Cumprimento entre Nuno Borges e Félix Auger-Aliassime após a desistência do adversário.
Félix Auger-Aliassime viu a sua
passagem pelo Australian Open terminar prematuramente, ao desistir no encontro
da primeira ronda frente a Nuno Borges, devido a cãibras que o impediram de
continuar a competir em condições. O canadiano abandonou o duelo já após sentir
fortes limitações físicas, deixando claro no rescaldo que a decisão foi tomada
para evitar prolongar uma situação em que já não se sentia capaz de disputar a
vitória.
Em conferência de imprensa,
Auger-Aliassime explicou as razões que o levaram a interromper o encontro e fez
questão de sublinhar que não quis permanecer em campo sem condições mínimas de
competitividade. “Não quis ficar parado, como um saco de boxe”, afirmou,
numa declaração que espelha a frustração sentida num momento difícil da sua
carreira.
Cãibras
inesperadas
Segundo o tenista canadiano, os
problemas físicos surgiram de forma relativamente precoce no encontro. “Comecei
a ter cãibras no início do terceiro ‘set’. Tornou-se muito difícil ser
competitivo a este nível”, explicou. A partir desse momento, a mobilidade ficou comprometida. E tornou impossível manter a intensidade exigida num torneio do nível de um Grand Slam
Auger-Aliassime admitiu que, neste
momento, ainda não tem uma explicação clara para o ocorrido. “Não tenho
todas as respostas. Tento ser muito profissional em tudo o que faço e
preparar-me bem”, afirmou, mostrando-se visivelmente perplexo com uma
situação que considera fora do normal.
Frustração
e dúvida
O tenista do norte da América revelou que o que mais
lhe custa é não conseguir identificar uma causa evidente para o problema
físico. “Adoro este desporto e adoro jogá-lo, e tento fazer tudo o que está
ao meu alcance para estar pronto.Obviamente custa ainda mais. Se
achasse que não estava preparado ou que não fazia tudo o possível, teria de ser
honesto comigo mesmo”, confessou.
No entanto, Auger-Aliassime garante que fez tudo corretamente na preparação para o torneio. “Mesmo
sendo sincero, não consigo encontrar as razões pelas quais isto acontece. Nunca
me aconteceu antes, por isso vou ter de perceber o que se passa”,
acrescentou, deixando em aberto a necessidade de uma análise mais aprofundada
nos próximos dias.
O
momento decisivo
O canadiano apontou ainda um momento
específico como possível origem do problema. “Penso que foi apenas um mau
movimento num salto para o serviço que não correu bem”, explicou. A partir
daí, a situação agravou-se rapidamente, sobretudo nas deslocações laterais e
nas acelerações exigidas nos pontos.
“Depois, ao mover-me de um lado para
o outro e a precisar de acelerar, a cãibra piora”, detalhou, sublinhando que, embora
não seja a primeira vez que sente cãibras ao longo da carreira, nunca gosta de
estar em campo nessas condições.
A
decisão de desistir
Auger-Aliassime foi claro ao
justificar a decisão de abandonar o encontro. Para o canadiano, continuar em
campo sem capacidade para competir não fazia sentido. “Quero ganhar, quero
competir com o meu adversário. Não quero ficar ali parado como um saco de boxe.
Nem faz sentido e é preciso seguir”, rematou.
A desistência acabou por confirmar a
vitória do Lidador, que já tinha conseguido inverter o rumo do encontro e impor
maior desgaste físico. Ainda assim, o próprio canadiano fez questão de frisar
que a decisão não teve como objetivo retirar mérito ao adversário, mas sim
respeitar o espírito competitivo do jogo.
Um
momento delicado
A eliminação precoce representa mais
um momento delicado para Auger-Aliassime, que continua à procura de
estabilidade física e emocional no circuito. Depois de épocas marcadas por
altos e baixos, o canadiano vê-se novamente confrontado com uma situação inesperada,
que levanta questões sobre a gestão do esforço e a resposta do corpo em grandes
palcos.
Apesar da frustração evidente, o tom
do tenista foi ponderado e responsável. Ao admitir que precisa de compreender melhor o que aconteceu, Auger-Aliassime deixou claro que a prioridade passa agora pela recuperação. O canadiano quer analisar a situação em conjunto com a sua equipa técnica para identificar as causas do problema
Olhar
para o futuro
Antes de se despedir de Melbourne, o
canadiano reforçou a sua ligação ao ténis e a vontade de continuar a competir
ao mais alto nível. “Adoro este desporto e adoro jogá-lo”, repetiu, numa
frase que resume bem o conflito entre a paixão pelo jogo e a realidade física
que o obriga a parar.
Para o maiato, o encontro fica
marcado como mais uma vitória importante no Grand Slam, mas para
Auger-Aliassime será, sobretudo, um episódio a compreender e ultrapassar. O
Australian Open termina mais cedo do que o esperado para o tenista de Montreal, que sai
de Melbourne com mais perguntas do que respostas, mas também com a determinação
de regressar mais forte. Artigos Relacionados Russo Andrey Rublev é o próximo obstáculo de Jaime Faria |
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