Gastão Elias cria torneio que sonhou jogar na Lourinhã
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📅11 junho 2026
📸 Créditos: Direitos Reservados
⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos
O antigo número 57 mundial ajudou a trazer o circuito internacional à Lourinhã, mas uma lesão impediu-o de competir no torneio da sua terra.
Durante grande parte da sua
carreira, Gastão Elias percorreu o mundo em busca de pontos, vitórias e
afirmação no circuito profissional de ténis. Do circuito Challenger ao ATP
Tour, o português chegou a ocupar o 57.º lugar do ranking mundial, tornando-se uma
das referências do ténis nacional na última década.
Mas, apesar de todas as
viagens, de todos os courts visitados e de todas as experiências acumuladas,
havia um cenário que permanecia por concretizar: jogar em casa, na Lourinhã,
perante o público da sua terra.
Essa ambição, mais emocional
do que competitiva, acabaria por dar origem a um projeto inesperado: a criação
de um torneio internacional na própria cidade de nascimento. Assim nasce o Lourinhã Open,
prova da categoria ITF M25 que se disputará, entre 15 e 21 de junho, e também marca a estreia de Gastão Elias como diretor de um torneio internacional.
Origem do projeto
A ideia, como o próprio explica, não surgiu de forma isolada, mas sim de uma construção conjunta com o seu treinador, Luís Alves, que é igualmente responsável pelo Clube de Ténis da Lourinhã.
“Começou com aquela
expectativa e aquela esperança de um dia poder competir em casa mesmo”, contou
à agência Lusa.
O desejo foi ganhando forma
com o tempo. Mais do que uma simples vontade, transformou-se num projeto
concreto que exigiu meses de trabalho, contactos institucionais e uma
articulação complexa entre entidades desportivas e autárquicas.
“Comecei a mexer-me para ver
se era possível, em conversas com a federação. Conseguimos uma data com a ITF.
Depois, a partir daí, foi começar a tratar de tudo o que é preciso para
organizar um torneio, com patrocínios, com a Câmara Municipal, com tudo mais”,
explicou.
O processo envolveu múltiplas
etapas, desde a negociação com a Federação Internacional de Ténis até à
mobilização de apoios locais, passando pela construção logística de um evento
capaz de integrar o calendário internacional.
No centro de tudo estava uma
motivação pessoal simples, mas poderosa: trazer o ténis profissional até à sua
terra natal.
“Não vou dizer que era um
sonho, mas era uma vontade que eu tinha de competir em casa”, resumiu.
Contudo, aquilo que parecia um
desfecho perfeito para uma carreira de longa duração acabou por ser
interrompido por um episódio inesperado. Uma rutura muscular sofrida em maio,
durante o Challenger Oeiras 4, afastou Elias da competição e, com isso,
retirou-lhe também a possibilidade de participar no torneio que ajudou a criar.
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O paradoxo não passa
despercebido: o jogador que mais trabalhou para trazer o circuito internacional
à Lourinhã não poderá entrar em court na primeira edição do evento.
Apesar da frustração evidente, o tenista de 35 anos reage com serenidade, optando por valorizar o projeto em vez de se centrar no revés. Longe de
dramatizar a lesão, procura valorizar o projeto em si e o impacto que o torneio
poderá ter na região.
“Fico feliz, na mesma por poder
estar ligado ao torneio ITF de alguma forma”, afirmou.
A ligação ao Lourinhã Open,
mesmo fora das linhas do court, representa para o português uma forma de
continuidade no ténis, ainda que numa vertente diferente da competição.
O seu discurso também reflete a incerteza quanto ao futuro competitivo.
Atualmente no 670.º lugar do
ranking mundial, Elias reconhece que o fim da carreira não está longe,
mas evita definir prazos.
“Um ano agora parece bastante
distante, mas vai depender de muita coisa. Depende do meu corpo, depende de
como estou”, explicou.
O desejo de competir em 2027
no torneio que ajudou a criar permanece em aberto, mas sem garantias. A decisão
dependerá do estado físico e da forma como a sua carreira evoluir nos próximos
tempos.
“Gostaria de jogar este torneio, se alguma vez fosse possível”, confessou, evidenciando o forte laço emocional que mantém com a prova.
Mais do que um simples
torneio, o Lourinhã Open representa para o Mágico uma espécie de síntese
entre a sua carreira e a sua identidade enquanto atleta português.
Ao longo dos anos, o tenista
construiu uma carreira marcada pela resiliência, pela capacidade de competir ao
mais alto nível e pela consistência no circuito internacional. Agora, numa fase
mais madura da sua trajetória, começa também a olhar para o futuro fora das
linhas de jogo.
A organização de um torneio
internacional surge, assim, como uma possível transição natural.
O próprio admite que a experiência acumulada durante este processo poderá abrir caminho a uma ligação mais duradoura ao ténis noutras funções.
“Se não acontecer, é o que é. Fico contente por poder dar o meu contributo na organização”, referiu.
Essa abertura para o futuro
reflete uma visão mais ampla da sua relação com o desporto. Não apenas como
jogador, mas também como alguém capaz de contribuir para o crescimento da
modalidade fora do court.
O Lourinhã Open estreia-se com cerca de 70 tenistas, entre os lugares 200 e 800 do ranking mundial, numa prova competitiva que representa também uma oportunidade de afirmação no ténis nacional a nível organizativo.
Para Gastão Elias, será
sobretudo um momento simbólico. O resultado de anos de viagens transformado num
projeto local. A carreira que o levou pelo mundo regressa agora ao ponto de
origem, ainda que de uma forma diferente daquela que tinha imaginado.
O sonho de jogar em casa ficou
adiado.
Porém, o sonho de trazer o mundo
do ténis até à Lourinhã tornou-se realidade.
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