Avançar para o conteúdo principal

Henrique Rocha: “Foi um encontro com bom nível”

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos

📹 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis


Henrique Rocha detesta piso indoor,
Portuense analisa eliminação na ronda de abertura no Jamor

Recém-regressado do Australian Open, o número três nacional perdeu na estreia do Indoor Oeiras Open, mas saiu convencido de que o jogo valeu mais do que o resultado.

Há viagens que não terminam quando o avião aterra. Uma semana após competir no Australian Open, Henrique Rocha ainda parecia carregar Melbourne nas pernas quando entrou em campo no Indoor Oeiras Open. O regresso a casa, ao local onde treina regularmente, não trouxe refúgio imediato. Pelo contrário: o número três nacional caiu na primeira ronda, derrotado pelo suíço Leandro Riedi, num encontro que deixou mais sinais positivos do que o marcador sugere.

Foram 78 minutos de ténis, jogados sob o teto do Jamor, num contraste absoluto com o calor abrasador do verão australiano. Se em Melbourne o jogo se disputa sob o sol e o peso da história, em Oeiras joga-se no silêncio do inverno, com trocas mais curtas. A transição foi abrupta, e Rocha pagou o preço.

Outro fuso

O portuense costuma lidar bem com o jet lag, mas desta vez a diferença foi além do relógio biológico. As condições de jogo no Jamor nada têm a ver com as da Austrália, algo que o próprio reconheceu após o encontro. Ainda assim, sublinhou que o adversário enfrentou o mesmo desafio: Riedi também regressara recentemente dos antípodas.

O maior choque foi climático. Enquanto em Melbourne se joga em pleno verão, Lisboa atravessa o inverno, com temperaturas baixas que influenciam a velocidade da bola, a resposta do corpo e a tomada de decisão. No piso indoor, cada detalhe pesa mais e cada hesitação custa caro.

Primeiro ‘set’ prometedor

Em campo, o português entrou bem. Muito bem, até. Controlou largos períodos do primeiro ‘set’, impôs ritmo e mostrou clareza nas intenções. O desfecho desse parcial, no entanto, acabou por escapar-lhe, e o encontro virou ligeiramente de eixo.

“Foi um encontro com bom nível. Sabia o que esperar do outro lado, sabia que é um jogador perigoso e que joga com muita força. Acho que consegui jogar muito bem no primeiro ‘set’ e o desfecho foi uma pena”, analisou o português na conferência de imprensa posterior.

O momento-chave acabou por criar o efeito dominó. Ao não fechar o primeiro set, Rocha sentiu que ofereceu tranquilidade ao adversário, que passou a jogar mais solto no segundo.

Detalhes que pesam

“De certa forma, dei-lhe alguma vantagem depois para o segundo, ele ficou mais tranquilo”, reconheceu. “Penso que estive superior quase o primeiro set todo, faltaram apenas alguns detalhes.”

No ténis de alto nível, esses detalhes são frequentemente invisíveis para o público, mas decisivos para quem está lá dentro: uma bola mal preparada, um segundo serviço menos ousado, um passo em falso na leitura do ponto. Rocha saiu derrotado, mas não batido por dentro.

“No geral foi um jogo bastante positivo e tenho de olhar para ele com bons olhos”, concluiu.

Um palco ingrato

O dissabor desta terça-feira agravou um registo pouco simpático de Henrique Rocha no Indoor Oeiras Open, prova criada há quatro anos e disputada num local que pode chamar de casa. Em 2025, venceu apenas um encontro nesta competição e soma agora sete derrotas no Jamor.

Um dado que poderia soar alarmante, mas que o jogador de 21 anos desvalorizou, com uma leitura lúcida das condições.

“É a superfície menos confortável para mim. Privilegia a malta mais alta e que serve bem”, explicou, sem dramatismos. Ainda assim, recordou que já jogou bom ténis naquele espaço.

“Já consegui fazer bons encontros e ter bons desempenhos aqui. Cheguei a ganhar o Campeonato Nacional com bons jogos e bom nível.”

Resultados enganadores

Os números recentes ajudam a sustentar a ideia de que os resultados nem sempre espelham o que se passa no interior do campo. Nos últimos anos, Rocha enfrentou adversários particularmente adaptados às condições indoor.

Leandro Riedi, por exemplo, venceu este torneio em 2024, e todos os quatro títulos Challenger do seu palmarés foram conquistados em contextos semelhantes. Em 2025, Rocha esteve igualmente perto de sorrir: perdeu dois encontros no tie-break do terceiro set e, num deles, frente a Frederico Silva, dispôs de cinco match points.

Margens mínimas. Diferenças de centímetros.

Nova tentativa

O ténis, como raramente falha, oferece sempre uma nova oportunidade. No caso de Henrique Rocha, essa chance surge já na próxima semana no mesmo local, nas mesmas condições, com a mesma vontade de contrariar a estatística.

“Resta-me continuar a tentar e a esperar. Vai acabar por cair para mim. Resta-me estar presente”, resumiu.

Após a travessia do verão australiano para o inverno português, Rocha procura agora algo mais simples: alinhar corpo, mente e tempo. No Jamor, o relógio ainda não bateu a seu favor. Mas a história, essa, continua em aberto.





 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

André Carreiras: precisão e disciplina nas mesas e na vida

🖋️ Por:   António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Direitos Reservados ⏱️  Tempo de leitura: 5  minutos André tem um percurso exemplar nos estudos, conciliando com o desporto. Influência de Viana do Castelo e do mar André Carreiras, 20 anos, natural de Viana do Castelo, atleta de ténis de mesa, carrega consigo a harmonia que se encontra entre o mar e o vento da sua cidade natal. Desde cedo, a ligação com o oceano moldou o caráter e a forma de encarar desafios. O contacto diário com o mar transmitiu-lhe paciência, constância e resiliência. Essas qualidades mostraram-se essenciais tanto no desporto quanto nos estudos. “Viana do Castelo deu-me um certo equilíbrio entre humildade e ambição. É uma cidade calma, onde o trabalho conta mais do que o barulho. No ténis de mesa e nos estudos isso traduziu-se em disciplina e foco desde cedo”, sublinha.  Crescer junto ao oceano ajudou-o a compreender a importância da persistência. “O oceano ensina paciência, respeit...

Diogo Glória: “Não devemos tentar vencer o medo, mas usá-lo como alavanca”

  🖋️ Por:   António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Direitos Reservados/Federação Portuguesa de Badminton ⏱️  Tempo de leitura:  6   minutos Diogo Glória adora estar no recinto de jogo. O percurso até ao recinto Na véspera do Campeonato Nacional de Badminton absoluto, onde é um dos principais candidatos ao título,  Diogo Glória  recebeu o   Entrar no Mundo das Modalidades  para uma conversa sobre o jogo, a mente e os sonhos que o movem. Com somente 23 anos, o atleta natural de Peniche representa a equipa algarvia CHE Lagoense e concilia o desporto de alta competição com o curso de medicina. Entre raquetes, volantes e horas de treino — visíveis e invisíveis —, o jovem atleta partilha a sua visão sobre o jogo, a mente e os sonhos que o movem. Entrar no Mundo das Modalidades (EMM)   — Como o badminton entrou na sua vida — foi amor à primeira raquete ou uma paixão que cresceu com o tempo? Diogo ...

Telma Santos: A rainha do badminton

🖋️ Por:  António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Arquivo de Telma Santos  🎥   Créditos  RTP e João Boto ⏱️  Tempo de leitura:  6   minutos Telma Santos esteve presente em duas edições dos Jogos Olímpicos. No mosaico do desporto português, há nomes que brilham por resultados e outros por legado. Telma reúne ambos.  Natural de Peniche — cidade onde o mar molda a paisagem e o carácter — carrega no peito a força da sua terra.  Neste 42.º aniversário, o  Entrar no Mundo das Modalidades  presta-lhe homenagem com este retrato da sua jornada. Mais do que uma atleta, um símbolo Ela jogava, nós vibrávamos! Suor e boa disposição! Telma Santos continua a manter a forma. Quando jogava, o público vibrava com as suas jogadas, com suor e com boa disposição.  Ex-atleta olímpica, representou Portugal nos Jogos de Londres, em 2012, e Rio de Janeiro, em 2016.  Hoje, é selecionadora nacional, liderando com a mesma paixão...