Algarvio foi eliminado no Oeiras Indoor 1.Recém-convocado para a Seleção
Nacional, o algarvio não conseguiu transformar o entusiasmo em vitória na
estreia do Indoor Oeiras Open.
“Estou pronto para ter o cabelo
rapado”, como é de
formalidade na estreia pela Seleção Nacional da Taça Davis, e sentir “bem
acolhido” pelos colegas de seleção, afirmou Tiago Pereira na conferência de imprensa.
O algarvio de 21 anos, 267.º do ranking ATP,
perdeu na primeira ronda do Indoor Oeiras Open, ATP Challenger 100, frente ao
equatoriano Andrés Andrade, por duplo 4-6, num encontro disputado em 92
minutos.
A derrota surge num momento ímpar da
carreira. O filho de Pedro Pereira recordou a felicidade ao receber a convocatória para a Taça
Davis, competição que será disputada na China nos dias 6 e 7 de fevereiro:
“Jogar a Taça Davis é sempre uma
motivação extra e um orgulho. Fiquei
muito feliz quando soube. Estava em Nottingham, perdi nos singulares, não
estava muito contente comigo mesmo, mas quando o Rui [Machado, capitão] me
ligou ao perguntar se queria ir à China representar Portugal, fiquei muito
feliz. Foi algo especial.”
O
espírito não bastou
Apesar do entusiasmo, o Jamor trouxe desafios que a felicidade não conseguiu superar. Inicialmente
preparado para enfrentar o britânico Johannus Monday, desistente à última hora
por problemas de estômago, Pereira teve de adaptar-se rapidamente ao jogo do lucky
loser Andrade, 279.º do ranking.
“É sempre difícil ter de ajustar-me.
Ia jogar com um canhoto, já tinha treinado várias vezes com canhotos, inclusive
hoje aqueci com um esquerdino e acabei a jogar com um destro. São coisas às
quais tenho de adaptar-me”, explicou o português, tentando relativizar a derrota.
Oportunidades
desperdiçadas
No interior do campo, Pereira criou
oportunidades, mas não conseguiu aproveitá-las. Alguns break points passaram
em vão, e o primeiro serviço revelou-se pouco eficaz, e condicionou a
progressão do número cinco nacional.
“Não me senti mal, mas não aproveitei
as oportunidades que tive, nomeadamente os break points. Ainda por cima, falhei muitos
primeiros serviços”,
constatou, mostrando maturidade na leitura do próprio jogo.
O resultado, embora negativo, deixa
espaço para redenção no mesmo torneio, desta vez na variante de pares. Pereira
joga esta quarta-feira ao lado de Gastão Elias e busca retomar a confiança e o ritmo competitivo.
Entre
dever e motivação
O contraste entre a convocatória para
a Taça Davis e a derrota em Oeiras evidencia um paradoxo que muitos atletas
conhecem: o entusiasmo e a motivação não garantem automaticamente vitórias.
Para Pereira, a experiência de representar Portugal mantém-se como combustível
para continuar a evoluir.
O número três nacional destacou que,
apesar das derrotas recentes, o momento na Seleção Nacional é especial:
sentir-se “bem acolhido” e fazer parte de uma equipa que confia nele reforça a
confiança para futuras batalhas nos courts internacionais.
Adaptação
e resiliência
A lição do Jamor é clara: adaptação e
resiliência continuam a ser requisitos inevitáveis. Cada encontro oferece
aprendizados, desde a gestão do nervosismo até a capacidade de se ajustar a
adversários imprevistos. Para Pereira, o próximo compromisso de pares oferece a
primeira oportunidade concreta de aplicar essas lições.
Após uma estreia dececionante em
singulares, Pereira terá de virar a página rapidamente.
No ténis, como em muitas carreiras,
há dias em que o entusiasmo não é suficiente para vencer, mas serve para
aprender, crescer e preparar o próximo capítulo. Para o algarvio, esse capítulo
começa já no Jamor, com o desafio de pares e a promessa de voltar mais forte
aos singulares. |
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