Convocado para a Taça Davis, Tiago Pereira continua sem vencer

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

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Terceira derrota do ano, em outros tantos encontros, para Tiago Pereira.
Algarvio escorrega novamente em 2026, ano em que ainda não venceu nenhum encontro.


Número cinco nacional somou a sétima derrota consecutiva no Indoor Oeiras Open e está numa fase delicada marcada por doença, falta de confiança e quebra no rendimento do serviço.

Desde que recebeu a convocatória para representar Portugal na Taça Davis, Tiago Pereira não voltou a ganhar um encontro. O algarvio de 21 anos, atual 267.º do ranking ATP, prolongou esta terça-feira a série negativa ao cair na estreia do Indoor Oeiras Open, somando a sétima derrota consecutiva.

O desaire surgiu no terceiro encontro da temporada e voltou a expor um jogador longe do nível que o levou a fechar 2024 em clara ascensão. Frente ao lucky loser Andrés Andrade (274.º), Pereira perdeu por um duplo 6-4, ao cabo de 92 minutos, num encontro disputado nos campos cobertos do Complexo de Ténis do Jamor.

Entrada inesperada

O equatoriano só entrou no quadro principal horas antes do encontro, após a desistência do britânico Johannus Monday, afastado por dores de estômago. Ainda assim, o equatoriano apresentou-se mais sólido e confiante do que o português, aproveitando as fragilidades adversárias para controlar os momentos-chave de ambas partidas

Apesar de equilibrado no marcador, o encontro foi marcado por oscilações constantes do português, que nunca conseguiu impor o seu ritmo nem explorar as condições rápidas do piso indoor.

Corpo e mente

Visivelmente desgastado — tem estado doente nos últimos dias —, o número cinco nacional revelou dificuldades físicas e, sobretudo, mentais. A confiança, elemento essencial no jogo de Pereira, esteve ausente em vários momentos decisivos. Este aspeto traduziu-se num elevado número de erros não forçados.

O serviço, habitualmente uma das principais armas do seu arsenal, foi quebrado em seis vezes, um dado pouco habitual num jogador que constrói grande parte do seu jogo a partir da agressividade inicial nos pontos.

Oportunidades perdidas

Os números ajudam a explicar a derrota. O algarvio converteu apenas quatro das 13 oportunidades de break que conseguiu criar, deixando escapar vantagens importantes: esteve a vencer por 3-1 no primeiro ‘set’ e por 2-0 no segundo, mas não conseguiu consolidar nenhuma dessas margens.

No segundo serviço, os dados foram particularmente penalizadores: venceu apenas seis dos 30 pontos disputados e ofereceu ao adversário demasiadas oportunidades de assumir a iniciativa nas trocas de bola.

Fase delicada

A sequência de sete derrotas consecutivas contrasta com o final de 2024, período em que Pereira mostrava sinais claros de evolução e maior consistência competitiva. O início de 2025, porém, tem sido marcado por interrupções, problemas físicos e uma evidente quebra de confiança.

A convocatória para a Taça Davis, longe de funcionar como impulso imediato, coincidiu com o início desta fase menos positiva, ainda que o próprio jogador continue a integrar os planos da seleção nacional.

O que se segue

O algarvio terá nova oportunidade de tentar inverter o momento já na próxima semana, novamente no Jamor, onde se disputará outro torneio indoor. Antes disso, ainda entra em ação na variante de pares, com encontro marcado para esta quarta-feira, ao lado de Gastão Elias.

O calendário não abranda. Após o compromisso em Oeiras, o algarvio viajará para a China ao serviço da seleção portuguesa, num desafio exigente que surge num momento sensível da sua temporada.

À procura do clique

Para já, o objetivo passa por recuperar sensações, reencontrar confiança e estabilizar o jogo, mais do que pelos resultados imediatos. O talento e a ambição mantêm-se, mas o ténis — como o próprio percurso recente de Tiago Pereira demonstra — nem sempre respeita calendários nem expectativas.

A resposta poderá estar próxima. Ou poderá exigir mais tempo. Em Oeiras, para já, a espiral negativa continua.

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