🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
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O tenista das Caldas da Rainha está com a mão quente na Índia.
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| O tenista das Caldas da Rainha está com a mão quente na Índia. |
Os ares da Índia continuam a soprar a favor de Frederico Silva. Em Chennai, cidade onde o calor se impõe com a mesma intensidade que o trânsito e onde o ténis se joga sob um céu denso e húmido, o português voltou a celebrar.
O número 255 do ranking ATP apurou-se para os quartos de final do Challenger 50 de Chennai, confirmando que a digressão asiática é fértil em resultados e também em confiança.
Com o estatuto de sexto cabeça de
série, Silva entrou em campo com responsabilidade acrescida. Do outro
lado da rede estava Duje Ajdukovic, croata de 23 anos, atualmente no 327.º
posto mundial, mas com um passado recente no top 105. Um adversário
perigoso, habituado a palcos exigentes e com argumentos para complicar qualquer
favorito.
Frederico, contudo, apresentou-se
sereno. Como quem conhece o próprio mapa, leu bem o jogo, alternou ritmos e foi encontrar soluções para desmontar a agressividade do croata. O primeiro ‘set’
resolveu-se por 6-3, com um break cirúrgico e o serviço seguro nos momentos de
maior pressão. No segundo parcial, voltou a demonstrar maturidade competitiva,
fechando em 6-4 sem permitir sobressaltos desnecessários.
Sob o sol de Tamil Nadu, onde o ar
parece pesar mais do que a própria bola, o português manteve a lucidez. Cada
ponto foi construído com paciência quase meditativa, como se seguisse o
compasso lento de um templo ao entardecer.
Confiança em ascensão
Esta vitória representa a segunda conquista da
semana em Chennai e reforça um momento positivo no percurso do tenista natural
das Caldas da Rainha. Há apenas duas semanas, Frederico atingiu as meias-finais
do Indoor Oeiras Open, num torneio no qual esteve a um passo da final — dispôs,
inclusive, de cinco match points que poderiam ter alterado o desfecho da sua
campanha.
Longe de se deixar abalar por essa
oportunidade perdida, o português parece ter transformado a frustração em
combustível competitivo. Na Índia, joga com clareza de ideias e intensidade
controlada, dois ingredientes essenciais num circuito Challenger cada vez mais
equilibrado.
Aos 30 anos, Silva procura
consolidar-se novamente entre os 200 melhores do mundo. Cada ronda ultrapassada
representa pontos preciosos e, sobretudo, estabilidade classificativa. Num
calendário exigente e globalizado, saber capitalizar boas semanas torna-se
determinante.
Horizonte grego
Nos quartos de final, Frederico Silva
terá pela frente o grego Ioannis Xilas, 388.º do ranking mundial. À partida, um
duelo que coloca o português como favorito, mas que exigirá a mesma
disciplina tática evidenciada até aqui.
Em torneios desta categoria, as
diferenças de ranking nem sempre contam toda a história. A adaptação às
condições, a resistência física e a capacidade de gerir momentos de tensão
podem redefinir qualquer prognóstico.
Kiko Silva sabe-o bem. Em Chennai, os
courts exigem pernas rápidas e cabeça fria. A humidade não perdoa hesitações, e
a concentração precisa ser tão firme quanto o serviço nos pontos decisivos.
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