Uma brecha na fortaleza da Visma: Van Aert falha o Tour de France
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 17 junho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️5 min
A Visma-Lease a Bike sofreu um golpe inesperado a poucas semanas do arranque do Tour de France. Wout van Aert, um dos pilares da formação neerlandesa e peça fundamental na estratégia de Jonas Vingegaard, foi oficialmente retirado da corrida devido a problemas persistentes no cotovelo esquerdo.
Mais do que a ausência de um corredor de elite, a notícia representa uma verdadeira brecha na fortaleza da Visma. Ao longo dos últimos anos, Van Aert transformou-se num dos elementos mais influentes do pelotão, capaz de controlar etapas, perseguir fugas, impor ritmo na montanha e ainda lutar por vitórias próprias.
Um contratempo que se agravou!
Tudo começou com uma queda durante um treino, poucos dias antes do Tour Auvergne-Rhône-Alpes. A lesão parecia controlada, mas a situação complicou-se durante o Critérium du Dauphiné, quando a ferida desenvolveu uma infeção inesperada.
O problema obrigou mesmo o corredor belga a passar uma noite sob observação hospitalar, um sinal claro de que a recuperação estava longe do cenário inicialmente previsto.
Perante a proximidade do Tour e a impossibilidade de atingir o nível competitivo pretendido, a equipa e o corredor decidiram não arriscar.
O peso da ausência
Nem todas as baixas têm o mesmo impacto. A de Van Aert está longe de ser uma ausência comum.Nos últimos anos, o belga afirmou-se como uma peça única no pelotão mundial, um corredor capaz de alterar o rumo de uma corrida em praticamente qualquer terreno.
Poucos corredores conseguem oferecer simultaneamente potência no plano, resistência em alta montanha e capacidade de vencer etapas em praticamente qualquer terreno.
Para Jonas Vingegaard, a notícia representa a perda de um dos seus aliados mais importantes, Em inúmeras ocasiões, Van Aert foi o homem que controlou as perseguições, endureceu as corridas e permaneceu ao lado do dinamarquês quando a seleção natural começava a eliminar os adversários.
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Quando a estrada inclinava e as equipas começavam a perder elementos, era frequente ver o belga ainda presente, prolongando a superioridade numérica da Visma nos momentos decisivos.
A dor da desistência
O próprio corredor não escondeu a frustração.
“Isto é uma grande desilusão. A Volta a França é um dos meus grandes objetivos todos os anos.”
Van Aert explicou que a queda sofrida em treino acabou por comprometer toda a preparação para julho.
“Infelizmente, uma queda num treino atrapalhou os planos e a lesão no meu cotovelo agravou-se e ainda não está totalmente curada.”
A decisão acabou por ser inevitável.
“Com a equipa, concluímos que começar o Tour não é possível presentemente.”
Agora, toda a atenção está centrada na recuperação.
“O meu foco agora está na minha recuperação e em voltar ao melhor nível ainda esta temporada.”
Uma peça difícil de substituir!
A ausência de Van Aert deixa uma lacuna que dificilmente será preenchida por um único corredor.
Nas últimas sete participações no Tour de France, o belga acumulou dez vitórias de etapa, conquistou a camisola verde em 2022 e tornou-se um dos rostos mais influentes da corrida. A sua versatilidade permitia à Visma adaptar-se a qualquer cenário, algo raro mesmo entre as principais equipas do WorldTour.
O momento do revés torna tudo mais pesado. A ausência torna-se ainda mais significativa porque surge numa temporada em que Van Aert parecia ter encontrado a melhor versão. A vitória na Paris-Roubaix, uma das mais prestigiadas do calendário, e os sinais deixados ao longo da primavera apontavam para um Tour de France em que poderia voltar a assumir um papel determinante.
Mas desta vez não será a força das pernas a decidir. Será o cotovelo.
E uma simples lesão no cotovelo abriu uma das maiores fragilidades da Visma-Lease a Bike na corrida à camisola amarela.
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