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Cabral reencontra-se com a magia do Estoril

                                                            Por António Vieira Pacheco
Portuense aborda a amizade frente à dupla que venceu na ronda inaugural.
Créditos: FPT. Francisco Cabral afirma que é sempre complicado jogar contra dois amigos.

 Francisco Cabral voltou a sentir o pulsar do Millennium Estoril Open, torneio que lhe mudou a vida em 2022, quando, ao lado de Nuno Borges, ergueu o troféu de pares. Dois anos volvidos, já com o torneio despromovido a categoria Challenger 175, o portuense de 28 anos continua a alimentar o sonho — desta feita, com um novo parceiro e velhos sentimentos à flor da pele.

“É sempre especial este torneio. Já o era mesmo que não tivesse ganho como ganhei”, confessou Cabral, momentos após garantir o apuramento para os quartos de final ao lado do austríaco Lucas Miedler, com quem forma a segunda dupla cabeça de série.

Contra o coração

No confronto de ontem, a vitória fez-se em parciais claros: 6-3 e 6-2. Do outro lado da rede, dois nomes bem conhecidos: os irmãos Francisco e Henrique Rocha, companheiros de treinos, amigos de sempre.

“É sempre difícil jogar com dois amigos, duas pessoas por quem tenho um carinho grande. Apesar da minha idade ser mais próxima da do Francisco, sou mais próximo do Henrique, é quase como se fosse irmão mais novo”, desabafou Cabral, visivelmente tocado pelo simbolismo do momento.

A dureza do embate foi mais emocional do que desportiva. No final, ficou o abraço. “Dentro do campo há que separar as coisas. Apesar do respeito estar presente, estou lá para ganhar. Voltando agora para o balneário, continuo a ser o amigo de sempre”, assegurou.

O passado que inspira

A vitória de 2022 permanece como farol. Para Francisco Cabral, o Millennium Estoril Open representa mais do que pontos ou prémios: é um regresso a casa. 

“É especial ter aqui grande parte da minha família, amigos que não tenho comigo, infelizmente, na maior parte da temporada.” 

Há em cada troca de bolas um eco de memórias, e em cada aplauso uma energia que renova o ânimo.

Classificado atualmente na 54.ª posição do ‘ranking’ mundial de pares, Francisco Cabral quer voltar a fazer história — mesmo que o palco seja agora de outra dimensão.

Vontade de revanche

Nos quartos de final, Cabral e Miedler reencontram Karol Drzewiecki e Piotr Matuszewski, dupla polaca que lhes roubou o título no Oeiras Open 4, há apenas duas semanas. O desejo de desforra é forte.

“Deus queira que consigamos a ‘revanche’, mas são uma dupla muito dura. Espero contar com o público português e que joguemos um pouco melhor do que no Jamor, para poder ganhar-lhes”, disse o tenista, com o olhar já posto no próximo desafio.

Um torneio com alma

Apesar da descida de estatuto no calendário ATP, o Millennium Estoril Open mantém algo raro no circuito: alma. E para Francisco Cabral, essa alma é feita de afetos, reencontros e um mar de esperança que não se mede em pontos.

Num tempo em que o ténis é cada vez mais global e impessoal, o torneio da linha do Estoril continua a ser um lugar onde os jogadores portugueses se sentem mais do que atletas. Sentem-se em casa.

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