🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Lisboeta coloca o seu nome no quadro de honra do Nacional Absoluto. |
De estudante nos EUA para campeão nacional
Tiago Torres viveu uma semana perfeita no Jamor.
Cada dia parecia alinhar-se com o seu sonho. Neste domingo, concretizou-o:
tornou-se campeão nacional absoluto. Frente a Francisco Rocha, venceu por 6-3 e
6-3. Aos 23 anos, o lisboeta escreve uma página histórica no ténis português.
Uma página feita de talento, suor e momentos decisivos que jamais se esquecem.
O feito tem significado especial.
Torres é o segundo esquerdino a vencer o Nacional desde Nuno Marques, em 2001, e Frederico Silva, o ano passado.
Um título que conjuga memória e presente, coragem e atitude. Cada ponto
refletiu a determinação que caracteriza o seu jogo. Cada gesto, cada serviço,
parecia cuidadosamente medido, mas vivido com intensidade.
A final começou complicada. Francisco
Rocha abriu 3-0, impondo serviço e confiança. Era o teste que definia a postura
de Torres. Mas o jovem lisboeta reagiu. Ponto a ponto, reconquistou terreno. O
equilíbrio surgiu, a pressão diminuiu e a maturidade falou mais alto. No
terceiro match point, a vitória foi selada. Um suspiro coletivo percorreu o
Jamor. Um campeão havia sido coroado.
Percurso académico
Torres, adepto do Benfica, estudou nos
Estados Unidos, na University of Texas at San Antonio (UTSA). Foi ali
que aliou a formação académica a um ténis exigente. Treinos intensos, jogos
decisivos e uma rotina de disciplina moldaram a sua mentalidade. Cada sessão
nos courts universitários serviu para preparar o futuro profissional,
ensinando-o a lidar com a pressão, o cansaço e a exigência de vencer todos os
dias.
Francisco Rocha, o adversário da final, também
percorreu um caminho académico nos EUA. Essa afinidade deu uma dimensão extra
ao confronto. Mais do que um jogo, era o encontro de duas trajetórias
paralelas, de dois jovens que aprenderam a competir longe de casa e que agora
se cruzam no Jamor, no momento mais decisivo da competição nacional.
Vitória marcante
Na véspera da final, já havia
mostrado a sua forma. Eliminou Gastão Elias, antigo 57.º do mundo e uma das
figuras mais destacadas da 101.ª edição do Campeonato Nacional. A vitória sobre
o Mágico não foi só um resultado; foi um aviso, um sinal de confiança e
determinação. Contra Rocha, confirmou a excelência. Serviu com precisão,
defendeu com firmeza e aproveitou cada oportunidade com calma estratégica.
O público resistiu ao frio para
aplaudir o novo campeão. Torres celebrou com a equipa técnica e a família, num
momento de cumplicidade e alegria. Sorrisos, abraços e emoção marcaram o
encerramento da prova. O Jamor, palco de tantas histórias, assistiu ao
nascimento de uma nova, brilhante e promissora.
Desempenho sólido
A semana de Torres não foi exclusivamente sobre resultados. Foi sobre consistência, sobre aprender a controlar emoções e
aplicar estratégia em momentos decisivos. Cada ponto foi estudado, cada decisão
tomada com ponderação. O sucesso não foi um golpe de sorte; foi fruto de
preparação, de inteligência em campo e de capacidade de enfrentar
adversidades.
O jogo mostrou também a força do
esquerdino no ténis moderno. Cada serviço e cada resposta parecia calculado
para explorar a vantagem natural da mão esquerda, algo que, historicamente,
trouxe poucos campeões em Portugal. Desde 2001 e 2024, ninguém conseguira repetir o
feito. Agora, o nome de Tiago Torres junta-se à lista de protagonistas que
moldaram a história da modalidade no país.
Futuro promissor
O título coloca 2025 como um ano
histórico na carreira de Torres. Ele entra agora na lista de campeões
nacionais e reforça o estatuto de promissor profissional. A combinação entre
formação académica e talento competitivo projeta-o para conquistas ainda
maiores. Cada semana, cada torneio e cada treino são degraus para o futuro.
Torres provou que talento e disciplina se
encontram no Jamor. Cada vitória foi construída com inteligência, esforço e
calma. Cada ponto somado carrega história, dedicação e confiança. Este
esquerdino escreve a sua própria narrativa com brilho e determinação, pronto
para novos desafios dentro e fora do país.
O Jamor celebrou um campeão. Mas,
sobretudo, celebrou a força de um percurso construído com paciência, estudo e
paixão. Um percurso que começa nos courts universitários nos EUA, passa por
campos nacionais e abre caminho para o profissionalismo. Para Torres,
este é só o começo. O próximo capítulo promete ainda mais intensidade,
conquistas e histórias para contar.
Leia também: Tiago Torres: “Vou dar o meu máximo” na final do Nacional Absoluto

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