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Rocha: “Agora que já passou uma horinha… já consigo ficar orgulhoso de mim próprio”

                                                       Por António Vieira Pacheco
Portuense analisa o seu desmpenho em Roland Garros.
Créditos: ATP Tour. Henrique Rocha cumprimenta o adversário que o afastou de Roland Garros.

Campanha histórica termina com orgulho

Henrique Rocha despediu-se este sábado de Roland Garros com uma derrota na terceira ronda, mas com um balanço cheio de emoção e sentido de conquista. Aos 21 anos, o jovem português tornou-se no primeiro homem nacional a vencer cinco encontros num torneio do Grand Slam, afirmando-se como uma das grandes promessas do ténis português.

“Agora que já passou uma horinha já consegui digerir melhor, avaliei o que fiz e o que não fiz no encontro e já consigo ver de fora e ficar orgulhoso de mim próprio por estas duas semanas”, declarou, momentos depois da derrota por 7-5, 6-1 e 6-2 frente ao cazaque Alexander Bublik, antigo top 20 mundial.

O jogo com Bublik: sem energia para contrariar

Henrique reconheceu que não conseguiu replicar o nível das rondas anteriores, explicando que a quebra não foi somente física, mas também mental:

“De facto, hoje não consegui encontrar essa energia que tive nas outras rondas. No segundo ‘set’ as coisas mudaram, ele começou a ser mais agressivo e jogou bastante melhor. Foi mais mental do que físico, principalmente a partir do meio do segundo ‘set’. Era um encontro que exigia estar ainda mais disponível mentalmente, mas a partir daí comecei a falhar um bocadinho mais.”

Apesar de tudo, valorizou a primeira parte do encontro:

“O primeiro ‘set’ foi taco a taco e houve vários momentos em que senti que consegui causar-lhe algum desconforto. Servia bastante bem e isso deu-me algum alívio, mas ele nunca me deu muito ritmo e eu sou um jogador que precisa desse ritmo para me sentir bem e ter aquela energia.”

Evolução sentida dentro e fora do court

Ao fazer um balanço mais alargado da participação, o portuense expressou um sentimento de clara evolução pessoal e profissional:

“Sinto-me muito orgulhoso de sair daqui a jogar o meu melhor ténis. Senti que consegui evoluir muito o meu nível, mesmo a treinar, e tudo correu melhor [relativamente às semanas anteriores], por isso tenho de estar orgulhoso.”

A experiência acumulada ao longo de seis encontros consecutivos foi inédita:

“Nunca tinha jogado cinco ‘sets’ e joguei dois seguidos. São tudo experiências novas e nunca ninguém nasceu ensinado, por isso o mais importante é ir para o próximo torneio à procura de continuar a evoluir.”

Com Wimbledon já no horizonte, Henrique Rocha vai ainda disputar dois torneios em terra batida — os Challengers de Bratislava e Poznan — antes de enfrentar o desafio da relva, provavelmente sem qualquer adaptação específica à nova superfície.

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