em aberto

O Jamor voltou a fechar-lhe a porta cedo, mas o mapa da temporada mantém-se aberto. Entre viagens longas, mudanças de piso e novos contextos competitivos, Rocha procura transformar estas sensações menos positivas em matéria-prima para evoluir.

O sumo pode ter faltado neste copo, mas a árvore continua carregada.




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