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Tiago Pereira - “Jogar a Taça Davis é sempre uma motivação extra”

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos

Tiago Pereira fala da convocatória para a Taça Davis.
Algarvio foi eliminado no Oeiras Indoor 1.

Recém-convocado para a Seleção Nacional, o algarvio não conseguiu transformar o entusiasmo em vitória na estreia do Indoor Oeiras Open.

“Estou pronto para ter o cabelo rapado”, como é de formalidade na estreia pela Seleção Nacional da Taça Davis, e sentir “bem acolhido” pelos colegas de seleção, afirmou Tiago Pereira na conferência de imprensa.

 O algarvio de 21 anos, 267.º do ranking ATP, perdeu na primeira ronda do Indoor Oeiras Open, ATP Challenger 100, frente ao equatoriano Andrés Andrade, por duplo 4-6, num encontro disputado em 92 minutos.

A derrota surge num momento ímpar da carreira. O filho de Pedro Pereira recordou a felicidade ao receber a convocatória para a Taça Davis, competição que será disputada na China nos dias 6 e 7 de fevereiro:

“Jogar a Taça Davis é sempre uma motivação extra e um orgulho. Fiquei muito feliz quando soube. Estava em Nottingham, perdi nos singulares, não estava muito contente comigo mesmo, mas quando o Rui [Machado, capitão] me ligou ao perguntar se queria ir à China representar Portugal, fiquei muito feliz. Foi algo especial.”

O espírito não bastou

Apesar do entusiasmo, o Jamor trouxe desafios que a felicidade não conseguiu superar. Inicialmente preparado para enfrentar o britânico Johannus Monday, desistente à última hora por problemas de estômago, Pereira teve de adaptar-se rapidamente ao jogo do lucky loser Andrade, 279.º do ranking.

“É sempre difícil ter de ajustar-me. Ia jogar com um canhoto, já tinha treinado várias vezes com canhotos, inclusive hoje aqueci com um esquerdino e acabei a jogar com um destro. São coisas às quais tenho de adaptar-me”, explicou o português, tentando relativizar a derrota.

Oportunidades desperdiçadas

No interior do campo, Pereira criou oportunidades, mas não conseguiu aproveitá-las. Alguns break points passaram em vão, e o primeiro serviço revelou-se pouco eficaz, e condicionou a progressão do número cinco nacional.

“Não me senti mal, mas não aproveitei as oportunidades que tive, nomeadamente os break points. Ainda por cima, falhei muitos primeiros serviços”, constatou, mostrando maturidade na leitura do próprio jogo.

O resultado, embora negativo, deixa espaço para redenção no mesmo torneio, desta vez na variante de pares. Pereira joga esta quarta-feira ao lado de Gastão Elias e busca retomar a confiança e o ritmo competitivo.

Entre dever e motivação

O contraste entre a convocatória para a Taça Davis e a derrota em Oeiras evidencia um paradoxo que muitos atletas conhecem: o entusiasmo e a motivação não garantem automaticamente vitórias. Para Pereira, a experiência de representar Portugal mantém-se como combustível para continuar a evoluir.

O número três nacional destacou que, apesar das derrotas recentes, o momento na Seleção Nacional é especial: sentir-se “bem acolhido” e fazer parte de uma equipa que confia nele reforça a confiança para futuras batalhas nos courts internacionais.

Adaptação e resiliência

A lição do Jamor é clara: adaptação e resiliência continuam a ser requisitos inevitáveis. Cada encontro oferece aprendizados, desde a gestão do nervosismo até a capacidade de se ajustar a adversários imprevistos. Para Pereira, o próximo compromisso de pares oferece a primeira oportunidade concreta de aplicar essas lições.

Após uma estreia dececionante em singulares, Pereira terá de virar a página rapidamente. 

No ténis, como em muitas carreiras, há dias em que o entusiasmo não é suficiente para vencer, mas serve para aprender, crescer e preparar o próximo capítulo. Para o algarvio, esse capítulo começa já no Jamor, com o desafio de pares e a promessa de voltar mais forte aos singulares.



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