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Rúben Guerreiro está na Volta a Portugal, mas ainda não pode voltar a ser ciclista
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 13 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM
Aos 32 anos, o português que venceu uma etapa e a montanha no Giro está parado por duas hérnias cervicais, mas continua a lutar por um regresso à estrada em 2027.
Rúben Guerreiro conhece bem
aquele ambiente.
O pelotão, as equipas, os
carros, as subidas, os adeptos encostados à estrada. Durante nove anos, aquele
foi o seu mundo. Agora continua na Volta a Portugal, mas numa posição que não
escolheu.
Não está em cima da bicicleta.
Está ao volante de um carro,
como motorista de convidados.
E, enquanto conduz pelas
estradas onde gostaria de estar a competir, vai ganhando uma coisa que
talvez seja ainda mais perigosa para um ciclista: saudades.
Aos 32 anos, Rúben Guerreiro
está inativo devido às dores decorrentes de duas hérnias cervicais. Após uma
carreira de nove temporadas no World Tour, o corpo obrigou-o a fazer o que
nenhum corredor quer fazer: parar.
E não foi uma paragem
planeada.
Foi uma paragem necessária.
O campeão nacional de 2017,
vencedor de uma etapa e da classificação da montanha no Giro, no
Saudi Tour e no Mont Ventoux Dénivelé, deixou de poder fazer aquilo que definiu
grande parte da sua vida.
Pedalar.
Ainda assim, o regresso
começou.
Já consegue treinar todos os
dias, embora esteja longe da carga necessária para voltar a competir ao mais
alto nível. E essa diferença, para quem viveu quase uma década no equador do WorldTour, não é pequena.
Treinar é uma coisa.
Voltar a ser ciclista
profissional é bem diferente.
Um regresso
Após deixar a Movistar, Rúben
Guerreiro teve contactos e possibilidades para continuar. Mas recusou.
Não se sentia bem.
Nem sequer, como explicou,
tinha saúde para uma vida normal.
Solicitou ao representante
que não procurasse mais equipas enquanto não estivesse em condições.
Agora, o cenário mudou.
Ainda não está pronto. E ainda
não sabe onde vai competir e admite que regressar diretamente ao WorldTour será
extremamente difícil após uma temporada parado, numa altura em que surgem
constantemente novos talentos e as equipas procuram corredores mais jovens.
Uma equipa ProContinental poderá ser uma opção.
Mas Guerreiro deixou outra
pista.
Falou de uma equipa grande que o
tem ajudado na recuperação. Falou de gratidão. E admitiu que gostaria de vestir
uma camisola desse clube e fazer coisas bonitas na estrada.
Não disse qual.
Deixou o mistério.
Talvez seja apenas uma
possibilidade. Talvez exista já um projeto. Talvez ainda não exista nada além
de uma ideia.
Por enquanto, há uma certeza.
Rúben Guerreiro está na Volta
a Portugal.
Vê os ciclistas passarem.
Sente o carinho do público.
Conhece cada detalhe daquele
mundo.
Mas ainda não pode fazer
aquilo que realmente quer.
Saudade diária
Há quem esteja na Volta a
Portugal para ganhar.
Há quem esteja para defender
uma camisola.
E há Rúben Guerreiro, que está
ali simplesmente a lembrar-se todos os dias de quando quer voltar.
A maior subida dele, neste
momento, não tem classificação de montanha.
Não acaba numa meta.
E não se mede em quilómetros.
Chama-se regresso.
E depois de tudo o que já
ganhou, talvez essa seja a vitória que mais quer conquistar.
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