🖋️Por: António Vieira Pacheco
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| A espanhola não joga desde o WTA de Pequim. As lesões são constantes. |
O calvário da espanhola
A tenista espanhola Paula Badosa não necessitou
de números para explicar 2025. Preferiu palavras. Num desporto onde a narrativa
costuma ser ditada por resultados, a tenista espanhola escolheu outro caminho,
O trilho da reflexão pública, honesta e sem filtros.
O ano foi difícil, interrompido e
emocionalmente exigente, mas também transformador. E foi assim que decidiu
apresentá-lo.
Através das redes sociais, Badosa
partilhou um texto que não procura justificar ausências nem suavizar derrotas.
Assume o impacto das experiências vividas, dentro e fora do campo, e coloca-as
num lugar claro: o de aprendizagem.
Arranque forte
O início da temporada apontava noutra
direção. Badosa começou o corrente ano com sinais encorajadores, voltando a
apresentar o nível competitivo que a levou ao topo do ténis mundial.
A presença nas meias-finais do
Australian Open, onde foi travada por Aryna Sabalenka, a sua amiga e rival,
devolveu-lhe sensações que pareciam adormecidas.
Mais do que o resultado, ficou a
confirmação de que o jogo ainda estava lá. A confiança, o ritmo e a ambição
regressavam.
Travões físicos
Mas o corpo voltou a impor limites.
As lesões interromperam a continuidade, quebraram sequências e acabaram por
afastar Badosa da competição durante largos períodos. A desistência no WTA 1000
de Pequim marcou o último ponto competitivo do ano.
No ténis de elite, a ausência pesa
tanto quanto a derrota. Não somente pelo que se perde em ‘ranking’ ou ritmo,
mas pela solidão que acompanha os períodos de recuperação.
O desafio de 2025 foi além do aspeto
físico. Fora do court, Badosa atravessou um período emocionalmente delicado,
marcado pelo fim da relação com Stefanos Tsitsipas. Um capítulo pessoal que se
somou a um contexto já frágil.
Ainda assim, a espanhola nunca
apresentou o ano como uma sucessão de fatalidades. Pelo contrário, reconheceu-o
como um processo duro, mas inevitável.
Rede próxima
Num cenário instável, o apoio
tornou-se essencial. A relação com o treinador Pol Toledo revelou-se
determinante, não somente na preparação do regresso competitivo, mas no
equilíbrio diário. No ténis moderno, a equipa técnica é também um espaço de
segurança emocional.
Esse suporte foi crucial num ano em
que competir nem sempre foi possível, mas pensar tornou-se obrigatório.
No texto publicado no Instagram,
Badosa falou sem rodeios. Referiu pessoas que a dececionaram, promessas que não
foram cumpridas e momentos que doeram mais do que esperava. Mas não ficou por
aí.
Reconheceu também a chegada de
pessoas “maravilhosas”, aquelas que surgem para lembrar que ainda existe apoio
sincero, luz e afeto verdadeiro. O balanço é feito de contrastes, não de
extremos.
Marcas visíveis
Cada queda deixou uma marca. Cada
deceção trouxe um ensinamento. Badosa escreve sobre aprender a deixar ir sem
ressentimento, a agradecer o que foi bom e a continuar mesmo quando as forças
parecem desaparecer.
É um discurso de maturidade. Não de
superação imediata, mas de aceitação consciente.
A reflexão atinge o ponto central
quando Badosa fala de identidade. Saber quem se é, ser fiel a si mesma e
caminhar com o coração limpo. Amar sem esperar retorno. Entender que, quando se
ama de verdade, já se ganha.
São ideias que raramente surgem nos
resumos desportivos, mas que explicam carreiras inteiras.
Crescimento real
“Hoje posso dizer que cresci.” A
frase resume o tom do texto. Badosa reconhece que continua a aprender, a
curar-se gradualmente e a construir uma versão melhor de si mesma.
2025 não foi fácil. Mas foi
necessário. E por isso ocupa um lugar especial na sua história.
O horizonte chama-se 2026. Não como
promessa, mas como continuidade. A esperança de voltar a sorrir em campo nasce
da compreensão do que foi vivido fora dele. O ténis volta a ser um espaço de
expressão, não somente de exigência.
No mundo das modalidades, nem todas
as histórias são feitas de títulos imediatos. Algumas constroem-se no silêncio,
na pausa e na introspeção.
A de Paula Badosa em 2025 é uma
delas.
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