Auger-Aliassime “Não quis ficar em campo como um saco de boxe”

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: ATP Tour

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

A hora da desistência do opositor de Nuno Borges.
Cumprimento entre Nuno Borges e Félix Auger-Aliassime após a desistência do adversário.

Félix Auger-Aliassime viu a sua passagem pelo Australian Open terminar prematuramente, ao desistir no encontro da primeira ronda frente a Nuno Borges, devido a cãibras que o impediram de continuar a competir em condições. 

O canadiano abandonou o duelo já após sentir fortes limitações físicas, deixando claro no rescaldo que a decisão foi tomada para evitar prolongar uma situação em que já não se sentia capaz de disputar a vitória.

Em conferência de imprensa, Auger-Aliassime explicou as razões que o levaram a interromper o encontro e fez questão de sublinhar que não quis permanecer em campo sem condições mínimas de competitividade. “Não quis ficar parado, como um saco de boxe”, afirmou, numa declaração que espelha a frustração sentida num momento difícil da sua carreira.

Cãibras inesperadas

Segundo o tenista canadiano, os problemas físicos surgiram de forma relativamente precoce no encontro. “Comecei a ter cãibras no início do terceiro ‘set’. Tornou-se muito difícil ser competitivo a este nível”, explicou. A partir desse momento, a mobilidade ficou comprometida. E tornou impossível manter a intensidade exigida num torneio do nível de um Grand Slam

Auger-Aliassime admitiu que, neste momento, ainda não tem uma explicação clara para o ocorrido. “Não tenho todas as respostas. Tento ser muito profissional em tudo o que faço e preparar-me bem”, afirmou, mostrando-se visivelmente perplexo com uma situação que considera fora do normal.

Frustração e dúvida

O tenista do norte da América revelou que o que mais lhe custa é não conseguir identificar uma causa evidente para o problema físico. “Adoro este desporto e adoro jogá-lo, e tento fazer tudo o que está ao meu alcance para estar pronto.Obviamente custa ainda mais. Se achasse que não estava preparado ou que não fazia tudo o possível, teria de ser honesto comigo mesmo”, confessou.

No entanto, Auger-Aliassime garante que fez tudo corretamente na preparação para o torneio. “Mesmo sendo sincero, não consigo encontrar as razões pelas quais isto acontece. Nunca me aconteceu antes, por isso vou ter de perceber o que se passa”, acrescentou, deixando em aberto a necessidade de uma análise mais aprofundada nos próximos dias.

O momento decisivo

O canadiano apontou ainda um momento específico como possível origem do problema. “Penso que foi apenas um mau movimento num salto para o serviço que não correu bem”, explicou. A partir daí, a situação agravou-se rapidamente, sobretudo nas deslocações laterais e nas acelerações exigidas nos pontos.

“Depois, ao mover-me de um lado para o outro e a precisar de acelerar, a cãibra piora”, detalhou, sublinhando que, embora não seja a primeira vez que sente cãibras ao longo da carreira, nunca gosta de estar em campo nessas condições.

A decisão de desistir

Auger-Aliassime foi claro ao justificar a decisão de abandonar o encontro. Para o canadiano, continuar em campo sem capacidade para competir não fazia sentido. “Quero ganhar, quero competir com o meu adversário. Não quero ficar ali parado como um saco de boxe. Nem faz sentido e é preciso seguir”, rematou.

A desistência acabou por confirmar a vitória do Lidador, que já tinha conseguido inverter o rumo do encontro e impor maior desgaste físico. Ainda assim, o próprio canadiano fez questão de frisar que a decisão não teve como objetivo retirar mérito ao adversário, mas sim respeitar o espírito competitivo do jogo.

Um momento delicado

A eliminação precoce representa mais um momento delicado para Auger-Aliassime, que continua à procura de estabilidade física e emocional no circuito. Depois de épocas marcadas por altos e baixos, o canadiano vê-se novamente confrontado com uma situação inesperada, que levanta questões sobre a gestão do esforço e a resposta do corpo em grandes palcos.

Apesar da frustração evidente, o tom do tenista foi ponderado e responsável. Ao admitir que precisa de compreender melhor o que aconteceu, Auger-Aliassime deixou claro que a prioridade passa agora pela recuperação. O canadiano quer analisar a situação em conjunto com a sua equipa técnica para identificar as causas do problema

Olhar para o futuro

Antes de se despedir de Melbourne, o canadiano reforçou a sua ligação ao ténis e a vontade de continuar a competir ao mais alto nível. “Adoro este desporto e adoro jogá-lo”, repetiu, numa frase que resume bem o conflito entre a paixão pelo jogo e a realidade física que o obriga a parar.

Para o maiato, o encontro fica marcado como mais uma vitória importante no Grand Slam, mas para Auger-Aliassime será, sobretudo, um episódio a compreender e ultrapassar. O Australian Open termina mais cedo do que o esperado para o tenista de Montreal, que sai de Melbourne com mais perguntas do que respostas, mas também com a determinação de regressar mais forte.

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