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Henrique Rocha: “O importante é manter este nível ao longo do ano”

    Por António Vieira Pacheco 
Portuense analisa o seu desempenho no Millennium Estoril Open.
Créditos: Millennium Estoril Open. A análise de um jovem com muita qualidade e bastante progressão.

Num Estoril envolto por brisa atlântica e murmúrios de expectativa, Henrique Rocha, o jovem talento português que ocupa a posição 198 do ‘ranking’ mundial, enfrentou esta tarde o chileno Nicolás Jarry na primeira ronda do Millennium Estoril Open. Apesar de ter vencido um impressionante primeiro ‘set’ no tiebreak, acabaria por cair nos dois seguintes, com parciais de 6-7 (15), 6-3 e 6-4.

Mas mais do que uma derrota, este foi um encontro de aprendizagem, lucidez e esperança. Em declarações após o jogo, Henrique foi honesto:

“Foi um primeiro ‘set’ difícil, longo e com muitas emoções. No início do segundo ‘set’ senti uma quebra em termos de foco, e ele soube aproveitar bem isso. Foi mais experiente que eu e conseguiu fazer um break cedo.”

A análise é precisa, vinda de um jogador que não se esconde atrás do resultado. O primeiro ‘set’ foi um verdadeiro duelo de nervos, decidido num tiebreak intenso onde Rocha demonstrou resiliência e sangue-frio, salvando vários ‘set’ points antes de fechar com bravura.

Mas o ténis vive de instantes — e de como se reage quando o vento muda. O jovem português, revelando a consciência tática e emocional de quem amadurece no circuito, prosseguiu com análise ao encontro.

“O nível dele também subiu e, ao longo do jogo, manteve-se mais sólido. Senti que podia ter feito alguma diferença no início do terceiro ‘set’, mas ele aguentou-se bem e conseguiu o break.”

Mesmo quando tudo parecia perdido, Henrique lutou. Salvou três match points, resistiu com garra, e deixou tudo em campo. 

“Ainda acreditei após três match points, mas a verdade é que ele serviu muito bem e isso fez a diferença.”

A derrota, ainda que dura, não ofuscou o brilho da sua prestação.

“Penso que acima de tudo consegui jogar a um bom nível. Gostei do que fiz. Julgo que não foi um jogo extraordinário, mas a verdade é que ao longo do ano não vivemos de jogos extraordinários — vivemos da consistência.”

É essa consistência que o número três português procura, seja nos palcos principais do ATP, seja nos courts discretos dos torneios challenger menos cotados.

“O importante é fazer mais jogos deste nível. Seja nos Challenger mais abaixo, seja nos torneios ATP, julgo que o mais importante é ir buscar este nível ao longo do ano.”

Estas palavras são reflexo de uma maturidade que raramente se encontra em atletas tão jovens. Com apenas 20 anos, Henrique Rocha não fala como um jogador que perdeu — fala como um competidor que aprendeu, que evolui e que sabe onde quer chegar.

O Estoril Open não lhe trouxe a vitória, mas trouxe visibilidade, respeito e uma mensagem clara: o futuro do ténis português está em boas mãos. A sua exibição frente a um adversário experiente como Jarry provou que o talento está lá — agora, o caminho faz-se com tempo, trabalho e coragem.

Henrique Rocha despede-se assim do Estoril, mas deixa uma promessa escrita nas linhas do court: a de que voltará mais forte, mais focado e ainda mais preparado para conquistar.


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