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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Rui Oliveira quase fez a festa na Régua, mas Isasa roubou-lhe o sonho

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 12 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM O português voltou a atacar, chegou à discussão da vitória e lançou o sprint, mas o espanhol da Euskaltel-Euskadi apareceu mais forte na linha de meta. Rui Oliveira voltou a ficar muito perto de uma vitória que teima em não aparecer. O português da UAE Team Emirates-XRG terminou em segundo na sexta etapa da Volta a Portugal, após discutir a chegada ao Peso da Régua com Xabier Isasa. O espanhol da Euskaltel-Euskadi foi mais forte no sprint final e conquistou uma etapa de 132,6 quilómetros, entre Santa Maria da Feira e Peso da Régua. Isasa e Rui Oliveira conseguiram resistir à perseguição até aos metros finais, embora o grupo perseguidor já estivesse muito próximo. Para Oliveira, ficou a sensação de que a primeira vitória profissional na estrada esteve ali, ao alcance da mão. O campeão olímpico em Madison foi um dos grandes animadores da jornada, atacou repetidamente e acabou por integr...

No Gerês, os ciclistas vão pedalar… ou solicitar licença à Mata para respirar?

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 12 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️4 min · 🌱EMM


Gerês é amanhã e os ambientalistas continuam preocupados.

Vieira do Minho–Gerês é a etapa da Volta a Portugal que levou ambientalistas a levantar o sobrolho. Após Rui Oliveira parar para cumprimentar Pepe na Serra da Estrela, falta saber se, no Gerês, alguém vai parar para mandar um “fax” à natureza.

Chegou o dia.

Após tanta polémica, comunicados, protestos, alertas, pareceres, preocupações e previsões sobre o apocalipse ambiental, a Volta a Portugal chega finalmente à etapa que já ganhou uma classificação própria:

— A etapa que não devia existir.

Vieira do Minho–Gerês.

A 7.ª etapa está marcada para esta quinta-feira, 13 de agosto, e atravessa o Parque Nacional da Peneda-Gerês, incluindo a tão discutida Mata de Albergaria.

A Quercus já veio dizer que a Mata “não é lugar” para a passagem da Volta e considera a autorização do ICNF um “grave precedente”. Outras organizações ambientais também haviam manifestado preocupação com o percurso. 

Portanto, a partir daqui, só falta mesmo uma coisa:

— Que o pelotão pedale ao som de bicos de pé.

Cuidado com o chão, rapazes!

Durante semanas discutiu-se o impacto de levar uma corrida de bicicletas ao coração do Gerês.

E atenção: não falamos de um festival de música com milhares de pessoas a saltar ao mesmo tempo, nem de uma concentração de automóveis a fazer rali pela Mata.

São bicicletas.

Mas não são apenas bicicletas.

Há equipas, carros, motos, organização, polícia, assistência, televisão e toda uma caravana que acompanha a corrida.

É precisamente isso que preocupa os ambientalistas.

O ICNF, entretanto, impôs fortes condicionantes: sem público nos setores mais sensíveis, limitação dos veículos de apoio e exclusão de meios aéreos e de amplificação sonora.

Ou seja, os ciclistas podem passar.

No entanto, convém não fazer muito barulho.

Nem respirar demasiado alto.

E se alguém precisar de…

É aqui que a coisa começa a ficar interessante.

Rui Oliveira protagonizou, na Serra da Estrela, um daqueles momentos que o ciclismo português adora: parar para cumprimentar Pepe, o antigo capitão da Seleção Nacional de futebol, que acompanhava a Volta.

No Gerês, a dúvida é outra.

Será que alguém vai parar no meio da Mata de Albergaria para mandar um fax ou continua tudo sujo?

Porque aí sim, meus amigos, temos um problema de interesse nacional.

O ciclista pode furar.

Pode cair.

Pode até perder a corrida.

Mas se alguém se lembrar de deixar um presente biológico no meio do Parque Nacional, preparem-se.

O pelotão passa a suspeito número um.

E provavelmente haverá uma comissão para estudar a pegada ambiental do assunto.

A Mata vai sobreviver ao ataque das bicicletas?

A pergunta é obviamente irónica.

A polémica não é inventada.

A Mata de Albergaria é uma das zonas mais sensíveis do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Porém, a Quercus insiste no argumento de que havia alternativas; deveria prevalecer a proteção da área. A associação também questiona a ausência pública da avaliação da capacidade de carga e dos efeitos cumulativos da visitação.

É uma preocupação legítima.

Mas também seria interessante conseguirmos distinguir entre proteger a natureza e imaginar que cada bicicleta que entra numa área protegida é o equivalente ecológico de um bulldozer.

Porque, se assim for, temos uma solução simples.

Proibimos bicicletas.

Depois os carros.

Seguidamente os turistas.

Finalmente, as pessoas.

E, por precaução, talvez seja melhor ninguém ter um suspiro.

A Volta não vai ao Gerês para o destruir

A etapa foi desenhada para mostrar precisamente uma das zonas mais espetaculares do país.

O percurso parte de Vieira do Minho, passa pela zona da Caniçada, entra no universo do Gerês e tem ainda uma incursão em território espanhol junto à fronteira, antes de regressar à região. 

É uma etapa de montanha.

É uma etapa de ciclismo.

E é uma montra turística.

Aqui está o paradoxo.

Queremos mostrar o Gerês ao país.

Mas temos medo de revelar o Gerês ao país.

Queremos turismo.

Mas não demasiado.

Queremos ciclismo.

Mas que não pise.

Queremos promover o território.

Mas sem deixar marcas.

No fundo, a Volta descobriu uma nova modalidade:

  ciclismo ambientalmente invisível.

Pedalem, mas não deixem provas do crime

A organização e o ICNF estabeleceram regras precisamente para minimizar os impactos.

Agora falta saber como correrá na prática.

E é aí que a etapa se torna interessante.

Porque, depois de tanta polémica, qualquer fotografia de um papel no chão poderá transformar-se numa prova do crime.

Uma garrafa que caiu ao chão?

Escândalo.

Uma embalagem de gel?

Comunicado.

Uma folha arrancada pelo vento?

Investigação.

Um ciclista a parar para… enfim… resolver uma necessidade fisiológica?

Estado de emergência ambiental e expulso da corrida.

E se aparecer um bidão perdido no asfalto?

Preparem o relatório de 40 páginas.


No fim, ficam duas perguntas

A primeira é desportiva:

Quem vai ganhar a etapa do Gerês?

A segunda é ambiental:

  O Gerês sobreviverá à passagem da Volta?

Esperemos que sim.

Porque se uma caravana de ciclismo devidamente condicionada não puder atravessar uma estrada já existente numa área protegida, então talvez a discussão seja muito maior do que a própria Volta a Portugal.

E se puder passar sem consequências relevantes, também convém dizê-lo.

Porque proteger a natureza é demasiado importante para ser transformado numa guerra entre bicicletas e ambientalistas.

Amanhã, portanto, há corrida.

Os ciclistas vão subir.

As bicicletas vão rolar.

Os carros vão acompanhar.

E a Mata de Albergaria continuará lá.

Só pedimos uma coisa ao pelotão:

Se precisarem de enviar um fax, procurem primeiro uma casa de banho ou usem fraldas.

A Quercus agradece.

E a Mata também.



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