João Almeida volta a sofrer no Dauphiné e chega atrasado

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📅8 junho 2026

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Em duas etapas Almeida já perdeu mais de meia hora.

Português enfrenta novo teste após regresso à competição.

João Almeida voltou a viver uma jornada complicada no Tour Auvergne-Rhône-Alpes, a prova francesa anteriormente conhecida como Critério do Dauphiné. Depois das dificuldades sentidas na etapa inaugural, o corredor da UAE Emirates voltou a perder contacto com os melhores e terminou longe da discussão pelos lugares cimeiros.

A segunda etapa da corrida apresentava-se como um verdadeiro teste de resistência. Com 234,3 quilómetros entre Saint-Martin-le-Vinoux e Le Puy-en-Velay, tratou-se da etapa mais longa da competição desde 2003. O percurso exigente, marcado por várias contagens de montanha, acabou por deixar marcas em muitos corredores e expôs as limitações de quem ainda procura recuperar a melhor condição física.

ENTRAR NO MUNDO DAS MODALIDADES

Para o corredor lusitano, esta era mais uma oportunidade para ganhar ritmo competitivo após uma longa ausência provocada por doença. Contudo, a realidade da estrada voltou a revelar-se dura. O português nunca conseguiu acompanhar os melhores momentos da corrida e acabou por ceder tempo significativo na classificação geral.

Dia difícil

Desde os primeiros quilómetros que a etapa prometia ser seletiva. O terreno acidentado favoreceu a formação de uma numerosa fuga, composta por cerca de dez corredores. O grupo conquistou rapidamente uma vantagem confortável e passou a sonhar com a vitória.

Enquanto isso, no pelotão, várias equipas procuravam controlar a diferença sem gastar energia excessiva. A longa distância e o desgaste acumulado aconselhavam prudência.

Almeida tentou gerir o esforço da melhor forma possível. No entanto, as dificuldades começaram a surgir cedo. O português evidenciou sinais de sofrimento ainda numa fase relativamente inicial da etapa, mostrando que o regresso à competição continua a ser um processo gradual.

Fuga vencedora

Na frente da corrida, a luta pela vitória transformou-se numa batalha entre os elementos da fuga do dia. O dinamarquês Anthon Charmig revelou-se o mais forte e aproveitou a última subida categorizada para atacar os seus companheiros de escapada.

A aceleração foi decisiva. Charmig rapidamente ganhou espaço e lançou-se sozinho para a meta, conquistando uma vitória de grande prestígio. O corredor da Uno-X cortou a linha de chegada isolado, somando o seu segundo triunfo como profissional e o primeiro ao mais alto nível do WorldTour.

Atrás dele chegaram o francês Henri-François Renard-Haquin e o belga Vlad Van Mechelen, incapazes de responder ao ataque decisivo do dinamarquês.

A fuga acabou também por mexer com as contas da classificação geral. Durante largos quilómetros, a liderança virtual esteve em risco, embora Alex Baudin tenha conseguido conservar a camisola amarela no final do dia.

Perda precoce

Enquanto os homens da frente discutiam a vitória, Almeida travava uma batalha diferente. O português começou a perder contacto com o grupo principal ainda na subida ao Col de Chatain, uma contagem de segunda categoria situada a mais de 200 quilómetros da meta.

Apesar das dificuldades, conseguiu regressar temporariamente ao pelotão. Foi um sinal de resistência e determinação, qualidades que têm marcado a sua carreira.

No entanto, o esforço para voltar ao grupo acabou por cobrar um preço elevado. Quando a corrida entrou na fase decisiva, Almeida já não tinha capacidade para acompanhar as acelerações.

A cerca de 30 quilómetros do final, na Côte des Barraques, o corredor da UAE Emirates ficou definitivamente para trás. A partir desse momento, o objetivo passou a ser apenas concluir a etapa e minimizar perdas.

Sem resposta

Os quilómetros finais confirmaram aquilo que já se percebia anteriormente. Almeida continua longe da condição física que o tornou um dos mais consistentes corredores das grandes voltas.

Almeida chegou com o compatriota e companheiro de equipa Ivo Oliveira num grupo que cortou a meta a 13.47 minutos do vencedor, ficando no 139.º posto da Geral, a 34.43 minutos, enquanto o campeão português é 112.º, a 31.45.

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O português integrou um grupo atrasado onde também seguia o compatriota e companheiro de equipa Ivo Oliveira. Juntos, procuraram gerir o esforço até à meta, numa jornada em que os resultados passaram para segundo plano.

A diferença final foi expressiva. O grupo chegou a 13 minutos e 47 segundos do vencedor, refletindo bem a dureza da etapa e as dificuldades sentidas por vários corredores.

Na classificação geral, Almeida caiu para a 139.ª posição, a 34 minutos e 43 segundos da liderança. Ivo Oliveira ocupa o 112.º lugar, a 31 minutos e 45 segundos.

Os números não contam toda a história, mas ajudam a perceber o momento que o português atravessa. Depois de um período complicado devido a problemas de saúde, o objetivo principal parece passar por recuperar sensações e reencontrar gradualmente o melhor nível competitivo.

Próximo desafio

A corrida prossegue agora com um contrarrelógio por equipas de 28,4 quilómetros em Perreux. A etapa poderá provocar novas alterações na classificação geral e representar uma oportunidade para algumas equipas recuperarem tempo.

Para a UAE Emirates, o exercício coletivo poderá ser importante para reforçar a confiança do grupo e ajudar corredores que ainda procuram o melhor rendimento.

No caso de Almeida, cada quilómetro percorrido representa mais um passo no caminho de regresso à sua melhor versão. Os resultados imediatos podem não ser os desejados, mas a recuperação de forma raramente acontece de um dia para o outro.

O Dauphiné continua a ser uma corrida de preparação para muitos dos principais nomes do pelotão internacional. Para o português, mais do que a classificação, o foco estará provavelmente em acumular competição, recuperar ritmo e voltar a sentir-se confortável entre os melhores.

As dificuldades dos últimos dias são evidentes. Ainda assim, a carreira de João Almeida já demonstrou várias vezes a sua capacidade para superar momentos adversos. O Dauphiné pode não estar a correr como desejava, mas a temporada está longe de terminada. E, no ciclismo, a diferença entre um dia difícil e um grande regresso pode ser apenas uma questão de tempo.

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