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Henrique Rocha: "Soube agarrar a oportunidade quando apareceu"

                                                           Por António Vieira Pacheco

Portuense feliz com triunfo em Roland Garros.
Créditos: Henrique Rocha festeja em Roland Garros, a sua primeira vitória no quadro principal.

Henrique Rocha com estreia vitoriosa em Grand Slam

Henrique Rocha entrou esta terça-feira na história do ténis português, ao vencer o georgiano Nikoloz Basilashvili e apurar-se para a segunda ronda de Roland Garros 2025, a sua primeira vitória num quadro principal de Grand Slam.

“Acima de tudo estou muito contente”, começou por dizer, num tom sincero e sereno. “Diria que até me sentia melhor quando cheguei à Austrália… jogava muito bem e a sentia-me muito bem dentro do campo. Ultimamente os encontros não me andavam a correr tão bem, faltava-me alguma confiança, mas as oportunidades aparecem sendo preciso agarrá-las. Hoje soube fazê-lo.”

Com somente 21 anos, o português resistiu a uma batalha intensa de quase quatro horas num encontro à melhor de cinco ‘sets’ — o primeiro da sua carreira nesse formato. O segredo? “Gerir os altos e baixos naturais ao longo do encontro” e aproveitar as aberturas. “Voltei a carregar mais no quarto ‘set’, quando o senti mais em baixo.”

O número três português tornou-se somente o oitavo tenista português a vencer num Grand Slam e o quinto em Roland Garros, mas manteve os pés bem assentes na terra batida francesa e proferiu sem hesitação:
“Grandes palcos ou não, acho que a consistência é o mais importante. Muitas vezes consigo ter melhor nível nestes grandes palcos, mas gostava de melhorar muito a consistência ao longo do ano, em todos os torneios Challenger que jogo. São esses torneios que me vão dar isso.”

Tal como em Bekkestua, na Noruega, em 2023, onde se destacou ao vencer um top 10 mundial na Taça Davis, curiosamente o adversário de Nuno Borges na segunda ronda, o jovem maiato manteve a humildade.
“Sem dúvida que me sinto preparado para assumir estes jogos, é algo que tenho desde miúdo. Sempre que ia jogar contra os melhores ou em palcos maiores conseguia jogar melhor…, mas preferia jogar o ano todo bem e mesmo assim fazer alguma coisa nestes, do que jogar poucas vezes bem e chegar aqui e jogar bem.”

A caminhada continua em Paris. Na quinta-feira, enfrenta Jakub Mensik, número 19 mundial e campeão dos Masters 1000 de Miami do corrente ano.
“Serve muito bem. Também joga com muita força, algo a que já posso chegar mais ambientado depois desta ronda…, mas por agora, tenho de me focar na recuperação para amanhã.”

 


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