Nelson Oliveira: “O meu papel é comandar as tropas” no Tour de France 2026
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 2 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM
Tour de France 2026: acompanhe todos os resultados e análises no hub completo da prova.
O português Nelson Oliveira prepara-se para iniciar, no próximo
sábado, a sua 24ª Grande Volta, um marco histórico que poderá colocá-lo
isolado como o ciclista com mais Voltas consecutivas terminadas na história
do ciclismo. No entanto, o corredor da Movistar Team garante que esse
recorde não é a sua principal preocupação.
Aos 37 anos, o ciclista de
Vilarinho do Bairro volta a integrar o alinhamento da formação espanhola para
o Tour de France 2026, naquela que será a sua 10.ª participação na
prova francesa, igualando também o número de presenças na Vuelta a Espanha.
Depois de, no Giro
d'Italia 2026, ter igualado o recorde do polaco Sylwester Szmyd, com 23
Grandes Voltas concluídas sem desistências, Oliveira poderá agora
escrever uma nova página da história caso termine a corrida, que decorre entre
Barcelona e Paris.
Apesar da dimensão do feito, o
português prefere manter o foco na competição.
“Não é coisa que me faça
deixar de dormir. Quando fiz a minha primeira Grande Volta, nunca pensei em concluir as 23 Grandes Voltas. Espero chegar ao final da corrida e que não
haja nenhum azar que me obrigue a abandonar a prova. Não quero pensar
nisso agora; quero desfrutar deste Tour da melhor maneira possível.”
Objetivo passa por auxiliar a Movistar
Mais do que procurar
resultados individuais, Nelson Oliveira assume que a prioridade será colocar
toda a sua experiência ao serviço da equipa.
O português revelou que foi
ele próprio quem solicitou à Movistar que disputasse consecutivamente o Giro e o
Tour, um plano que também foi facilitado pelas várias ausências
registadas na formação espanhola.
Ainda assim, admite que
gostaria de voltar a lutar por uma vitória de etapa, embora reconheça as
dificuldades do ciclismo moderno.
“O meu objetivo é chegar a
Paris, salvo. No entanto, se puder disputar uma etapa com os melhores, seria ótimo.
Certamente, terei de entrar numa fuga e que essa fuga seja decisiva.”
O vencedor de uma etapa da
Vuelta em 2015 lembra que, atualmente, entrar na fuga certa é cada vez mais
complicado, mas não esconde a ambição.
“Uma vitória de etapa é sempre bem-vinda.”
O papel principal de Oliveira será outro.
O experiente português
explicou que a sua missão passa por orientar uma equipa muito jovem e que funciona como referência no pelotão.
“O objetivo está claro. É o
que a equipa me solicita: tentar orientar um bocadinho ou utilizar a minha
experiência para comandar as tropas, como se costuma dizer, numa equipa
bastante jovem.”
Pela primeira vez numa Grande
Volta, o líder da Movistar será o jovem belga Cian Uijtdebroeks, que
fará a sua estreia no Tour de France.
O português acredita que o
talento do jovem de 23 anos é evidente, mas lembra que a pressão da maior
corrida do mundo é sempre um fator imprevisto.
“Não sabemos ao certo como
reagirá a este ‘stress’. O objetivo é integrar o lote dos 10 primeiros classificados da Geral. Considero que
o pódio seria sonhar um bocadinho alto, mas não é impossível. Ele é um sofredor; estaremos aqui para ajudá-lo no que for preciso.”
Enquanto Uijtdebroeks lutará
pela classificação geral, os restantes elementos da equipa procurarão assumir
protagonismo em algumas etapas.
Único português na Grande Boucle
Pelo segundo Tour consecutivo
em que Portugal terá apenas um representante, Oliveira lamenta não ter
companhia entre os ciclistas nacionais.
Ainda assim, encara essa
situação como uma responsabilidade acrescida.
“É sempre uma responsabilidade
representar o nosso país, seja com mais ou menos portugueses. Infelizmente,
este ano serei o único. Gostaria que estivessem aqui outros. Têm qualidade para
isso; simplesmente, escolheram outro calendário com as suas equipas. Vou fazer
tudo o que estiver ao meu alcance para levar as cores nacionais bem.”
Com a partida em Barcelona, o português acredita ainda que a proximidade com Portugal permitirá contar com um forte apoio dos adeptos lusos ao longo dos primeiros dias da corrida, numa edição em que tentará continuar a construir uma carreira marcada pela consistência, experiência e dedicação ao serviço da Movistar.
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