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O sonho interrompido das irmãs Jorge

                                                                  Por António Vieira Pacheco

Irmãs vimaranenses travadas em Oeiras.
Créditos: FPT. Matilde seguiu as pisadas da irmã e perdeu.

A cidade de Oeiras, com a sua vista serena sobre o Atlântico, parecia prometedora para um regresso esperado. Porém, o que se avizinhava como um reencontro com a terra batida transformou-se numa despedida precoce para as irmãs Jorge, que, no Oeiras Open WTA 125, não conseguiram manter a boa forma do ano passado, onde chegaram aos quartos de final.

Primeiro, foi Francisca, a mais velha, que cedeu terreno, e logo depois Matilde, com os olhos fixos no topo do ‘ranking’ nacional, viu a sua ambição de se afirmar como a mais cotada portuguesa na tabela WTA interrompida pela suíça Simona Waltert. Com um duelo que se desenrolou com a intensidade de uma tempestade, Matilde, a vimaranense de 21 anos, não conseguiu resistir à pressão e à adversidade do vento. A derrota, por 6-4, 4-6 e 6-4, deixou-a a ponderar o que poderia ter sido, mas o vento foi um adversário implacável.

O clima, que mais parecia um reflexo das emoções à flor da pele, forçou a transferência do jogo do Court Central para o modesto 15. Quando o relógio já marcava o início da tarde, o vento castigava a jogadora portuguesa, que encontrou no serviço a sua maior fragilidade. Com 12 duplas faltas cometidas, e perdas de serviço cruciais no início do primeiro e último ‘set’, o sonho do regresso feliz à terra batida foi a ser lentamente apagado.

Este torneio, que deveria ser a oportunidade para um regresso glorioso, acabou por ser mais um lembrete de que, por mais que se prepare, a natureza e a vida são imprevisíveis. Mas para Matilde, como para todos os atletas, importando o que foi perdido, mas sim o que se aprende no caminho. Três dias antes, ela havia contribuído para a histórica vitória de Portugal no play-off da Billie Jean King Cup, um feito que continuará a brilhar como um marco na sua carreira.

O Oeiras Open Challenger 125, com os seus ventos e chuvas, marcou não o fim, mas um novo capítulo para as irmãs Jorge. As lições do hoje farão delas jogadoras ainda mais fortes para o amanhã.


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