Avançar para o conteúdo principal

Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Piganzoli vence em San Luca e Nairo Quintana despede-se!

Redação EMM 4 de outubro de 2026 DIREITOS RESERVADOS — EMM Leitura estimada: 2 min Bolonha faz negócio com as deslocações até ao Santuário de San Luca. Entre as redondezas da Piazza Maggiore, território de tortellini, pasta al ragù, mortadela e vinagre balsâmico, e o icónico templo religioso, existe uma subida que justifica os transportes para turistas e, sobretudo, uma corrida de muita dureza. A cidade italiana é conhecida como La Grassa (A Gorda), alcunha que mistura o peso da gastronomia com o orgulho pela mesa. É também La Dotta (A Erudita), pela tradição académica, e La Rossa (A Vermelha), pela cor dos edifícios. Pode ainda receber outro nome: chapéu de chuva natural. São 62 quilómetros de arcadas que acompanham as ruas e protegem quem por elas passa. É neste cenário que o Giro dell'Emilia ganha uma das suas imagens de marca. A corrida termina com cinco passagens pelo Santuário de San Luca, numa subida que os visitantes enfrentam muitas vezes de comboio para evitar o so...

Caos no Giro: quedas, abandonos e um pelotão em sobrevivência prossegue

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  3 minutos

As quedas e os abandonos no Giro
As quedas em descida são perigosas e acarretam sequelas aos corredores.

Uma corrida onde sobreviver já é vencer

A Volta a Itália construiu a sua reputação muito além da competição pura: é resistência, é caos, é sobrevivência ao longo de três semanas em que tudo pode mudar num instante. Entre 8 e 31 de maio de 2026, o Giro transforma-se num organismo vivo — imprevisível, agressivo e, por vezes, impiedoso.

Quedas em massa, doenças repentinas, fraturas, exaustão e abandonos fazem parte da paisagem tanto quanto as montanhas dos Alpes ou as chegadas em sprint. Aqui, cada etapa não é apenas uma disputa por segundos, mas também uma luta para continuar na prova.

Este relatório médico e de abandonos acompanha, de forma contínua, os principais incidentes que marcam o pelotão e influenciam diretamente a luta pela camisola rosa.

Etapa 1
O  primeiro aviso

O arranque foi relativamente controlado, mas o final trouxe o primeiro choque do Giro.

Uma queda coletiva abalou o pelotão nos últimos quilómetros. Apesar do impacto visual, todos os ciclistas conseguiram terminar a etapa.

Ainda assim, nomes importantes foram ao chão: Dylan Groenewegen, Kaden Groves, Erlend Blikra e Matteo Moschetti.

Foi o primeiro lembrete de que, no Giro, a estrada nunca é completamente segura.

Etapa 2

O  caos em piso molhado

As quedas da etapa.
Corredores foram ao asfalto, numa etapa que levou a várias desistências.

A segunda etapa marcou o primeiro ponto de viragem da corrida.

Em condições escorregadias, uma queda em massa abalou o pelotão quando a corrida se aproximava da fase decisiva. O impacto foi profundo e imediato.

Cinco ciclistas foram obrigados a abandonar a prova após quedas no asfalto, entre eles Jay Vine, Marc Soler, Adne Holter e Santiago Buitrago, todos afetados por incidentes durante a corrida.

O incidente envolveu também vários nomes importantes, incluindo Adam Yates, Derek Gee, António Morgado, Aleksandr Vlasov e Corbin Strong, deixando marcas que se fariam sentir nos dias seguintes.

A corrida deixou de ser apenas desportiva — passou a ser física e estruturalmente desgastante.

Etapa 3 

A falsa calma

O terceiro dia trouxe alguma normalidade ao pelotão. Mas apenas na superfície.

Uma queda isolada de Timo de Jong foi o único incidente em estrada, mas o impacto da etapa anterior continuou a fazer estragos fora do ecrã.

Foram confirmados abandonos e lesões graves: Jay Vine sofreu fratura no cotovelo e concussão, enquanto Marc Soler sofreu fratura na bacia. Adam Yates também não alinhou após diagnóstico de concussão e de lacerações.

Andrea Vendrame também se juntou à lista de ausentes com três vértebras fraturadas.

O Giro começava a perder peças importantes ainda na primeira semana.

👉 Ver todos os artigos de ciclismo aqui

Etapa 4 
Os favoritos também caem

A corrida entrou numa fase em que nem os grandes nomes estavam protegidos.

Wilco Kelderman abandonou antes da partida, retirando suporte essencial a Jonas Vingegaard. Durante a etapa, Kaden Groves e Arnaud De Lie também abandonaram.

O pelotão começava a sentir que ninguém estava imune ao desgaste crescente.

Etapa 5 
Chuva, quedas e sobrevivência

A quinta etapa foi um retrato do caos em estado puro.

Problemas de saúde impediram Milan Menten de alinhar, enquanto Joshua Giddings, Timo de Jong e Samuele Battistella abandonaram ao longo do dia.

Quedas múltiplas marcaram a jornada, incluindo um incidente não transmitido pela televisão, envolvendo Mathys Rondel e um carro da UAE.

Nos quilómetros finais, até Afonso Eulálio e Igor Arrieta sofreram quedas separadas, num final escorregadio, embora sem consequências graves.

Etapa 6 

O pelotão em colapso

A sexta etapa foi uma das mais violentas até então.

Logo no início, quedas atingiram Jonathan Milan, Matteo Sobrero, Johannes Kulset, Nelson Oliveira e Nico Denz.

Mais tarde, uma queda em massa nos paralelepípedos molhados envolveu vários ciclistas, incluindo Dylan Groenewegen e Orluis Aular.

O Giro mostrava-se cada vez mais seletivo — não apenas por força, mas também por resistência à queda.

As quedas são o pior imimigo dos corredores.
Caos no Giro.

Etapa 7

A trégua

Pela primeira vez, o pelotão encontrou alívio.

Sem incidentes relevantes, estas etapas permitiram alguma recuperação física e mental num calendário já marcado por múltiplas baixas.

Etapa 8
Novas consequências tardias

Jake Stewart abandonou devido às sequelas da queda da segunda etapa.

Durante a corrida, Fabio Christen sofreu uma queda feia ao tentar integrar uma fuga e abandonou de imediato.

O efeito dominó das primeiras etapas continuava a fazer vítimas.

Etapa 9
Dia tranquilo

Sem incidentes relevantes. Um dia tranquilo para os ciclistas.

Etapa 10 
Tensão controlada

Sem grandes incidentes registados no boletim da prova, a etapa serviu de pausa relativa antes das fases decisivas da corrida.

Etapa 11 
Nova vaga de quedas

O equilíbrio voltou a romper-se.

Davide Ballerini abandonou, no início do dia, acompanhado por Martin Tjotta e Edward Planckaert.

Mais tarde, uma queda na fuga afetou Christian Scaroni, Lennert van Eetvelt e Filippo Zana, num momento decisivo da etapa.

Scaroni ainda conseguiu recuperar, mas o impacto foi evidente.

Um Giro que se constrói na resistência

Mais do que uma corrida por etapas, a Volta a Itália de 2026 está a ser uma prova de sobrevivência contínua.

Cada dia traz a possibilidade de uma reviravolta não apenas na classificação, mas também na própria composição do pelotão.

As montanhas ainda estão por vir. A semana final ainda não começou. E o verdadeiro impacto destas quedas poderá só agora começar a revelar-se.

No Giro, resistir é tão importante quanto atacar. ´

Etapa 12

Mais baixas

A 12.ª etapa da Volta a Itália voltou a deixar marcas no pelotão, com novas desistências a afetar várias equipas num momento já exigente da corrida.

A Lotto-Intermarché é uma das equipas mais afetadas, contando agora apenas com quatro ciclistas em prova. Entre os abandonos mais significativos está o de Lennert Van Eetvelt, uma das principais apostas da equipa para a classificação geral, que foi forçado a deixar a competição.

A situação reforça a dificuldade crescente que várias formações têm enfrentado ao longo das últimas etapas, num Giro marcado por desgaste acumulado e vários problemas físicos.

Para além dos abandonos ligados a quedas e ao desgaste, a doença continua a ter impacto no pelotão, com novos casos.

Entre os ciclistas já afastados da competição encontram-se Javier Romo e Sjoerd Bax, que não conseguiram dar continuidade à sua participação no Giro.

Estas baixas voltam a evidenciar o nível de exigência de uma grande volta de três semanas, em que o desgaste físico, o ritmo intenso e as condições de corrida acabam por ter um pe

so decisivo.

Com várias equipas reduzidas e líderes a perder apoio importante, o equilíbrio na corrida começa a alterar-se visivelmente.

A resistência torna-se cada vez mais determinante, sobretudo numa fase em que a classificação geral começa a ganhar forma e cada elemento disponível pode fazer a diferença no apoio aos candidatos principais.

A 12.ª etapa confirma, assim, um padrão desta edição do Giro: uma corrida seletiva não apenas pelo terreno, mas também pela capacidade de sobrevivência dos seus protagonistas.

Etapa 13

Normalidade

Nada a assinalar.

Etapa 14

Uma desistência

A 14.ª etapa ficou marcada por apenas um abandono no pelotão. Christian Scaroni, da equipa XDS Astana Team, foi o único corredor a deixar a Giro d'Italia ao longo do dia.

A equipa explicou mais tarde que o italiano sofreu uma faringotraqueíte aguda com febre, sintomas que surgiram durante a noite e o impediram de continuar na prova.

Ler também

👉https://entrarnomundodasmodalidades.blogspot.com/2026/05/afonso-eulalio-e-perfeito-acordar-e-ver.html

👉 Afonso Eulálio: “O Jonas veste a rosa quando quiser”


Comentários