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Andrey Rublev: “Vi-o jogar e pensei: ‘uau’”

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: ATP Tour

⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos

📹 Créditos: Direitos Reservados
Elogios de Rublev a Jaime Faria no final do encontro.
Russo tece elogios a Jaime Faria.

Russo venceu Jaime Faria por 6-4, 6-3, 4-6 e 7-5 na segunda ronda do Australian Open e deixou elogios ao nível  do português.

O percurso de Jaime Faria no Australian Open chegou ao fim esta quarta-feira, com Andrey Rublev a confirmar o favoritismo e a afastar o português na segunda ronda do primeiro Grand Slam da temporada. O russo, atual 15.º do ranking ATP e 13.º cabeça de série, venceu pelos parciais de 6-4, 6-3, 4-6 e 7-5, mas saiu do court a falar mais do adversário do que do próprio triunfo.

Tal como na edição de 2025, Faria voltou a despedir-se na segunda ronda, mas não sem deixar a sua marca. O tenista português de 22 anos voltou a conquistar um ‘set’ frente a um jogador da elite mundial, repetindo um padrão já visto no ano passado, quando o fez diante de Novak Djokovic. Em Melbourne, voltou a mostrar que compete sem complexos contra os nomes estabelecidos do circuito.

Surpresa assumida

Ainda em court, no final do encontro, Rublev não poupou elogios ao jovem luso e admitiu que só recentemente se havia inteirado do seu jogo. Na véspera, após o duelo da primeira ronda, o russo confessara não conhecer Faria, garantindo apenas que faria o trabalho de casa.

“Não o conhecia. Comecei a pesquisar, vi alguns vídeos de jogos dele e observei que, no ano passado, perdeu contra o Novak [Djokovic], mas ainda venceu um ‘set’”, explicou Rublev. “Comecei a vê-lo jogar e pensei: ‘uau, como ele joga o qualifying?’O nível a que jogava era ótimo.”

O russo detalhou ainda as principais qualidades que encontrou do outro lado da rede, num discurso raro pela frontalidade. “Tem um grande serviço, uma grande esquerda, move-se bem e é lutador. Não sei como estava no qualifying. O nível dele é muito melhor”, reforçou.

Um ‘set’ conquistado

Em campo, o encontro teve momentos de claro domínio de Rublev, sobretudo nos dois primeiros ‘sets’, mas Faria recusou-se a sair em silêncio. No terceiro parcial, elevou o nível, arriscou mais na resposta e conseguiu reduzir a desvantagem, conquistando a partida por 6-4 e prolongando o duelo.

No quarto set, voltou a criar dificuldades e manteve o encontro equilibrado ao longo do parcial. Só cedeu nos momentos finais, quando a maior experiência e consistência de Rublev acabaram por fazer a diferença.

Repetição com sinais positivos

A eliminação na segunda ronda repete o desfecho da edição anterior, mas o contexto volta a ser encorajador. O Canhão do Jamor confirmou que consegue competir ao nível dos melhores, sobretudo nos grandes palcos, e somou mais uma exibição que reforça a perceção externa sobre o seu potencial.


Os elogios de Rublev, ex-top 5 mundial, surgem como validação adicional de um percurso que continua a ganhar respeito mundial, mesmo quando os resultados ainda não permitem saltos imediatos no quadro principal.

Com a defesa dos pontos conquistados em 2025, Faria deverá ainda sair beneficiado do ranking. O português surge, para já, como virtual 146.º classificado, numa progressão sustentada que reflete a consistência das últimas épocas.

Aos 22 anos, Faria continua a acumular experiências valiosas em torneios de maior exigência, consolidando a presença nos quadros principais e deixando cada vez menos dúvidas sobre a sua capacidade de se afirmar no circuito principal.

Em Melbourne, não seguiu para a terceira ronda. Mas saiu ouvido e respeitado.

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