🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Vitória tranquila do Canhão do Jamor, que, no primeiro jogo do encontro, disparou dois ases. |
O canhão abriu fogo
Jaime Faria entrou no court de forma afirmativa. Dois ases no jogo inaugural bastaram para definir o rumo do encontro. Do outro lado da rede, Benjamin Hassan (258.º mundial) percebeu cedo que teria pela frente um opositor com um serviço poderoso, capaz de decidir pontos com rapidez e segurança.
Em 59 minutos, o tenista português,
151.º do ranking mundial, resolveu o encontro da segunda ronda do qualifying do Australian Open com autoridade e garantiu o
apuramento para a ronda de acesso ao quadro principal. O resultado, duplo 6-3,
conta a história essencial, mas não revela por inteiro a sensação de controlo
que Faria impôs desde o primeiro ponto.
Impacto imediato
O jogo de abertura funcionou como um
cartão de visita. Dois ases quase consecutivos, serviço pesado, bola profunda. O
libanês ainda tentou ajustar a resposta, mas rapidamente percebeu que o tempo
disponível seria curto. Quando o serviço de Faria entra com esta consistência,
o relógio corre contra quem está do outro lado.
Faria não procurou deslumbrar.
Procurou eficácia. Cada jogo de serviço foi tratado como território seguro, e
cada oportunidade de resposta foi aproveitada com pragmatismo. Não houve
pressa, mas também não houve concessões.
Um adversário sem espaço
Benjamin Hassan, representante do
Líbano, nunca encontrou o espaço necessário para instalar o seu jogo. Sempre
que tentava alongar as trocas, esbarrava na profundidade das bolas do
português. Quando queria encurtar os pontos, surgia a potência limpa, quase seca, do
golpe decisivo.
O primeiro ‘set’ caiu com
naturalidade. O segundo seguiu o mesmo caminho, sem desvios dramáticos. A
diferença não foi apenas o marcador. Esteve também na linguagem corporal: Faria sólido,
Hassan progressivamente resignado.
Serviço como declaração
Há dias em que o serviço não é apenas
uma arma — é uma declaração de intenções. Jaime Faria fez dele o centro da sua
estratégia, usando-o para comandar os pontos desde o início. Os ases não foram
números decorativos; foram sinais claros de domínio.
Mais do que potência bruta, houve
precisão. O português variou direções, alturas e ritmos, mantendo o adversário
em constante desconforto. Cada jogo ganho no serviço era um passo firme
rumo ao objetivo maior.
Maturidade competitiva
Aos olhos de quem acompanha o
percurso do número dois de Portugal, este encontro revelou algo além da
vitória. Revelou maturidade. O português soube ler o momento, gerir a vantagem
e evitar armadilhas comuns em jogos teoricamente acessíveis.
Não houve oscilações emocionais nem
quebras de concentração. Mesmo quando o resultado parecia controlado, Faria
manteve o foco, consciente de que o circuito não perdoa distrações. Essa
lucidez competitiva foi tão importante quanto a força do seu ténis.
Um passo do quadro principal
Com esta vitória, Faria fica agora a
uma ronda de alcançar o quadro principal. O objetivo está perto, mas ainda não está garantido. A exibição diante de Hassan, no entanto, manda uma mensagem
clara: o português chega confiante, armado e consciente do que é necessário
para dar o passo seguinte.
Cada torneio de qualificação é um
teste à paciência e à consistência. Faria passou no primeiro exame com nota
alta e em tempo recorde.
O eco do canhão
Em menos de uma hora, o “Canhão do
Jamor” fez-se ouvir com clareza. Não foi um estrondo caótico, mas sim uma sequência
de disparos controlados, eficazes e decisivos. Para quem assistiu, ficou a
sensação de que este foi apenas o primeiro capítulo.
O caminho continua, mas a mensagem já
foi entregue. O lisboeta não entrou em court para negociar. Entrou para impor.
E, desta vez, ninguém conseguiu silenciar o canhão.
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