Rubio acusa Ciccone de quebrar acordo e tensão explode na Volta à Itália

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  4 minutos

Ambos corredores acusam-me mutualmente.
Os dois envolvidos na troca de palavras azedas.


Ciclista colombiano acusa a Lidl–Trek de não cumprir o acordo e o italiano responde com dureza após discussão em plena montanha.

A 19.ª etapa da Volta a Itália não mexeu apenas com a luta pela classificação geral. Nas estradas das Dolomitas, a batalha pela vitória do dia e pelos prémios intermédios acabou por dar origem a um dos momentos mais tensos desta edição da corrida. Einer Rubio e Giulio Ciccone, dois dos protagonistas mais ativos nas fugas de montanha ao longo das últimas semanas, envolveram-se numa troca de acusações no final da etapa, após um alegado acordo falhado em plena corrida.

O colombiano da Movistar e o italiano da Lidl–Trek passaram grande parte do dia entre os corredores mais ofensivos da jornada. Ambos procuravam a tão desejada vitória de etapa — objetivo que perseguiam desde o arranque do Giro — e chegaram mesmo a rodar juntos na frente da corrida, isolados dos restantes perseguidores durante a subida a Coi.

Mas a corrida mudou de tom no Passo Falzarego, penúltima ascensão do dia. A tensão começou a crescer no grupo da frente e rapidamente ficou evidente que algo correu mal entre Rubio e os homens da Lidl–Trek.

No final da etapa, Einer Rubio não escondeu a irritação e falou de um acordo verbal que, garante, não foi cumprido.

“Combinei com a Lidl–Trek trabalhar em conjunto, deixar o Ciccone ganhar a classificação da montanha para ele me deixar o Red Bull Kilometre, mas não cumpriram a palavra. Quiseram ser espertos”, afirmou o colombiano.

Um acordo falhado

Segundo Rubio, houve entendimento entre os corredores para dividir os objetivos intermédios da etapa. A ideia passaria por Giulio Ciccone assegurar os pontos da classificação da montanha, enquanto o colombiano ficaria com o sprint intermédio Red Bull Kilometre.

O corredor da Movistar diz ter colaborado diretamente para isso durante a corrida.

“Falámos com o Ciccone: ele levava a montanha e eu até puxei para depois poder ficar com o Red Bull quilómetro, mas fizeram-se espertos e levaram ambos”, atirou, visivelmente frustrado.

As declarações explicaram também o motivo do seu descontentamento em corrida, num momento em que chegou a gerar alguma perplexidade entre os observadores. Inicialmente não era claro por que razão Rubio demonstrava irritação com Derek Gee e com o grupo que seguia na frente da corrida, até porque o colombiano não disputava a geral nem a classificação por pontos. Só depois ficou evidente que a origem da tensão estaria relacionada com o alegado compromisso assumido em estrada.

Rubio foi ainda mais longe na análise do episódio e concluiu com uma crítica direta à postura dos rivais.

“Não cumprem a palavra. Isto é ciclismo, mas às vezes é preciso ser humano primeiro.”

A frase tornou-se um dos momentos mais fortes do final de etapa e rapidamente chamou a atenção no ambiente do Giro, onde este tipo de acordos informais entre corredores surge com frequência, embora raramente seja exposto de forma tão pública.

Resposta imediata de Ciccone

A tensão não ficou sem resposta. Giulio Ciccone também foi confrontado sobre o episódio no final da etapa e rejeitou qualquer responsabilidade pelo conflito.

O italiano, que saiu da jornada com a liderança reforçada na classificação da montanha, explicou que o Red Bull Kilometre estava sobretudo ligado à luta pela geral e às bonificações em disputa — um cenário no qual diz não ter interferido.

“O Rubio ficou zangado porque queria o Red Bull Kilometers, mas isso era coisa dos homens da geral por causa das bonificações; eu nada tinha a ver com isso”, afirmou.

Ciccone recordou ainda que Rubio acabou por regressar para disputar pontos no topo das montanhas, num gesto que o italiano interpretou como uma reação ao episódio anterior.

“Ele achou que a culpa era minha”, resumiu.

Mas o corredor da Lidl–Trek não ficou por aí. Nas declarações mais duras do pós-etapa, deixou críticas diretas ao colombiano e admitiu ter-se sentido traído durante a corrida.

“Cometi um erro na montanha, confiei nele, mas o que fez foi um gesto bem mesquinho”, disparou.

O braço de ferro verbal entre os dois tornou-se um dos temas mais comentados do dia e trouxe uma dimensão extra à etapa rainha da Volta a Itália. Enquanto Sepp Kuss celebrava a vitória em Alleghe e Jonas Vingegaard defendia a camisola rosa, a polémica entre Rubio e Ciccone acabava por dominar as conversas no final da jornada.

Mais do que a luta pela etapa, o episódio revelou a tensão acumulada de três semanas de corrida e a pressão permanente de quem persegue objetivos distintos na mesma fuga. Entre pontos de montanha, sprints intermédios, bonificações e estratégias cruzadas, a linha entre cooperação e rivalidade revelou-se frágil nas estradas italianas.

No Giro, muitas vezes corre-se lado a lado. Mas basta um momento mal interpretado — ou uma promessa que uma das partes considera quebrada — para transformar aliados de ocasião em adversários declarados.

  Leia também

👉 Afonso Eulálio: “Por mim ia até Roma de camisola rosa”

👉 Afonso Eulálio: “Ainda não estou pronto para lutar com os da frente”

Comentários

Mensagens populares