🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Sim, estou aqui para fazer história. |
Confiança repetida
Um ano depois, Jaime Faria regressou
a Melbourne para confirmar que o que ali viveu não foi exceção, mas sinal. Tal
como na edição anterior, o português voltou a atravessar o qualifying sem
mácula e carimbou o apuramento para a segunda ronda do quadro principal de
singulares do Australian Open, reafirmando uma ligação especial a Melbourne
Park.
De volta a um palco de ótimas
memórias, o número dois nacional, atualmente 151.º do
ranking ATP, celebrou a quarta vitória consecutiva no
complexo australiano ao superar o belga Alexander Blockx (95.º), lucky
loser, pelos parciais de 6-3, 3-6, 6-3 e 6-4. Um encontro
exigente, repartido, mas resolvido com a maturidade de quem já sabe competir em
contextos de alta pressão.
Vitória construída
Não foi um triunfo imediato nem
linear. Blockx conseguiu equilibrar o encontro, explorando momentos de maior
risco e intensidade, mas encontrou do outro lado um adversário mais completo,
com maior variedade de soluções e melhor leitura dos momentos-chave.
Com mais armas à disposição, o Canhão do Jamor foi ajustar alturas, ritmos e direções, impondo-se, sobretudo, quando o encontro exigiu paciência.
O belga, que há um ano celebrava um título Challenger no Jamor, defrontou um adversário mais maduro. Capaz de atravessar as oscilações do encontro sem perder o comando do jogo.
Top-100 outra vez
Com este triunfo, Faria
eliminou pela quarta vez na carreira um jogador do top 100, um dado
que ajuda a contextualizar a consistência que tem construído nos grandes
palcos. Mais do que o número, importa o contexto: foi precisamente em Melbourne
que o português voltou a vencer num quadro principal de um torneio do Grand
Slam, algo que não acontecia desde… Melbourne, doze meses antes.
O círculo fecha-se com naturalidade.
Não como repetição vazia, mas como confirmação de crescimento.
História nacional
Aos 22 anos, Jaime Faria
apurou-se pelo segundo ano consecutivo para a segunda ronda do Australian
Open, tornando-se apenas o quarto homem português da história a alcançá-lo em duas ocasiões. Antes dele, apenas Frederico Gil, João Sousa
e Nuno Borges haviam atingido esse patamar.
Num ténis nacional onde a
continuidade em provas maiores sempre foi o maior desafio, este dado ganha peso
próprio. Não é apenas um resultado isolado: é permanência.
A memória de Djokovic
Na edição transata, o percurso
terminou frente a Novak Djokovic, mas não sem deixar marca. Faria
conseguiu roubar um set ao sérvio, recordista de títulos em
Melbourne, num encontro que serviu mais como afirmação do que como despedida.
Esse jogo ficou como aprendizagem — e
como referência interna. Não pela derrota, mas pela forma como o português se
apresentou: competitivo, sem receio do palco nem do nome do outro lado da rede.
Maturidade visível
Formado no Centro de Alto
Rendimento da Federação Portuguesa de Ténis, Jaime Faria apresenta hoje um
jogo mais funcional em contextos de exigência máxima. A evolução nota-se na gestão emocional, na construção dos pontos longos e na forma como mantém a clareza após o erro.
Contra Blockx, mesmo após ceder o
segundo set, não houve precipitação. Houve ajuste. E foi nesse
detalhe — na decisão de quando acelerar e quando esperar — que o encontro
começou a inclinar-se definitivamente.
O próximo teste
Na próxima ronda, o desafio poderá
voltar a ser de alto nível. Caso Andrey Rublev, 13.º cabeça
de série, confirme o favoritismo frente ao italiano Matteo Arnaldi,
será o russo o próximo adversário do português. Um confronto que só acontecerá
na jornada de segunda-feira, mas que se desenha um novo
teste à ambição de Faria.
Rublev representa intensidade
constante e peso de bola elevado. São exigências físicas e mentais que pedem respostas imediatas.
Um lugar conhecido
Independentemente do nome que surgir
do outro lado da rede, Jaime Faria chega à segunda ronda com algo raro: familiaridade
com o palco. Melbourne deixou de ser um território desconhecido. É agora um
lugar onde o português sabe ganhar, sofrer e insistir.
Um ano depois, a história repete-se. O
jogador, porém, é outro. Mais sólido, mais inteiro, mais dono do seu jogo. Em
Melbourne, Faria não vive de recordações: continua a criá-las.
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