Avançar para o conteúdo principal

Taça Davis longe de casa novamente para Portugal

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Juntai Sports

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

Portugal gosta de viajar na Taça Davis!
Mais uma viagem longa de Portugal. El Salvador é o destino.

 

Portugal prepara-se para a sétima deslocação consecutiva fora de portas na Taça Davis, prolongando um ciclo invulgar de eliminatórias longe do apoio caseiro. O sorteio do Grupo Mundial II, realizado na sede da Federação Internacional de Ténis, em Londres, determinou que a Seleção Nacional defronte El Salvador, entre 18 e 20 de setembro, num confronto inédito no historial luso e carregado de responsabilidade competitiva. 

Após a derrota na China, por 3-1, que confirmou a descida para o Grupo Mundial II, Portugal regressa à estrada. A Taça Davis mantém-se longe de casa. O público português continuará sem ver a Seleção competir no seu território.

Nova viagem forçada

Portugal partia como primeiro cabeça de série, ocupando o 38.º lugar do ranking mundial de equipas, apesar da queda de 11 posições após o desaire em solo chinês. Entre 13 possíveis adversários, o sorteio reservou um confronto inédito: El Salvador, país com o qual Portugal nunca mediu forças desde a estreia na Taça Davis, em 1925.

A definição do anfitrião exigiu uma nova extração. A sorte voltou a não sorrir à formação das quinas. A eliminatória será disputada fora de casa, mantendo o ciclo de deslocações sucessivas que marca os últimos anos da equipa portuguesa.

Contexto de descida

A derrota frente à China, por 3-1, revelou-se determinante. Num duelo em que Portugal procurava manter-se em patamares mais elevados da hierarquia mundial, acabou relegado ao Grupo Mundial II. A consequência prática é clara: mais incerteza, mais pressão e um caminho mais longo até ao regresso aos play-offs de acesso aos patamares superiores.

A eliminatória frente a El Salvador representa, assim, mais do que um simples confronto. É uma oportunidade para inverter o momento recente e relançar a candidatura portuguesa à promoção, com vista ao play-off promocional de 2027.

Adversário desconhecido

El Salvador apresenta uma realidade distinta no panorama internacional. O país conta com apenas três jogadores posicionados no ranking ATP. Cesar Cruz, de 19 anos, surge como o mais cotado, ocupando o 1441.º posto mundial. Segue-se Diego Duran, no 1683.º lugar, e Juan Carlos Fuentes Vázquez, no 1940.º.

Os números podem sugerir claramente o favoritismo português, mas a Taça Davis raramente se decide apenas pela classificação individual. O fator casa, a escolha do piso e as condições ambientais são variáveis historicamente determinantes nesta competição.

Fator casa pesa

Ao jogar fora, Portugal perde a possibilidade de escolher superfície e adaptar as condições ao perfil dos seus jogadores. A história recente confirma que esse detalhe pode influenciar o desfecho das eliminatórias. Num formato em que cada ponto tem peso acrescido, o ambiente e a adaptação tornam-se elementos estratégicos.

Para a equipa lusa, o desafio passará por impor superioridade técnica e experiência competitiva, anulando o eventual entusiasmo local e as especificidades do contexto salvadorenho.

Caminho para 2027

As restantes eliminatórias do Grupo Mundial II já estão definidas. Os vencedores assegurarão presença no play-off de promoção em 2027. Entre os confrontos agendados figuram África do Sul-Bósnia e Herzegovina, Eslovénia-Israel, Cazaquistão-Tailândia e República Dominicana-Egito, entre outros duelos distribuídos pelos diferentes continentes.

O objetivo português é inequívoco: vencer e manter viva a ambição de regressar a divisões superiores. O estatuto de primeiro cabeça de série acarreta responsabilidade acrescida, sobretudo após a descida motivada pela derrota na China.

Ciclo para quebrar

A sétima deslocação consecutiva fora de casa traduz uma sequência pouco habitual para uma seleção com tradição competitiva na Taça Davis. A ausência prolongada de eliminatórias em solo nacional priva a equipa do apoio direto do público e de um contexto familiar que, em momentos decisivos, pode fazer a diferença.

Ainda assim, o desafio será converter a adversidade em motivação competitiva. Portugal entra como favorito teórico, mas consciente de que a Taça Davis é palco de surpresas. Entre 18 e 20 de setembro, longe de casa uma vez mais, a equipa das quinas procurará dar o primeiro passo firme rumo à recuperação do seu estatuto internacional. 

Leia também: Hugo Maia avança após duelo português

Comentários

Mensagens populares deste blogue

André Carreiras: precisão e disciplina nas mesas e na vida

🖋️ Por:   António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Direitos Reservados ⏱️  Tempo de leitura: 5  minutos André tem um percurso exemplar nos estudos, conciliando com o desporto. Influência de Viana do Castelo e do mar André Carreiras, 20 anos, natural de Viana do Castelo, atleta de ténis de mesa, carrega consigo a harmonia que se encontra entre o mar e o vento da sua cidade natal. Desde cedo, a ligação com o oceano moldou o caráter e a forma de encarar desafios. O contacto diário com o mar transmitiu-lhe paciência, constância e resiliência. Essas qualidades mostraram-se essenciais tanto no desporto quanto nos estudos. “Viana do Castelo deu-me um certo equilíbrio entre humildade e ambição. É uma cidade calma, onde o trabalho conta mais do que o barulho. No ténis de mesa e nos estudos isso traduziu-se em disciplina e foco desde cedo”, sublinha.  Crescer junto ao oceano ajudou-o a compreender a importância da persistência. “O oceano ensina paciência, respeit...

Diogo Glória: “Não devemos tentar vencer o medo, mas usá-lo como alavanca”

  🖋️ Por:   António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Direitos Reservados/Federação Portuguesa de Badminton ⏱️  Tempo de leitura:  6   minutos Diogo Glória adora estar no recinto de jogo. O percurso até ao recinto Na véspera do Campeonato Nacional de Badminton absoluto, onde é um dos principais candidatos ao título,  Diogo Glória  recebeu o   Entrar no Mundo das Modalidades  para uma conversa sobre o jogo, a mente e os sonhos que o movem. Com somente 23 anos, o atleta natural de Peniche representa a equipa algarvia CHE Lagoense e concilia o desporto de alta competição com o curso de medicina. Entre raquetes, volantes e horas de treino — visíveis e invisíveis —, o jovem atleta partilha a sua visão sobre o jogo, a mente e os sonhos que o movem. Entrar no Mundo das Modalidades (EMM)   — Como o badminton entrou na sua vida — foi amor à primeira raquete ou uma paixão que cresceu com o tempo? Diogo ...

Telma Santos: A rainha do badminton

🖋️ Por:  António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Arquivo de Telma Santos  🎥   Créditos  RTP e João Boto ⏱️  Tempo de leitura:  6   minutos Telma Santos esteve presente em duas edições dos Jogos Olímpicos. No mosaico do desporto português, há nomes que brilham por resultados e outros por legado. Telma reúne ambos.  Natural de Peniche — cidade onde o mar molda a paisagem e o carácter — carrega no peito a força da sua terra.  Neste 42.º aniversário, o  Entrar no Mundo das Modalidades  presta-lhe homenagem com este retrato da sua jornada. Mais do que uma atleta, um símbolo Ela jogava, nós vibrávamos! Suor e boa disposição! Telma Santos continua a manter a forma. Quando jogava, o público vibrava com as suas jogadas, com suor e com boa disposição.  Ex-atleta olímpica, representou Portugal nos Jogos de Londres, em 2012, e Rio de Janeiro, em 2016.  Hoje, é selecionadora nacional, liderando com a mesma paixão...