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Henrique Rocha ficou à porta

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos


Henrique Rocha escorrega em Melbourne.
Henrique Rocha não consegue apuramento para a terceira ronda do qualifying do Australian Open.

Uma derrota que também ensina

Henrique Rocha não conseguiu transformar em realidade o duelo português antecipado no qualifying do Australian Open.O jovem tenista luso, de 21 anos, viu terminar na segunda ronda a sua campanha em Melbourne. Ficou a um passo de defrontar Jaime Faria, num encontro que garantiria a presença de um segundo português no quadro principal de singulares do primeiro Grand Slam da temporada.

Uma madrugada exigente

Na madrugada desta terça-feira, o portuense protagonizou um duelo intenso diante do argentino Marco Trungelliti. Foram quase duas horas e meia de ténis competitivo, físico e mentalmente desgastante, num encontro decidido em três ‘sets’ e nos detalhes. O desfecho — 7-5, 4-6 e 6-3 — espelha bem o equilíbrio de forças e a dureza do braço de ferro travado em court.

Um início promissor

No início do encontro, Rocha demonstrou personalidade. Seguro no serviço, agressivo na resposta e confiante nas trocas longas, o português conseguiu discutir o primeiro ‘set’ até ao limite. Teve mesmo um ‘set’ point ao seu alcance no seu serviço, momento que poderia ter alterado por completo o rumo do encontro. Não o converteu, e o parcial acabou por cair para o lado do argentino, mais experiente na gestão desses momentos-chave.

Longe de acusar o golpe, Rocha respondeu com maturidade.No segundo set, elevou o nível, variou melhor o jogo e conseguiu quebrar o ritmo do adversário. A vitória por 6-4 confirmou a sua capacidade de adaptação e resiliência, qualidades essenciais para quem ambiciona consolidar-se no circuito profissional.

No set decisivo, os pormenores acabaram por fazer a diferença. 

Trungelliti, com 35 anos, completa 36 no próximo dia 31, com muitos quilómetros acumulados no circuito ATP, geriu melhor os momentos de pressão, escolheu os riscos certos e explorou pequenas oscilações do jovem português. Rocha lutou até ao fim, mas acabou por ceder, consciente de que esteve próximo de dar um passo maior.

Um percurso consistente

Esta foi a segunda participação do portuense no qualifying do Australian Open. Tal como na temporada anterior, voltou a alcançar a ronda de acesso, confirmando consistência num palco exigente e altamente competitivo. Mais do que o resultado isolado, o percurso reforça a ideia de um jogador em crescimento, cada vez mais confortável em ambientes de alta intensidade.

Com a eliminação de Rocha, a representação portuguesa na fase de qualificação ficou reduzida a Jaime Faria, após a saída precoce de Francisca Jorge na prova feminina. Ainda assim, o ténis português continua a apresentar sinais claros de renovação e profundidade, com jovens jogadores a ganharem experiência em palcos maiores.

O que fica

Para Rocha, Melbourne deixa lições claras. A margem entre vencer e perder é curta, os detalhes pesam e a experiência continua a ser um fator determinante. No entanto, também fica a certeza de que o nível está lá. O acesso ao quadro principal não surgiu desta vez, mas o caminho está a ser trilhado com solidez.

À porta do Australian Open, Rocha não entrou — mas bateu com força suficiente para que, em breve, a porta se abra. 

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