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Fu Yu escorrega, mas deixa arte na Suíça

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis de Mesa

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

Esteve quase, Fu Yu.
Fu Yu voltou a bater no muro alemão!

Um muro chamado Ying Han

Fu Yu voltou a esbarrar na mesma parede. E voltou a sair derrotada. A internacional portuguesa despediu-se nos quartos de final do Top 16 Europeu, em Montreux, ao ceder frente à alemã Ying Han, atual quarta classificada do ranking europeu.

Na Suíça, o duelo foi intenso, prolongado e carregado de tensão competitiva. Fu Yu voltou a medir forças com uma das grandes referências do circuito continental e levou o encontro ao limite. Discutiu cada ponto com autoridade e ambição.

Foi o sexto confronto direto entre ambas. E foi a sexta derrota da luso-chinesa. Mas, desta vez, com nuances distintas, marcadas por maior equilíbrio, resistência e  momentos de elevado nível técnico.

Jogo longo e margem mínima

O encontro foi tudo menos linear. Intenso. Físico. Mental.

Fu Yu entrou decidida, mas cedeu o primeiro parcial por 11–8. Respondeu com autoridade no segundo, vencendo por 11–6. Ying Han voltou a adiantar-se (11–8), antes de a portuguesa igualar novamente o encontro com um sólido 11–5.

Tudo ficou suspenso no quinto ‘set’. Aí, a alemã foi mais fria. Mais cirúrgica. O 11–4 final fechou o encontro e confirmou o desfecho já tantas vezes repetido.

O historial pesa. E não mente. Fu Yu voltou a enfrentar uma adversária que conhece cada detalhe do seu jogo. Ying Han defende como poucas. Devolve tudo. Obriga sempre a mais uma bola. Mais um risco e mais um erro.

Ainda assim, a portuguesa voltou a discutir o encontro até ao limite. Recuperou desvantagens. Ajustou o plano. Variou alturas e velocidades.

Mas nunca conseguiu quebrar o padrão.

O ponto que levantou o pavilhão!

Houve, porém, um instante que ficou.

Um momento isolado. Porém, memorável. Depois de uma sequência de ataques consecutivos e trocas duras, longas e extenuantes, Fu Yu tirou um amortie de classe mundial no instante perfeito. A bola morreu junto à rede, sem apelo, enquanto Ying Han ficou presa ao fundo do campo, sem resposta possível.

O público levantou-se, Montreux aplaudiu durante vários segundos. Foi um ponto de talento puro. Instinto. Classe.

Eliminação com identidade

A derrota encerra a participação portuguesa na prova feminina. Contudo, não apaga o que foi construído. Fu Yu mostrou resistência competitiva. Mostrou leitura. Mostrou ambição. Levou uma das melhores jogadoras da Europa ao limite, obrigando-a a cinco ‘sets’ e a uma gestão do risco.

Perdeu, mas não se escondeu.

Um Top 16 de exigência máxima

O Top 16 Europeu voltou a confirmar a profundidade do ténis de mesa continental. Não há jogos acessíveis. Não há atalhos. Cada erro custa caro.

Para Fu Yu, acrescenta-se mais um capítulo a um duelo recorrente. Uma adversária que insiste em travar o caminho. Mas também mais uma prova de que continua a competir no patamar mais alto.

O resultado foi o mesmo. A resposta, essa, foi diferente. E isso também conta.

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