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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Rui Oliveira quase fez a festa na Régua, mas Isasa roubou-lhe o sonho

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 12 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM O português voltou a atacar, chegou à discussão da vitória e lançou o sprint, mas o espanhol da Euskaltel-Euskadi apareceu mais forte na linha de meta. Rui Oliveira voltou a ficar muito perto de uma vitória que teima em não aparecer. O português da UAE Team Emirates-XRG terminou em segundo na sexta etapa da Volta a Portugal, após discutir a chegada ao Peso da Régua com Xabier Isasa. O espanhol da Euskaltel-Euskadi foi mais forte no sprint final e conquistou uma etapa de 132,6 quilómetros, entre Santa Maria da Feira e Peso da Régua. Isasa e Rui Oliveira conseguiram resistir à perseguição até aos metros finais, embora o grupo perseguidor já estivesse muito próximo. Para Oliveira, ficou a sensação de que a primeira vitória profissional na estrada esteve ali, ao alcance da mão. O campeão olímpico em Madison foi um dos grandes animadores da jornada, atacou repetidamente e acabou por integr...

Do zero ao ouro olímpico: o ciclismo português encontrou em Sangalhos uma fábrica de campeões

 🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 11 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM

Iuri Leitão entrevistado.

Iúri Leitão e Rui Oliveira fizeram história em Paris, mas Gabriel Mendes recusa vender sonhos para Los Angeles: “Não vamos prometer medalhas”

Há dias que ficam para a história. E depois há aqueles que ficam para a história e ainda obrigam a ir buscar a calculadora para perceber como tudo aconteceu.

10 de agosto de 2024, Paris.

Iúri Leitão e Rui Oliveira conquistaram o primeiro ouro olímpico do ciclismo português, vencendo a corrida de Madison após uma recuperação extraordinária que os levou a comandar as últimas 50 das 200 voltas.

Um ano depois, a Volta a Portugal fez questão de passar pela casa onde boa parte dessa história começou a ser construída.

Sangalhos.

O Velódromo Nacional foi o ponto de partida do contrarrelógio da quinta etapa e transformou-se, por algumas horas, num palco de celebração de um projeto que já deixou de ser promessa para ser realidade.

Por ali passaram Iúri Leitão, Rui Oliveira, o selecionador Gabriel Mendes e até o primeiro-ministro Luís Montenegro.

16 anos e 66 medalhas depois

Gabriel Mendes conhece a história desde o princípio.

“O Velódromo Nacional foi inaugurado em 2009; eu entrei na federação em 2010; portanto, passaram 16 anos de trabalho contínuo. Fomos crescendo dentro daquilo que são as nossas capacidades e chegar ao ouro olímpico não me surpreendeu. Chegámos a Paris já com títulos mundiais e europeus.”

É uma declaração que diz muito sobre o caminho percorrido.

Porque o ouro de Paris pode ter parecido uma surpresa para quem só apareceu para assistir à festa. Para quem esteve a construir o projeto desde 2010, foi apenas a consequência lógica de anos de trabalho.

E os números não deixam muito espaço para conversa.

Sessenta e seis medalhas da Seleção Nacional nos últimos 13 anos, entre Jogos Olímpicos, Mundiais e Europeus.

Portugal começou praticamente do zero.

Acabou campeão olímpico.

“Gosto de ser rigoroso com os dados, mas diria que somos um caso de estudo no contexto do ciclismo de pista, tendo em conta o nosso ponto de partida e o percurso que fizemos nos últimos 16 anos”, explica Gabriel Mendes.

Um “caso de estudo”.

Não é uma expressão pequena.

Sobretudo quando o estudo em causa termina com uma medalha de ouro olímpica.

Los Angeles? Calma, que não há medalhas por encomenda

A próxima paragem já está definida.

Los Angeles 2028.

Mas Gabriel Mendes não vai entrar na moda das promessas olímpicas.

“A qualificação para os Jogos de Los Angeles 2028. Não vamos prometer medalhas, porque o nosso compromisso é com o trabalho, o empenho e a dedicação. Agora, é evidente que vamos querer dar o melhor.”

É provavelmente a resposta mais sensata.

Porque depois de Paris seria fácil fazer contas, antecipar medalhas e começar a distribuir ouro antes sequer dos Jogos começarem.

Mendes prefere outra coisa.

Trabalho.

Ainda bem.

Afinal, Paris mostrou que o trabalho pode levar Portugal a sítios nos quais décadas pareciam não ter autorização para entrar.

Iúri regressou à casa onde preparou o ouro

Iúri Leitão está, neste momento, sem competições, mas aproveitou a passagem da Volta por Anadia para visitar os colegas e reencontrar Rui Oliveira.

E, naturalmente, regressou às memórias de Paris.

“Aquele foi um dia extremamente feliz, o ponto mais alto da minha carreira e da do Rui Oliveira. Foi uma feliz coincidência estarmos todos aqui, na casa onde preparamos tudo”, recordou o medalhista olímpico, que conquistou a prata no omnium.

A frase “na casa onde preparamos tudo” talvez seja uma das melhores maneiras de explicar a importância de Sangalhos.

O ouro foi entregue em Paris.

Mas não começou em Paris.

Começou muito antes, entre treinos, preparação, trabalho e uma estrutura que foi crescendo longe dos holofotes.

Iúri Leitão espera ainda que aquele resultado tenha mudado a perceção sobre os atletas portugueses.

“Espero que tenha mudado a maneira de algumas pessoas nos observarem, como aconteceu em outras modalidades com campeões nos Jogos Olímpicos.”

Talvez tenha mudado mesmo.

Porque depois de Iúri e Rui, já não é possível olhar para o ciclismo de pista português como uma modalidade que apenas tenta chegar lá.

Já chegou.

O ouro ficou para trás. A época ainda não

Rui Oliveira está na Volta a Portugal.

Iúri Leitão está a construir aquela que já é a melhor temporada de sempre na estrada.

São três vitórias, suficientes para lhe garantirem um recorde de pontos no ranking mundial, sendo que uma delas foi conquistada no Tour Qinghai, prova do escalão ProSeries.

Depois da Volta à Alemanha, Iúri e Rui voltarão a juntar-se em Sangalhos.

O objetivo?

Campeonato do Mundo de pista, em Xangai, entre 14 e 18 de outubro.

E este Mundial terá uma importância adicional: contará para a qualificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Iúri Leitão sabe perfeitamente que a pergunta seguinte seria inevitável.

Pode haver outro ouro?

A resposta vem sem rodeios.

“Isso é conversa de jornalista. Medalhas de ouro todos queremos, mas só prometemos trabalho.”

E pronto.

Está explicado.

O jornalista pergunta pelo ouro.

O campeão responde com trabalho.

A máquina continua ligada

O mais curioso nesta história é que o ouro olímpico não encerrou um ciclo.

Abriu outro.

Sangalhos continua a ser a base. Paris já é memória. Xangai está à porta. Los Angeles começa a aparecer no horizonte.

E pelo caminho continuam a surgir nomes.

Iúri Leitão. Rui Oliveira. Ivo Oliveira. E tantos outros atletas que cresceram dentro desta estrutura.

O ciclismo português de pista já não precisa de pedir licença para entrar na conversa dos grandes.

Tem um campeão olímpico. Tem medalhas. Tem uma estrutura. E tem um projeto.

Agora falta saber até onde consegue levá-lo.

Mas há uma coisa que Gabriel Mendes e Iúri Leitão parecem ter percebido bem:

Não vale a pena prometer ouro.

É muito mais divertido conquistá-lo quando ninguém está a contar.

Volta a Portugal

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