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Domina o golpe de serviço no ténis!

                                                             Por António Vieira Pacheco
O Serviço no Ténis.
Créditos: Direitos Reservados: O golpe de serviço no ténis.
   

No ténis, o serviço é mais do que o início. É o gesto inaugural, o primeiro sopro de intenção. Um momento a sós, onde corpo e mente se alinham num compasso silencioso. É ali, naquele breve instante, que se lança a primeira pedra da batalha — e muitas vezes, o desfecho começa a desenhar-se aí.

Neste artigo, apresentamos cinco formas de lapidar esse movimento e torná-lo mais seguro, mais perigoso… e mais da sua identidade

Encontre o seu ritual

Antes da força, vem o foco. Criar uma rotina antes de servir é como afinar um instrumento antes do concerto. Um clique, uma respiração profunda, um olhar fixo — seja o que for, deve ser sempre igual. A repetição traz clareza. E a clareza, confiança.

Observe mestres nesta arte, em vídeos, como Roger Federer, Novak Djokovic ou John Isner. Cada um tem a sua pequena dança antes do impacto. Descubra a sua e repita-a como um feitiço antes do primeiro golpe.

Os pés: o alicerce do gesto

A posição dos pés é onde tudo começa. O equilíbrio, a energia, a direção. Há duas formas principais de construir esse início:

  • Plataforma: pés firmes, movimento mais contido.
  • Passo em frente (pinpoint): o pé de trás avança e une-se ao da frente, trazendo impulso.

Experimente ambas. Sinta qual oferece mais harmonia ao seu corpo. O melhor movimento é aquele que parece natural.

Lançar a bola: o silêncio antes da explosão

O lançamento da bola deve ser quase invisível, como o levantar da cortina antes da cena. Reto, sereno, preciso — nunca forçado. Se falha aqui, o resto vem desalinhado. A bola deve subir com leveza e cair sempre no mesmo ponto, como uma folha que conhece o seu lugar no chão.

O exercício aconselhado é: durante cinco minutos por dia, lance a bola sem bater. Só isso. A prática simples torna o movimento limpo como água.

O ponto de contacto: onde tudo se encontra

Há um instante em que o corpo se estica por completo e a raquete toca a bola — esse é o momento de ouro. Toda a energia acumulada converge ali. Para o alcançar:

  • Comece com o cotovelo alto.
  • Deixe que o tronco e as pernas impulsionem o gesto.
  • Termine com o braço a cruzar o corpo, como um arco que se fecha.

Imagine querer tocar o céu com a raquete. Essa extensão total é a sua medida.

Variedade: o serviço como surpresa

Um serviço eficaz é, acima de tudo, imprevisível. Não repita a melodia. Mude o ritmo, altere o ângulo, modifique a intenção:

  • Plano: direto e veloz.
  • ‘Top’ ‘spin’’ (liftado): sobe alto, mergulha fundo.
  • Slice: desenha curvas e abre o campo.

Jogue com a colocação — ao corpo, ao “T” ou para fora. Quanto mais opções tiver, mais difícil será para o adversário decifrar o seu plano.

O serviço como assinatura

As fases do serviço.
Treinar o serviço é como lapidar um gesto até ele deixar de ser só técnica e tornar-se expressão. Quando bem-feito, o serviço diz quem é em campo — firme, criativo, imprevisível, confiante.

Pratique com intenção. Sinta cada detalhe. E permita que cada serviço conte uma nova história.


 


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