Vermeersch: “Quando Pogačar acelera, muitos nem tentam segui-lo”

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 30 junho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM

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O esloveno é elogiado pelos seus colegas de equipa.

Diferença enorme

À medida que se aproxima o início do Tour de France 2026, cresce a convicção de que Tadej Pogačar se apresentará na melhor forma da carreira. Após dominar a primavera e realizar um estágio em altitude na Sierra Nevada, em Espanha, o campeão do mundo prepara-se para atacar o quinto triunfo na Grande Boucle rodeado por uma das equipas mais fortes do pelotão.

Quem melhor conhece essa realidade são os próprios colegas de equipa.

Florian Vermeersch, um dos oito corredores escolhidos pela UAE Emirates-XRG para apoiar o líder esloveno durante as três semanas da prova francesa, levantou um pouco o véu sobre o que acontece diariamente nos treinos e deixou uma ideia clara: a diferença entre Pogačar e os restantes corredores continua a impressionar até quem trabalha ao seu lado.

O mais impressionante é que estas palavras surgem de um dos gregários da UAE Emirates-XRG. Mesmo integrado numa das equipas mais fortes do mundo, Vermeersch admite que acompanhar Pogačar nos treinos mais exigentes está ao alcance de muito poucos.

Treinos duros

Durante as últimas semanas, a UAE Emirates concentrou praticamente toda a preparação na Sierra Nevada, um dos locais de estágio mais utilizados pelas principais equipas do WorldTour.

Ali, entre longas subidas e sessões específicas de alta intensidade, Pogačar voltou a afinar a condição física que pretende apresentar na partida de Barcelona.

Vermeersch explicou que os treinos começavam, muitas vezes, em conjunto, mas, rapidamente, cada corredor seguia o respetivo plano.

A razão é simples.

O ritmo imposto por Pogačar torna praticamente impossível acompanhar todo o seu trabalho diário.

“Nem imaginam o quão bom ele é. Sobretudo quando começa a falar dos watts por quilograma, isso até pode ser deprimente para mim.”

O belga sorriu ao fazer a observação, mas a frase resume o que muitos no pelotão já admitem há vários anos: Pogačar compete num patamar muito acima da maioria dos rivais.

Comparação impossível

Vermeersch admitiu que deixou de usar Pogačar como referência para avaliar o próprio rendimento.

Segundo explicou, essa comparação apenas gera frustração.

“Não nos podemos comparar com ele. Se utilizarmos o Tadej como referência, nunca ficaremos satisfeitos.”

Mesmo sendo um dos gregários mais fortes do WorldTour, o belga admite que tentar acompanhar diariamente o campeão do mundo teria consequências imediatas.

“Se tentasse competir com ele todos os dias, ao fim de uma semana estaria completamente esgotado.”

É uma confissão significativa.

Afinal, Vermeersch integra uma das equipas mais fortes do ciclismo mundial e, ainda assim, admite ter dificuldades em acompanhar o líder da UAE Emirates-XRG nos treinos mais exigentes.

Ataques devastadores

Os relatos do belga também ajudam a compreender o que ocorre, frequentemente, nas grandes montanhas do Tour de France.

Segundo explicou, durante os treinos havia momentos em que alguns colegas tentavam desafiar Pogačar, aumentando subitamente o ritmo.

O resultado era praticamente igual.

“Sabes que ele vai sobreviver e, cinco minutos depois, faz o mesmo contigo. Não há misericórdia.”

A facilidade com que o esloveno responde aos ataques impressiona até quem convive diariamente com ele.

Essa capacidade de recuperar rapidamente e voltar a acelerar ajuda a explicar por que muitos ataques de Pogačar acabam por decidir etapas em poucos quilómetros.

Impacto psicológico

Um dos momentos mais reveladores da entrevista ocorreu quando Vermeersch descreveu o impacto psicológico que Pogačar exerce sobre os adversários.

Na sua opinião, muitos corredores já nem respondem aos ataques porque sabem que esse esforço pode agravar as diferenças.

“Percebo perfeitamente por que alguns ciclistas nem tentam acompanhar quando o Tadej acelera na subida. Sabem que podem rebentar completamente, perder ainda mais tempo e acabar ultrapassados por outros corredores.”

É uma análise que revela bem o respeito que o campeão do mundo conquistou no pelotão internacional.

Mais do que a superioridade física, existe hoje um efeito mental que condiciona a estratégia adversária.

Quando Pogačar acelera, muitos preferem gerir o prejuízo em vez de arriscar uma quebra total.

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Única exceção

Questionado se existia algum terreno em que conseguisse levar a melhor sobre o colega de equipa, Vermeersch encontrou apenas uma resposta.

“Em descidas suaves de cerca de dois por cento consigo incomodá-lo um pouco, graças ao meu peso e à potência que consigo desenvolver.”

Mesmo assim, fez questão de acrescentar que essa pequena vantagem desaparece rapidamente quando a estrada se inclina.

No restante do percurso, admite que Pogačar continua praticamente inalcançável.
Respeito absoluto

Apesar das críticas que alguns adeptos fazem ao domínio do campeão do mundo, Vermeersch considera que seria absurdo solicitar ao esloveno que modere o ritmo apenas para tornar as corridas mais equilibradas.

“Seria errado se começasse deliberadamente a conter-se apenas para dar esperança aos outros.”

O belga concluiu com um elogio que resume a admiração existente na UAE Emirates.

“Tadej é simplesmente demasiado bom. Qualquer um faria o mesmo se tivesse as pernas dele. Eu também o faria.”

Favorito natural

As palavras de Vermeersch reforçam o que muitos especialistas já antecipam sobre o Tour de France.

Pogačar chega à partida rodeado por um bloco fortíssimo, após uma preparação sem contratempos e com indicadores físicos que continuam a impressionar até os próprios colegas de equipa.

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Se a estrada confirmar o que aconteceu nos treinos da Sierra Nevada, o campeão do mundo voltará a ser o homem a bater na luta pela camisola amarela e poderá dar mais um passo rumo à história. Igualar os cinco títulos conquistados por Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain.

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