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Paula Badosa e as lesões: “Foi um ano necessário”

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

O calvário de Paula Badosa
A espanhola não joga desde o WTA de Pequim. As lesões são constantes.

O calvário da espanhola

A tenista espanhola Paula Badosa não necessitou de números para explicar 2025. Preferiu palavras. Num desporto onde a narrativa costuma ser ditada por resultados, a tenista espanhola escolheu outro caminho, O trilho da reflexão pública, honesta e sem filtros.

O ano foi difícil, interrompido e emocionalmente exigente, mas também transformador. E foi assim que decidiu apresentá-lo.

Através das redes sociais, Badosa partilhou um texto que não procura justificar ausências nem suavizar derrotas. Assume o impacto das experiências vividas, dentro e fora do campo, e coloca-as num lugar claro: o de aprendizagem.

Arranque forte

O início da temporada apontava noutra direção. Badosa começou o corrente ano com sinais encorajadores, voltando a apresentar o nível competitivo que a levou ao topo do ténis mundial.

A presença nas meias-finais do Australian Open, onde foi travada por Aryna Sabalenka, a sua amiga e rival, devolveu-lhe sensações que pareciam adormecidas.

Mais do que o resultado, ficou a confirmação de que o jogo ainda estava lá. A confiança, o ritmo e a ambição regressavam.

Travões físicos

Mas o corpo voltou a impor limites. As lesões interromperam a continuidade, quebraram sequências e acabaram por afastar Badosa da competição durante largos períodos. A desistência no WTA 1000 de Pequim marcou o último ponto competitivo do ano.

No ténis de elite, a ausência pesa tanto quanto a derrota. Não somente pelo que se perde em ‘ranking’ ou ritmo, mas pela solidão que acompanha os períodos de recuperação.

O desafio de 2025 foi além do aspeto físico. Fora do court, Badosa atravessou um período emocionalmente delicado, marcado pelo fim da relação com Stefanos Tsitsipas. Um capítulo pessoal que se somou a um contexto já frágil.

Ainda assim, a espanhola nunca apresentou o ano como uma sucessão de fatalidades. Pelo contrário, reconheceu-o como um processo duro, mas inevitável.

Rede próxima

Num cenário instável, o apoio tornou-se essencial. A relação com o treinador Pol Toledo revelou-se determinante, não somente na preparação do regresso competitivo, mas no equilíbrio diário. No ténis moderno, a equipa técnica é também um espaço de segurança emocional.

Esse suporte foi crucial num ano em que competir nem sempre foi possível, mas pensar tornou-se obrigatório.

No texto publicado no Instagram, Badosa falou sem rodeios. Referiu pessoas que a dececionaram, promessas que não foram cumpridas e momentos que doeram mais do que esperava. Mas não ficou por aí.

Reconheceu também a chegada de pessoas “maravilhosas”, aquelas que surgem para lembrar que ainda existe apoio sincero, luz e afeto verdadeiro. O balanço é feito de contrastes, não de extremos.

Marcas visíveis

Cada queda deixou uma marca. Cada deceção trouxe um ensinamento. Badosa escreve sobre aprender a deixar ir sem ressentimento, a agradecer o que foi bom e a continuar mesmo quando as forças parecem desaparecer.

É um discurso de maturidade. Não de superação imediata, mas de aceitação consciente.

A reflexão atinge o ponto central quando Badosa fala de identidade. Saber quem se é, ser fiel a si mesma e caminhar com o coração limpo. Amar sem esperar retorno. Entender que, quando se ama de verdade, já se ganha.

São ideias que raramente surgem nos resumos desportivos, mas que explicam carreiras inteiras.

Crescimento real

“Hoje posso dizer que cresci.” A frase resume o tom do texto. Badosa reconhece que continua a aprender, a curar-se gradualmente e a construir uma versão melhor de si mesma.

2025 não foi fácil. Mas foi necessário. E por isso ocupa um lugar especial na sua história.

O horizonte chama-se 2026. Não como promessa, mas como continuidade. A esperança de voltar a sorrir em campo nasce da compreensão do que foi vivido fora dele. O ténis volta a ser um espaço de expressão, não somente de exigência.

No mundo das modalidades, nem todas as histórias são feitas de títulos imediatos. Algumas constroem-se no silêncio, na pausa e na introspeção.

A de Paula Badosa em 2025 é uma delas.

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