Jonas Vingegaard: “Sou ciclista, gosto de ganhar”

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  3 minutos

Uma vista dos corredores que fugiram na etapa.

O dinamarquês voltou a atacar em alta montanha, conquistou nova vitória na Volta a Itália e reforçou a liderança antes da consagração final em Roma.

Jonas Vingegaard voltou a erguer-se acima de todos nas estradas da Volta a Itália. Na dureza da subida final para Piancavallo, o dinamarquês confirmou que, ao longo de três semanas, se tornou rotina: foi o mais forte, o mais agressivo e o mais capaz de transformar sofrimento em velocidade.

Vingegaard anda radiante por estar prto da vitória no Giro.

Na 20.ª e penúltima etapa do Giro, entre Gemona del Friuli e Piancavallo, o corredor da Visma-Lease a Bike voltou a atacar sem resposta e somou a quinta vitória nesta edição da corrida italiana, reforçando ainda mais uma liderança que já parecia intocável e que deverá confirmar oficialmente em Roma.

Foi mais uma demonstração de superioridade absoluta.

Num dia decisivo de alta montanha, Vingegaard escolheu, novamente, o ataque em vez da gestão e fechou praticamente todas as contas da classificação geral antes da última etapa.

No final dos 200 quilómetros, cortou a meta isolado ao fim de 5:03.55 horas, com 1,15 minutos de vantagem sobre Felix Gall e Jay Hindley, os primeiros perseguidores.

A vitória reforçou ainda mais o domínio do dinamarquês na classificação geral, onde passa a ter 5,22 minutos de vantagem sobre Gall e 6,25 sobre Hindley.

Com Roma já no horizonte, Vingegaard prepara-se para fechar a Volta a Itália com a mesma autoridade com que entrou nela.

“Sou ciclista, gosto de ganhar, quero ganhar o mais possível. Decidimos tentar hoje de novo,  Era a última etapa de montanha. Seria tudo decidido hoje. Decidimos ir com tudo para a etapa de hoje. Os rapazes estiveram de novo muito bem, eu também tive um grande dia hoje. Ganhar cinco etapas aqui e ter uma ótima vantagem para amanhã é especial para mim”, afirmou após cortar a meta.

As palavras explicam bem o espírito com que correu a etapa.

Mesmo com a liderança confortável, Vingegaard não quis defender.

Quis atacar.

Quis ganhar.

E voltou a cumprir.

Ataque sem resposta

A subida final para Piancavallo foi o último grande palco de montanha deste Giro. E Jonas Vingegaard fez dela o seu território.

Muitas vezes criticado ao longo da carreira por uma abordagem mais calculista e conservadora, o dinamarquês mostrou nesta Volta a Itália uma versão diferente — mais ofensiva, mais dominadora e mais decidida a controlar a corrida pela força.

O ataque surgiu antes dos dez quilómetros finais.

Mais cedo do que estava inicialmente previsto.

E acabou por decidir tudo.

“Tivemos de improvisar um pouco. O Sepp [Kuss] disse que não estava nos melhores dias. O plano era ir mais tarde, mas tivemos de mudar os planos e ir um pouco mais cedo”, explicou.

Félix Gall ainda tentou seguir-lhe a roda.

Durou apenas alguns segundos.

Depois, Vingegaard desapareceu montanha acima.

Pedalada redonda. Ritmo constante. Cabeça baixa. O mesmo cenário que se repetiu vezes sem conta ao longo destas semanas.

Pelo caminho, foi apanhando os últimos resistentes da fuga — Igor Arrieta e Ludovico Crescioli — antes de seguir sozinho até à meta.

Quando cruzou a linha de chegada, voltou a repetir um gesto já familiar nesta edição: beijou a fotografia da mulher presa ao guiador e celebrou mais uma vitória.

A quinta.

Talvez a mais simbólica.

Giro nas mãos

A etapa também mexeu com as posições imediatamente atrás do líder.

Felix Gall consolidou o segundo lugar da geral, Jay Hindley segurou o pódio e Derek Gee voltou a tentar aproximar-se dos lugares cimeiros.

Mas ninguém conseguiu sequer aproximar-se verdadeiramente de Vingegaard.

O dinamarquês correu esta Volta a Itália como quem esteve sempre um nível acima da concorrência.

Mais forte na montanha.

Mais consistente ao longo dos dias.

Mais eficaz nos momentos decisivos.

Ao longo da corrida acumulou vitórias, ganhou tempo praticamente em todos os terrenos e foi construindo uma vantagem que chega agora a Roma com dimensão confortável.

Se se confirmar no domingo, será mais um marco histórico na carreira do corredor da Visma-Lease a Bike, que fica a um passo de completar a prestigiada trilogia de vitórias nas três Grandes Voltas.”

Um feito reservado a um grupo restrito de nomes lendários do ciclismo mundial.

Mas o dia voltou a ter apenas um dono.

Jonas Vingegaard voltou a impor-se à montanha.

Voltou a impor-se aos rivais.

E chega agora a Roma com o Giro nas mãos.

Falta apenas o desfile final.

A coroa já parece escolhida.

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