🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
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Uma derrota que também ensina
Henrique Rocha não conseguiu
transformar em realidade o duelo português antecipado no qualifying do
Australian Open.O jovem tenista luso, de 21 anos, viu terminar na segunda ronda a sua campanha em Melbourne. Ficou a um passo de defrontar Jaime Faria, num encontro que garantiria a presença de um segundo português no quadro principal de singulares do primeiro Grand Slam da temporada.
Uma madrugada exigente
Na madrugada desta terça-feira, o portuense protagonizou um duelo intenso diante do argentino Marco Trungelliti. Foram quase duas horas e meia de ténis
competitivo, físico e mentalmente desgastante, num encontro decidido em três
‘sets’ e nos detalhes. O desfecho — 7-5, 4-6 e 6-3 — espelha
bem o equilíbrio de forças e a dureza do braço de ferro travado em court.
Um início promissor
No início do encontro, Rocha demonstrou personalidade. Seguro no serviço, agressivo na resposta e confiante nas trocas longas, o português conseguiu discutir o primeiro ‘set’ até ao limite. Teve mesmo um ‘set’ point ao seu alcance no seu serviço, momento que poderia ter alterado por completo o rumo do encontro. Não o converteu, e o parcial acabou por cair para o lado do argentino, mais experiente na gestão desses momentos-chave.
Longe de acusar o golpe, Rocha respondeu com maturidade.No segundo set, elevou o nível, variou melhor o jogo e conseguiu quebrar o ritmo do adversário. A vitória
por 6-4 confirmou a sua capacidade de adaptação e resiliência, qualidades
essenciais para quem ambiciona consolidar-se no circuito profissional.
No set decisivo, os pormenores acabaram por fazer a diferença.
Trungelliti, com 35 anos, completa 36 no próximo dia 31, com muitos quilómetros acumulados no circuito ATP, geriu melhor os momentos de pressão, escolheu os riscos certos e explorou pequenas oscilações do jovem português. Rocha lutou até ao fim, mas acabou por ceder, consciente de que esteve próximo de dar um passo maior.
Um percurso consistente
Esta foi a segunda participação do portuense no qualifying do Australian Open.
Tal como na temporada anterior, voltou a alcançar a ronda de acesso,
confirmando consistência num palco exigente e altamente competitivo. Mais do
que o resultado isolado, o percurso reforça a ideia de um jogador em crescimento,
cada vez mais confortável em ambientes de alta intensidade.
Com a eliminação de Rocha, a representação portuguesa na fase de qualificação
ficou reduzida a Jaime Faria, após a saída precoce de Francisca Jorge na
prova feminina. Ainda assim, o ténis português continua a apresentar sinais
claros de renovação e profundidade, com jovens jogadores a ganharem experiência
em palcos maiores.
O que fica
Para Rocha, Melbourne deixa lições claras. A margem entre vencer e perder é
curta, os detalhes pesam e a experiência continua a ser um fator determinante.
No entanto, também fica a certeza de que o nível está lá. O acesso ao quadro principal
não surgiu desta vez, mas o caminho está a ser trilhado com solidez.
À porta do Australian Open, Rocha não entrou — mas bateu com força suficiente para que, em breve, a porta se abra.
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