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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Iúri Leitão revela: «Foi uma das semanas mais duras da minha carreira»

   António Vieira Pacheco 17 de outubro de 2026 DIREITOS RESERVADOS — EMM Leitura estimada: 3 min   O português voltou a conquistar o título mundial de Omnium, em Xangai, e destacou a importância de manter a calma numa competição marcada pela pressão e pelo equilíbrio entre os adversários. Iúri Leitão voltou a colocar o ciclismo português no topo do mundo. O corredor de Viana do Castelo conquistou este sábado o título mundial de Omnium, nos Campeonatos do Mundo de ciclismo de pista, disputados em Xangai, na China, repetindo o feito alcançado em 2023, em Glasgow. O português terminou a competição com 143 pontos, superando o belga Fabio Van den Bossche, segundo classificado, com 129, e o alemão Tim Torn Teutenberg, terceiro, com 115. A conquista teve um significado especial para o ciclista de 28 anos, que não escondeu as dificuldades sentidas nos últimos dias. No final da prova, em declarações aos canais de comunicação da União Ciclista Internacional (UCI), Iúri Lei...

Velejador Eduardo Marques entre a dor e o regresso

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Word Sailing

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

Velejador em competição.
Português quando estava em competição.

Queda abrupta

O velejador português Eduardo Marques ainda vive sob o signo da incerteza. Meses após um acidente grave que interrompeu o seu percurso desportivo, o atleta procura perceber, dia após dia, se conseguirá regressar ao nível que o levou aos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

A colisão ocorreu pouco mais de um mês após a competição olímpica, na qual terminou em 11.º lugar na classe ILCA 7. Durante um treino para um half ironman, foi surpreendido por uma caravana que seguia em excesso de velocidade e travou abruptamente à sua frente.

“Bati com a roda, com a cabeça e com as costas. Foi direto”, recorda.

Corpo devastado

O impacto deixou marcas profundas. O atleta fraturou três vértebras — uma delas por completo —, 12 costelas, o esterno, a clavícula e uma cervical, além de ter sofrido uma perfuração pulmonar.

Os médicos não deixaram dúvidas quanto à gravidade do acidente.

Segundo Marques, vários especialistas reconheceram que, sem a condição física de um atleta de alto rendimento, o acidente poderia ter sido fatal ou deixá-lo paraplégico. Os músculos das costas contraíram-se no impacto, protegendo a medula e evitando sequelas irreversíveis.

A lenta reconquista

Os primeiros dias foram dominados pela dor e pela dependência absoluta.

“Sou muito independente e, de repente, sou zero”, recorda. Durante esse período, precisou de ajuda para as tarefas mais elementares, desde tomar banho e alimentar-se até simplesmente deslocar-se.

A recuperação passou a ser feita por meio de pequenas conquistas diárias.

Vestir as próprias calças, calçar as meias ou dar alguns passos voltaram a ser conquistas elementares — pequenos triunfos que assinalavam a lenta reconstrução física e emocional.

Recuperar sem pressa

Durante todo o processo, Marques garante que nunca se deteve a ponderar se a carreira tinha chegado ao fim.

Preferiu concentrar-se no presente.

Ainda contra algumas recomendações médicas, começou a praticar exercícios ligeiros logo nas primeiras semanas, incluindo movimentos de natação em águas pouco profundas.

Esse contacto progressivo com o movimento, acredita, foi determinante para acelerar a recuperação.

O regresso cauteloso

O primeiro regresso à água ocorreu em janeiro de 2025, mas cedo percebeu que o corpo ainda não estava pronto para suportar essa exigência. A perda de massa muscular — cerca de oito quilos em duas semanas — e a fragilidade óssea obrigaram a travar o entusiasmo. O regresso a um treino verdadeiramente estruturado só se concretizaria vários meses depois.

Seis meses após o acidente voltou à competição, resistindo a três dias de regata antes de uma nova pausa para consolidar a recuperação.

Limites do corpo

Mesmo agora, o velejador reconhece que o corpo impõe limites claros.

Sessões de vela e ginásio no mesmo dia são possíveis apenas com intensidade mínima. A gestão do esforço tornou-se uma equação delicada.

No Troféu Princesa Sofia, em Palma de Maiorca, optou por disputar apenas as regatas que o corpo permitiu, após jornadas particularmente exigentes em que os atletas passaram várias horas consecutivas na água.

A dor, descreve, surge como uma “beliscada” persistente que o obriga a moderar o ritmo.

Futuro em aberto

Aos 32 anos, o lisboeta evita projetar cenários de longo prazo, incluindo uma eventual participação nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

A prioridade passa por perceber se conseguirá regressar ao nível competitivo que considera mínimo para continuar.

“Se sentir que não consigo ter o mesmo nível, acho que não vale a pena”, admite.

Entre paixão e realidade

Para Marques, competir ao mais alto nível exige sacrifícios que só fazem sentido quando sustentados pela ambição de melhorar.

A vela ocupa grande parte da sua vida, afastando-o frequentemente da família, dos amigos e de momentos pessoais importantes.

“Falhamos aniversários, datas importantes… tudo por paixão.”

Mas essa paixão convive hoje com uma consciência pragmática: o desporto raramente garante estabilidade financeira.

Num país onde o custo de vida continua a subir, o velejador reconhece que permanecer no alto rendimento exige encontrar caminhos paralelos.

Ainda assim, mantém uma serenidade notável. Afinal, antes de regressar ao pódio, o maior desafio continua a ser o mesmo: reconquistar plenamente o próprio corpo.


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