Portuense analisa eliminação na ronda de abertura no Jamor
Recém-regressado do Australian Open,
o número três nacional perdeu na estreia do Indoor Oeiras Open, mas saiu
convencido de que o jogo valeu mais do que o resultado.
Há viagens que não terminam quando o
avião aterra. Uma semana após competir no Australian Open, Henrique Rocha
ainda parecia carregar Melbourne nas pernas quando entrou em campo no Indoor
Oeiras Open. O regresso a casa, ao local onde treina regularmente, não trouxe
refúgio imediato. Pelo contrário: o número três nacional caiu na primeira
ronda, derrotado pelo suíço Leandro Riedi, num encontro que deixou mais sinais
positivos do que o marcador sugere.
Foram 78 minutos de ténis, jogados
sob o teto do Jamor, num contraste absoluto com o calor abrasador do verão
australiano. Se em Melbourne o jogo se disputa sob o sol e o peso da história,
em Oeiras joga-se no silêncio do inverno, com trocas mais curtas. A transição
foi abrupta, e Rocha pagou o preço.
Outro
fuso
O portuense costuma lidar bem com o jet lag, mas desta vez a diferença foi além do relógio biológico. As
condições de jogo no Jamor nada têm a ver com as da Austrália, algo que o
próprio reconheceu após o encontro. Ainda assim, sublinhou que o adversário
enfrentou o mesmo desafio: Riedi também regressara recentemente dos antípodas.
O maior choque foi climático.
Enquanto em Melbourne se joga em pleno verão, Lisboa atravessa o inverno, com
temperaturas baixas que influenciam a velocidade da bola, a resposta do corpo e
a tomada de decisão. No piso indoor, cada detalhe pesa mais e cada hesitação
custa caro.
Primeiro
‘set’ prometedor
Em campo, o português entrou bem.
Muito bem, até. Controlou largos períodos do primeiro ‘set’, impôs ritmo e
mostrou clareza nas intenções. O desfecho desse parcial, no entanto, acabou por
escapar-lhe, e o encontro virou ligeiramente de eixo.
“Foi um encontro com bom nível. Sabia
o que esperar do outro lado, sabia que é um jogador perigoso e que joga com
muita força. Acho que consegui jogar muito bem no primeiro ‘set’ e o desfecho
foi uma pena”,
analisou o português na conferência de imprensa posterior.
O momento-chave acabou por criar o efeito
dominó. Ao não fechar o primeiro set, Rocha sentiu que ofereceu tranquilidade
ao adversário, que passou a jogar mais solto no segundo.
Detalhes
que pesam
“De certa forma, dei-lhe alguma
vantagem depois para o segundo, ele ficou mais tranquilo”, reconheceu. “Penso que estive
superior quase o primeiro set todo, faltaram apenas alguns detalhes.”
No ténis de alto nível, esses
detalhes são frequentemente invisíveis para o público, mas decisivos para quem
está lá dentro: uma bola mal preparada, um segundo serviço menos ousado, um
passo em falso na leitura do ponto. Rocha saiu derrotado, mas não batido por
dentro.
“No geral foi um jogo bastante
positivo e tenho de olhar para ele com bons olhos”, concluiu.
Um
palco ingrato
O dissabor desta terça-feira agravou
um registo pouco simpático de Henrique Rocha no Indoor Oeiras Open, prova
criada há quatro anos e disputada num local que pode chamar de casa. Em 2025,
venceu apenas um encontro nesta competição e soma agora sete derrotas no Jamor.
Um dado que poderia soar alarmante,
mas que o jogador de 21 anos desvalorizou, com uma leitura lúcida das
condições.
“É a superfície menos confortável
para mim. Privilegia a malta mais alta e que serve bem”, explicou, sem dramatismos. Ainda
assim, recordou que já jogou bom ténis naquele espaço.
“Já consegui fazer bons encontros e
ter bons desempenhos aqui. Cheguei a ganhar o Campeonato Nacional com bons
jogos e bom nível.”
Resultados
enganadores
Os números recentes ajudam a
sustentar a ideia de que os resultados nem sempre espelham o que se passa no
interior do campo. Nos últimos anos, Rocha enfrentou adversários
particularmente adaptados às condições indoor.
Leandro Riedi, por exemplo, venceu
este torneio em 2024, e todos os quatro títulos Challenger do seu palmarés
foram conquistados em contextos semelhantes. Em 2025, Rocha esteve igualmente
perto de sorrir: perdeu dois encontros no tie-break do terceiro set e,
num deles, frente a Frederico Silva, dispôs de cinco match points.
Margens mínimas. Diferenças de
centímetros.
Nova
tentativa
O ténis, como raramente falha,
oferece sempre uma nova oportunidade. No caso de Henrique Rocha, essa chance
surge já na próxima semana no mesmo local, nas mesmas condições, com a mesma
vontade de contrariar a estatística.
“Resta-me continuar a tentar e a esperar. Vai acabar por cair para mim. Resta-me estar presente”, resumiu.
Após a travessia do verão australiano
para o inverno português, Rocha procura agora algo mais simples: alinhar corpo,
mente e tempo. No Jamor, o relógio ainda não bateu a seu favor. Mas a história,
essa, continua em aberto.
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