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Ruud campeão em Madrid e redime-se em terra batida!

                                                               Por António Vieira Pacheco
Nórdico vence Masters 1000 de Madrid
Créditos: Mutua Madrid 1000. Casper Ruud brilha na terra batida da capital espanhola.

Madrid, 4 de maio de 2025. Num domingo de luz filtrada por poeira castanha, Casper Ruud soltou o grito que há muito carregava no peito. Ao derrotar o britânico Jack Draper por 7-5, 3-6 e 6-4, o norueguês ergueu, enfim, o seu primeiro troféu de um torneio dos Masters 1000 — o maior título da sua carreira, até hoje feita de passos longos, mas vozes contidas.

Não foi exclusivamente uma vitória; foi também uma libertação. Um fecho de ciclo e talvez o início de um novo.

Terra batida, coração limpo!

Ruud é, desde 2020, o rosto mais constante sobre a terra batida — 124 vitórias, 17 finais, agora 12 títulos. Mas, até Madrid, havia sempre um degrau que lhe escapava, como areia fina por entre os dedos.

Roland Garros viu-o tombar duas vezes na final. Monte Carlo, o mesmo. Miami também lhe disse “quase”. Mas a capital espanhola rendeu-se à sua persistência. A sua raquete não vibra — respira. O seu jogo não explode — constrói.

Um torneio quase imaculado

Nem Ruud, nem Draper perderam um único ‘set’ até à final. Dois percursos limpos, quase imaculados, que se cruzaram num duelo tenso, feito de avanços e recuos, como maré teimosa.

Ruud venceu com paciência, inteligência e um saber entranhado na pele de quem conhece bem esta superfície. Deixou cair um ‘set’, sim — mas ergueu-se logo a seguir, como se a terra o sustentasse.

Com esta vitória, juntou-se a um clube de eleitos: aqueles que levantaram Madrid com a dignidade dos que vêm de baixo e sobem, não aos saltos, mas em silêncio firme.

Este título não muda somente o currículo d Ruud. Muda o seu olhar. Altera como o mundo do ténis o escuta. Já não é o “quase”, o “regular”, o “especialista”. Agora é o que venceu. O que resistiu. O que regressou.

Cada grão daquela terra madrilena parece tê-lo testado — e ele passou. Venceu como quem escreve poesia com os pés: rastro leve, mas marcante.

Madrid como metáfora

A capital espanhola deu-lhe não só um título, mas uma espécie de redenção. O tempo da dúvida parece ter ficado para trás. Agora, quando subir aos torneios maiores, o norueguês levará consigo mais do que estatísticas — levará a memória de Madrid, onde se fez, por fim, campeão. Com a conquista do título, o nórdico ascenderá ao sétimo lugar do ‘ranking’ ATP.

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