Narváez volta a ferir o Giro em dia calmo para Eulálio

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  3 minutos

Português cumpre mais um dia de camisola rosa.
A camisola rosa fica muito bem ao Afonso Eulálio.

O equatoriano atacou de novo

Jhonatan Narváez continua a gravar o seu nome nas páginas mais marcantes desta Volta a Itália. O corredor da Emirates conquistou a terceira vitória na corrida ao bater Enric Mas no sprint em Chiavari, confirmando-se como um dos nomes mais explosivos deste Giro.

Num final resolvido entre fugitivos, o equatoriano voltou a aparecer no momento certo, como quem conhece exatamente o instante em que a corrida começa realmente a doer.

A vitória teve ainda mais peso por surgir numa equipa que parecia condenada logo no início da prova. Após perder três corredores ainda nos primeiros dias, poucos imaginavam que a Emirates chegaria ao 11.º dia já com quatro triunfos.

Mas o Giro gosta de desmontar previsões.

Um dia sem sobressaltos

Enquanto Narváez atacava a etapa, Afonso Eulálio passou por um cenário completamente diferente. O líder da Bahrain Victorious teve, finalmente, uma etapa sem grandes ameaças à camisola rosa.

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A fuga ganhou rapidamente liberdade e o pelotão deixou escapar a luta pela vitória, transformando a etapa numa espécie de pausa respiratória para os homens da geral.

Eulálio chegou integrado no grupo principal e manteve a vantagem de 27 segundos sobre Jonas Vingegaard.

Após dias marcados por montanha, pressão e sofrimento constante, o português atravessou a estrada italiana quase em modo de sobrevivência controlada, guardando energia para o que ainda aí vem.

 Emirates desafia a lógica

O triunfo de Narváez reforçou um dado improvável deste Giro: a capacidade da Emirates de continuar a vencer mesmo após o caos inicial.

A equipa perdeu três corredores logo após a segunda etapa, cenário que normalmente desmontaria qualquer ambição coletiva. Em vez disso, encontrou ainda mais agressividade.

Narváez já soma três vitórias. Igor Arrieta também deixou marca. E António Morgado voltou a desempenhar um papel importante no sucesso da equipa.

O português trabalhou intensamente no início da etapa para ajudar Narváez a integrar a fuga decisiva, sacrificando-se cedo para abrir caminho ao companheiro.

Eulálio continua firme

Afonso Eulálio terminou a etapa no 33.º lugar, a 3m24s do vencedor, mas o resultado pouco importa numa jornada desenhada para proteger a liderança.

O mais importante voltou a acontecer na classificação geral: o português permanece vestido de rosa.

Numa corrida em que cada dia parece trazer uma ameaça diferente, Eulálio aproveitou, finalmente, algumas horas de relativa tranquilidade. Sem ataques sérios dos favoritos, a Bahrain conseguiu controlar o ritmo sem entrar em desgaste excessivo.

Como quem atravessa uma ponte estreita sem olhar para o abismo, o figueirense continua a avançar etapa após etapa.

Os outros portugueses

Nelson Oliveira terminou na 79.ª posição, a mais de 18 minutos do vencedor e ocupa o 67.º lugar da classificação geral.

Já António Morgado, depois do enorme trabalho prestado à Emirates na fase inicial da corrida, chegou mais atrasado, no 106.º posto da etapa, a cerca de 29 minutos de Narváez.

O jovem português segue agora no 136.º lugar da geral, já a mais de duas horas de Eulálio.

O Giro continua em suspenso

A etapa de Chiavari acabou por funcionar como uma pequena trégua antes das dificuldades decisivas da corrida. A verdadeira batalha pela classificação geral continua intacta.

Vingegaard permanece perigosamente próximo. As grandes montanhas ainda estão reservadas para a fase final da prova. E Eulálio continua a carregar o peso mediático e emocional da camisola rosa.

Mas, por um dia, o Giro permitiu-lhe respirar.

E isso, nesta corrida, já vale quase como uma vitória.


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