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Tatiana Garnova campeã em Gaia

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis de Mesa

⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos

A russa nataturalizada portuguesa em ação em Gaia.
Tatiana Garnova tornou-se campeã nacional pela segunda vez.

A voz da campeã

No Pavilhão Municipal de Vila Nova de Gaia, onde o eco da bola ressoava como o batimento acelerado de quem sonha, Tatiana Garnova escreveu mais um capítulo dourado na sua história. A atleta do Juncal ergueu-se, imponente, no topo do ténis de mesa português, conquistando o seu segundo título nacional de seniores, depois da glória alcançada em 2023.

Na final da prova, frente a Matilde Pinto, a determinação da russa naturalizada portuguesa impôs-se com a cadência precisa de quem conhece todos os recantos da mesa. Com golpes firmes e uma serenidade esculpida em anos de experiência, Garnova selou a vitória por 4-1, reafirmando o seu domínio.

O pódio completou-se com Júlia Leal (Juncal) e Inês Matos (CTM Mirandela), que, embora não tenham alcançado o ouro, deixaram na mesa a marca do seu talento.

Sabia que? 
A bola de ténis de mesa pesa 2,7 gramas, quase o mesmo que uma moeda de 1 cêntimo.

Mas Garnova não se ficou por aqui. Já na véspera, em sintonia perfeita com Júlia Leal, ergueu a medalha de ouro na prova de pares femininos, numa demonstração de técnica e cumplicidade que não deixou dúvidas.

 Três razões para o sucesso da dupla Garnova/Leal:

Comunicação constante em cada jogada.

Capacidade de variar entre ataque e defesa.

Experiência em torneios internacionais.

Superação e resiliência

Para chegar à final, a atleta açoriana de adoção superou, nas meias-finais, Inês Matos (4-2) e, nos quartos de final, Inês Fernandes (3-0). Cada ponto, cada ‘set’, foi um degrau a mais na escalada para a consagração.

Ainda que o torneio tenha coroado uma nova campeã, a ausência de Shao Jieni e Fu Yu, as duas melhores jogadoras portuguesas da atualidade, deixou um vazio na competição. A sua experiência e qualidade teriam certamente elevado ainda mais o nível do campeonato, mas coube às restantes atletas brilhar e agarrar a oportunidade de escrever o seu próprio destino.

Orgulho pelos Açores e por Portugal

Desde 2014 que a campeã veste as cores do Juncal. É nos Açores que encontrou casa, e é por Portugal que levanta agora o troféu com um orgulho palpável.

“Estou muito feliz por ser campeã nacional por Portugal. Esta vitória não é somente um troféu, mas o reflexo de anos de dedicação, sacrifício e amor ao ténis de mesa. É o resultado de incontáveis horas de treino, da confiança inabalável e do apoio constante da minha equipa. Sem eles, este caminho seria muito mais difícil.”

Consciente dos desafios que encontrou ao longo da prova, Garnova destaca a superação e a resiliência que a trouxeram até aqui:

“Hoje, na mesa, enfrentei desafios, testei os meus limites e provei a mim mesma que posso superar as dificuldades.  Obrigado a quem nunca duvidou, a quem me inspirou a continuar, mesmo quando o caminho se tornou mais árduo.”

Horizontes e novos desafios

A sua conquista é mais do que uma medalha. É um tributo a todos os que a acompanham e uma promessa de que ainda há muito por escrever:

“Este troféu não é somente do meu trabalho. Pertence a todos os que fazem parte da minha jornada. Sei que ainda há muito para alcançar. O horizonte está repleto de novos desafios, e eu estou pronta para os enfrentar”, concluiu.


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