📸 Créditos: Direitos Reservados/Instagram de Carlos Alcaraz
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| Carlos Alcaraz e Juan Carlos Ferrero ainda não conversaram após a rutura. |
A bomba arrebentou no passado dia 17
No passado dia 17 de dezembro, o
ténis espanhol acordou com uma notícia difícil de digerir. Carlos Alcaraz e
Juan Carlos Ferrero, uma das parcerias mais vitoriosas e estáveis do circuito
moderno, anunciaram o fim de uma relação profissional que durou sete anos e
redefiniu o percurso do jovem murciano até ao topo do mundo. O impacto foi
imediato. Não pelos resultados — esses falavam por si — mas pelo contraste
entre o sucesso desportivo e a rutura humana.
Desde então, as estratégias de
comunicação seguiram caminhos opostos. De um lado, silêncio. Do outro, palavra.
Silêncio oficial
Carlos Alcaraz, número um do mundo, e a sua equipa optaram por não alimentar o debate público.
A única exceção surgiu através do pai
do jogador, em declarações breves e contidas, onde sublinhou que “cada
um tem o direito de ter a sua própria opinião com base no que sabe”.
Uma frase neutra, quase protocolar,
que pouco esclarece, mas muito diz sobre a vontade de fechar o assunto. No
ténis de elite, o silêncio também comunica. Pode ser proteção, estratégia ou
simplesmente respeito pelo tempo.
Voz aberta
Juan Carlos Ferrero escolheu o
caminho inverso. Primeiro descreveu a separação como “notícias tristes para o
ténis” e confessou sentir profundamente o desfecho. Mais tarde, voltou a falar
no programa Radiogaceta de los Deportes, da RNE, oferecendo um
retrato detalhado de um processo que, apesar de incompreensível em termos
desportivos, encontrou explicação fora do court.
Segundo Ferrero, tudo começou com
divergências contratuais. Nada de conflitos pessoais, nada de discussões
explosivas. Somente desacordos que, com o tempo, se tornaram irreconciliáveis.
Processo
interno
Questionado sobre como vive este
momento, o treinador valenciano foi honesto: “A cada dia que passa, a
ficha cai um pouco mais. Apesar da triste notícia para todos, vamos se
acostumando lentamente. É uma surpresa para todos, mas temos que aceitar o mais
rápido possível.”
Ferrero revelou ainda estar a receber
inúmeras mensagens de apoio. Para ele, esse retorno confirma algo
essencial: “Penso que as pessoas perceberam o trabalho que foi feito e
o legado que está a ser deixado. Nesse sentido, estou muito aliviado e
surpreso.”
Mais do que uma despedida, o
treinador fala de um ciclo com identidade própria.
Valores
claros
O ponto central da separação, segundo
Ferrero, foi a impossibilidade de chegar a acordo sobre o novo contrato. “Não
estava feliz com algumas coisas no novo contrato, deixei isso claro, e não
conseguimos chegar a um acordo”, explicou.
A frase seguinte ajuda a compreender
a decisão: “Sou fiel aos meus valores e crenças. Há certas coisas que eu
simplesmente não podia aceitar, dada a pessoa que sou.” Ferrero assume o peso
da escolha, deixando claro que prefere a coerência pessoal ao conforto
profissional.
Ainda assim, não esconde o sentimento agridoce:
“Estou satisfeito com esse aspeto, não com o término com o Carlos,
porque não era o que eu queria.”
Fim
inesperado
O treinador confessou que não imaginava que a relação terminaria daquela forma, especialmente após um ano de enorme sucesso.
“Não esperava por isso. O ano correra muito bem. Não tive
nenhuma discussão com ele ou com a sua equipa.”
Ferrero recordou ainda que o contrato
era renovado anualmente e que, até então, sempre haviam encontrado soluções. A
última imagem de ambos juntos foi a partida de despedida em Bolonha, marcada
pela lesão de Alcaraz que o afastou da Taça Davis. Um adeus silencioso, sem
simbolismo aparente.
Contacto
ausente
Desde o anúncio oficial, Ferrero revelou que ainda não falou diretamente com Alcaraz. “Ainda não conversamos”, disse, antes de acrescentar que o jogador precisa de tempo:
“Ele precisa manter a calma, deixar o tempo passar e treinar para que as coisas se acalmem.”
A intenção do treinador é clara: falar mais tarde, quando o ruído diminuir, para garantir que “tudo esteja absolutamente bem”.
Não há ressentimento nas palavras, somente distância temporária.
Projeto crescimento
Ferrero explicou que o plano inicial passava por continuar a crescer com Alcaraz, não só como tenista, mas como pessoa. Nesse processo, a chegada de Samuel López foi vista como um passo positivo.
“Quando os relacionamentos são muito longos, eles tendem a se
desgastar um pouco”, admitiu.
A presença de López trouxe novas ideias e energia renovada.
“Durante aquelas semanas de folga
onde o Samu estava lá, tudo foi esclarecido e voltei com muita energia.”
Também Alcaraz beneficiou desse novo impulso.
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| Alcaraz treina em Múrcia com o novo técnico. |
Continuidade técnica
Ferrero mostrou-se tranquilo com o facto de Samuel López assumir o comando do projeto.
“Quero que a relação com
o Samu continue a mesma. É verdade que, a princípio, é um pouco difícil aceitar
que uma das pessoas mais próximas permaneça na equipa.”
O treinador acredita que, com o
tempo, tudo se estabilizará. Destacou ainda a experiência de López para
trabalhar sozinho com Alcaraz e não descartou que, no futuro, a equipa possa
procurar outro treinador para trazer novas perspetivas.
A telenovela continua
Apesar das explicações, o tema está
longe de se encerrar. A ausência de declarações de Alcaraz, aliada à exposição
emocional de Ferrero, mantém viva uma narrativa que continua a gerar
interpretações, leituras cruzadas e especulações.
Cada novo treino, cada imagem
publicada, cada silêncio prolongado alimenta uma história que vai além do
ténis. Uma relação longa, vitoriosa e formativa termina raramente sem ecos. E
estes ecos, no caso de Alcaraz e Ferrero, continuam a ressoar dentro e fora do
circuito.
Confiança total
Apesar da separação, Ferrero foi claro ao falar do futuro do seu antigo pupilo.
“Carlos não vai se perder”,
garantiu. Justificou essa confiança com o ambiente que rodeia o jogador: “As
pessoas ao redor dele são muito diretas.”
Reconheceu que a juventude traz riscos:
“Aos 22 anos, é possível cometer erros por falta de experiência.”
Ainda assim, acredita que Alcaraz sabe distinguir o que lhe faz bem. “Ele sabe
o que é bom para ele e o que não é.”
Espírito competitivo
Para Ferrero, há algo que nunca
mudará em Alcaraz: a paixão pela competição.
“Ele adora competir, jogar torneios e lutar por títulos.”
Essa
mentalidade, acredita, será o fio condutor da sua carreira, independentemente
de quem esteja a orientá-lo.
Mesmo com o contexto emocional delicado, o treinador afirmou que o espanhol chega ao Australian Open preparado.
“Não é o ideal” enfrentar um Grand Slam depois do que
aconteceu, admitiu, mas reforçou:
“Em termos de ténis, talento e
mentalmente, ele está mais do que pronto para vencer o torneio.”
Pausa necessária
Quanto ao seu próprio futuro, Ferrero
revelou a necessidade de parar. “Preciso descansar após sete longos anos.” O
plano imediato passa por regressar a casa, estar com a família e desligar-se do
circuito.
“Quero desconectar-me para encontrar a motivação para recarregar as energias caso surjam projetos que me inspirem.”
Não é uma despedida definitiva do
ténis, mas um intervalo consciente.
Legado visível
A história entre Carlos Alcaraz e
Juan Carlos Ferrero não termina com esta separação. Fica escrita nos títulos,
na evolução técnica, na maturidade precoce de um campeão e na mão invisível de
um treinador que soube guiar sem impor.
Às vezes, as principais rachas surgem
quando tudo parece funcionar. No ténis, como na vida, nem sempre ganhar
significa permanecer.
E é nesse espaço entre o silêncio, a palavra — e agora a telenovela — que esta separação continua a ecoar.
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