🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Dia para esquecer ou para recordar? Kika Jorge eliminada com atropelo... |
Expectativa elevada
Francisca Jorge entrou na segunda
semana do ITF W50 do Porto como uma das figuras centrais do torneio.
Melhor tenista portuguesa da atualidade e 212.ª do ranking WTA, a
vimaranense surgia como sexta cabeça de série e reunia condições para
lutar pelo título, numa prova disputada no Complexo Desportivo
do Monte Aventino.
Após uma primeira semana positiva no
Porto, as expectativas eram legítimas. No entanto, o ténis raramente respeita as previsões, e a ronda inaugural reservou um desfecho inesperado.
Esta quarta-feira, Francisca não
conseguiu encontrar soluções frente à suíça Katerina Tsygourova (560.ª
WTA) e acabou eliminada com os parciais de 6-1 e 6-2, num encontro
resolvido em pouco mais de uma hora.
Desde cedo, a portuguesa sentiu
dificuldades de pôr o seu jogo em ação. A adversária revelou-se sólida, agressiva nos
momentos-chave e eficaz nas oportunidades criadas. Francisca, por seu lado,
nunca conseguiu ganhar verdadeira ascendência no encontro, acabando por ceder
o serviço em seis vezes, um dado que marcou decisivamente o
rumo da partida.
Um dia para esquecer
O encontro foi daqueles em que tudo
parece correr menos bem. A melhor tenista nacional procurou ajustar o ritmo,
variar as soluções e encurtar os pontos, mas encontrou resposta do outro lado
da rede. Tsygourova aproveitou cada hesitação e construiu uma vitória clara,
sem permitir que o jogo tivesse outra dinâmica.
Apesar do resultado pesado, trata-se
de um episódio isolado numa temporada em que tem sido marcada por regularidade e
competitividade. Mesmo os percursos mais consistentes conhecem dias assim.
A eliminação precoce contrasta com o
que Francisca havia conseguido na semana anterior, também no Porto.
Nessa ocasião, a vimaranense atingiu os quartos de final em
singulares, sendo afastada pela compatriota Angelina Voloshchuk,
que voltou a vencer nesta jornada e confirmou o bom momento de forma.
Em pares, o desfecho foi bem
diferente. Ao lado da irmã mais nova, Matilde, Francisca
sagrou-se campeã, demonstrando, uma vez mais, a forte cumplicidade da
dupla portuguesa e a capacidade de responder positivamente em contextos
competitivos distintos.
Decisão estratégica
Para esta segunda semana, as irmãs
Jorge optaram por não participar nos pares, uma decisão
ponderada e alinhada com a gestão da época. O objetivo passou por reduzir a
carga competitiva e direcionar energias para os compromissos seguintes.
O calendário não abranda e a
prioridade está agora bem definida: a transição do Porto para o Jamor,
onde Francisca e Matilde irão disputar dois torneios WTA 125 consecutivos,
provas de maior exigência e impacto no ranking.
Mais do que um revés, a saída precoce
do W50 do Porto surge como um ponto de passagem numa temporada longa. O foco
desloca-se agora para desafios de nível superior, onde cada vitória tem um peso
acrescido e na qual a experiência acumulada pode fazer a diferença.
Francisca Jorge continua a ser uma
referência do ténis português, não apenas pelos resultados. Mas pela
consistência com que se mantém no circuito internacional. Um jogo menos
conseguido não apaga o percurso nem altera o rumo traçado.
Construção contínua
O ténis faz-se de semanas boas e
menos boas, de vitórias claras e derrotas inesperadas. O essencial está na
capacidade de seguir em frente, ajustar detalhes e manter o plano.
No caso da vimaranense, esse plano
passa agora pelo Jamor e por novos desafios, em que o objetivo será transformar a
frustração momentânea em combustível competitivo. Porque, no circuito
profissional, cada torneio termina apenas para dar lugar ao seguinte.

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