🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 5 minutos
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| Tiago Cação com a mão a ferver no Algarve. |
Regresso com velocidade
Tiago Cação, natural de Peniche,
mostrou hoje que o talento resiste ao tempo e às pausas na
carreira. O tenista, 971.º do ‘ranking’ ATP, somou a terceira vitória
consecutiva da semana para atingir as meias-finais do Vale do Lobo Open 3, num
regresso que já se revela surpreendente após uma paragem de três anos.
O wild-card da organização derrotou o
espanhol Tomas Curras Abasolo (799.º do mundo) com os parciais de 6-4 e 7-5, em
2h12 de duelo intenso. No segundo ‘set’, o português salvou um ‘set’ point quando
servia a 4-5, revertendo depois um 4-1 e garantindo a passagem ao penúltimo dia
do torneio, num jogo onde o piso rápido do Vale do Lobo revelou-se tanto aliado
como desafio.
Equilíbrio e
resistência sobre o piso rápido
Apesar de se ter decidido em dois
‘sets’, o encontro foi extremamente equilibrado. O piso rápido da Vale do Lobo
Tennis Academy exige reflexos apurados e pés leves, e os oito jogos decididos
nas vantagens mostram que cada ponto foi uma verdadeira batalha de velocidade e
estratégia.
O espanhol privilegiou trocas longas
e constantes, obrigando Cação a aproximar-se da rede para encurtar os pontos. A
direita com forte ‘top’ ‘spin’ foi decisiva para dominar o fundo do campo e
retirar partido da rapidez da superfície, transformando a velocidade da bola em
oportunidade de ataque. A resistência física combinou-se com a capacidade
mental, como se cada ponto fosse uma onda atlântica a testar a paciência e a
força do penichense.
Laivos geniais
O momento mais emocionante surgiu
quando Cação salvou o ‘set’ point com um vólei preciso, invertendo o rumo do
segundo ‘set’ e reafirmando a confiança no seu regresso. A celebração em modo
avião mostrou a alegria de um jogador que não só venceu o adversário, mas
também venceu a prova do tempo e do ritmo intenso do piso rápido.
Desde o regresso aos courts em
agosto, o português tem mostrado evolução rápida. Na segunda semana da sua
volta, atingiu as meias-finais em Idanha-a-Nova, e agora, ao chegar à segunda
semifinal da temporada, continua a voar na hierarquia do ténis profissional,
mostrando que a pausa de três anos foi somente um intervalo na sua carreira.
Histórico promissor em Vale do Lobo
Vale do Lobo é um palco familiar para
Cação. Esta será a terceira semifinal do jogador na Costa Algarvia, após
ter alcançado a mesma fase em 2018 e 2020. Em 2018, disputou também a primeira
de oito finais no circuito ITF neste mesmo local, tornando simbólica a
possibilidade de encerrar esta segunda fase da carreira num cenário que já
conhece intimamente.
O conhecimento do piso rápido e da
atmosfera competitiva dá a Cação confiança extra, permitindo-lhe antecipar
movimentos, ajustar tempos e explorar cada oportunidade com a experiência
acumulada em edições anteriores.
Próximo desafio: Gray à espera
A semifinal reserva um desafio
exigente: o britânico Alastair Gray, 344.º do ‘ranking’ e primeiro cabeça de
série do torneio, campeão na segunda prova do Vale do Lobo no passado domingo.
Gray chega à fase decisiva também sem ceder ‘sets’ e com experiência em salvar
‘set’ points, tornando o duelo imprevisível e altamente competitivo.
Será um embate de estilos: a
velocidade e o ‘top’ ‘spin’ de Cação frente à consistência e experiência de Gray. No
piso rápido, cada movimento e cada ataque contam, e a capacidade de adaptação
será determinante para a passagem à final.
Peniche inspira ritmo e coragem
Para Tiago Cação, Peniche não é somente
a cidade natal, mas também uma metáfora para o seu estilo de jogo: rápido,
resiliente e capaz de transformar adversidades em oportunidades. Cada ponto
disputado sobre o piso rápido é como surfar as correntes atlânticas — exige
equilíbrio, momento e coragem.
Com esta semifinal, Cação reforça não
só o seu regresso triunfante ao ténis profissional. É também a ideia de que
velocidade, técnica e determinação podem criar momentos memoráveis, de Peniche
até Vale do Lobo.

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