🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
Choque geracional
O ténis é feito de encontros que vão além do resultado. Alguns carregam simbolismo, memória e futuro no mesmo campo.
Foi isso que se viveu esta manhã quando Matilde Jorge voltou a garantir
presença nas meias-finais do Campeonato Nacional Absoluto/Taça Guilherme Pinto
Basto, após superar Rita Freitas num duelo onde a diferença de idades se diluiu
na qualidade do jogo.
A vimaranense, número dois nacional e 272.ª do ‘ranking’ WTA, teve de recorrer a toda a sua maturidade competitiva para vencer por 7-6 (3) e 7-5, num encontro intenso, equilibrado e tecnicamente rico.
Mais do que um simples triunfo, foi uma prova de resistência e respeito
mútuo entre duas jogadoras separadas por quase duas décadas, mas unidas pelo
rigor e pela leitura inteligente do ténis.
Vitória sofrida
Um dia após ultrapassar Carolina
Correia sem sobressaltos, Matilde encontrou um desafio bem diferente.
Rita apresentou um jogo elaborado, variado e estrategicamente
consciente, obrigando a jovem tenista a abandonar qualquer ideia de controlo
fácil da partida.
O primeiro ‘set’ foi um longo
exercício de paciência. Rita quebrou ritmos, variou trajetórias e usou a
experiência para explorar cada hesitação da adversária. Matilde respondeu com
consistência desde o fundo do campo e maior capacidade física nos momentos
decisivos, acabando por resolver o parcial somente no tiebreak, onde a margem
foi curta e o equilíbrio evidente.
No segundo ‘set’, o cenário
manteve-se. Rita continuou a acreditar, a competir ponto a ponto, a exigir
precisão máxima. Só nos jogos finais Matilde conseguiu criar a diferença
necessária para fechar o encontro, confirmando que o acesso às meias-finais teve
de ser conquistado, não concedido.
Rita eterna
Apesar da eliminação, a jogadora de Carcavelos saiu engrandecida. Aos 39 anos, a antiga número 803 do ‘ranking’ mundial
mostrou porque continua a ser uma referência do ténis português. Atual campeã
nacional do escalão +35 e bicampeã mundial da mesma categoria, a
veterana apresentou um nível competitivo que ultrapassou largamente qualquer
leitura baseada somente na idade.
Freitas não disputava o Campeonato
Nacional Absoluto desde 2009, ano em que foi finalista. Para reencontrar este
palco, teve de percorrer um caminho exigente: duas vitórias na fase de
qualificação e mais duas no quadro principal. Um percurso irrepreensível, feito
de disciplina, inteligência tática e profundo conhecimento do jogo.
Mais do que resistir, Rita jogou com autoridade. Mais do que competir, colocou problemas reais a uma
das melhores jogadoras portuguesas da atualidade. O seu desempenho nesta edição
da prova foi um lembrete claro de que o ténis também se mede em carácter,
subtileza e paixão duradoura.
Busca
histórica
Para Matilde, o triunfo representa
mais um capítulo numa história ainda por concluir. Finalista em 2019, 2021,
2022, 2023 e 2024, a jovem vimaranense continua à procura do primeiro título de
singulares na mais importante competição do calendário nacional.A tarefa não é simples. Desde 2017, o
torneio tem sido dominado pela irmã mais velha, Francisca Jorge, que também já
assegurou presença nas meias-finais desta edição. A possibilidade de novos
capítulos familiares acrescenta profundidade a uma prova onde talento e ambição
caminham lado a lado.
Próximo passo
Nas meias-finais, a vimaranense discutirá o acesso à final com a vencedora do encontro entre Gabriela Amorim e
Madalena Matias. Independentemente da adversária, a exigência será máxima, num
torneio onde já não há espaço para oscilações.
Rita despede-se sem troféu,
mas com algo igualmente valioso. A confirmação de que continua capaz de
competir ao mais alto nível nacional. Igualmente, inspira novas gerações e prova que, no ténis, a idade pode ser somente um detalhe quando o talento e a paixão
permanecem intactos.

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