Ayuso reencontra-se na montanha: “O Isaac estava num nível diferente”

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 15 junho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 4 min

Juan Ayuso conformado pelo terceiro lugar.

Uma etapa de sofrimento controlado, com sinais claros de evolução para encarar o Tour com otimismo.

A subida ao Plateau de Solaison voltou a expor tudo o que o ciclismo de alta montanha tem de mais cru. Não houve espaço para esconder forma, hesitações ou fragilidades. A corrida se fragmentou cedo e, a partir daí, cada corredor ficou entregue às próprias pernas.

Isaac del Toro marcou o ritmo decisivo na fase mais dura da subida, lançando um ataque que rapidamente separou os candidatos à geral.  Ayuso tentou responder. Porém,  a meio da subida percebeu-se que o mexicano estava num nível superior naquele dia.

Apesar disso, o espanhol não saiu da etapa apenas com o resultado. Saiu com leitura, sinais positivos e a sensação de progresso numa fase importante da temporada.

“Tentei mesmo dar o meu melhor porque a equipa esteve incrível. Controlámos o dia todo e o trabalho dos rapazes hoje foi impressionante.”

A Lidl-Trek assumiu a responsabilidade desde cedo. O ritmo elevado ao longo da etapa foi controlado pela estrutura da equipa, que manteve sempre Ayuso protegido até ao momento decisivo da montanha final.

Mesmo quando a corrida começou a endurecer, o bloco manteve-se organizado. Toms Skujiņš e Quinn Simmons prolongaram o esforço em terreno pouco favorável às suas características, enquanto Mattias Skjelmose voltou a assumir um papel determinante nos metros mais duros.

“Ver o Toms e o Quinn a ultrapassarem estas montanhas tão duras, quando eu já sofria, e continuarem a puxar por mim foi impressionante. Eles mereciam uma vitória.”

Na fase decisiva, a Lidl-Trek tentou endurecer a corrida e responder ao aumento de ritmo da UAE Emirates-XRG, mas o ataque de Del Toro acabou por ser irreversível. Ayuso ainda tentou manter-se na luta, mas reconheceu a superioridade do rival naquele momento.

“O Skelly fez um trabalho incrível para mim. Sacrificou-se completamente. Depois ataquei, mas o Isaac estava num nível diferente. Isto é desporto.”

Uma preparação longe do ideal

Mais relevante do que a perda de tempo na classificação foi a forma como o ciclista reagiu ao longo da semana. O espanhol reconheceu que a preparação para esta corrida não foi a ideal, mas sublinhou uma evolução constante e visível ao longo das etapas, ganhando consistência de dia para dia.

“O caminho até aqui não foi fácil. A preparação foi mais complicada do que esperava. Daí, terminar assim e sentir que fui melhorando todos os dias deixa-me muito satisfeito.”

A consistência exibida, ao longo da prova, foi, para o espanhol, o principal indicador de que o trabalho está no caminho certo. Num calendário exigente, a capacidade de melhorar de dia para dia torna-se, muitas vezes, mais relevante do que um resultado isolado.

Foco total no processo até ao Tour

Ayuso recusou-se a entrar nas comparações com adversários ou fazer leituras sobre o nível global do pelotão nesta fase da temporada. O foco está totalmente centrado na própria evolução e na preparação para os próximos objetivos.

“Para ser sincero, não me interessa muito. Estou focado em mim e nos meus companheiros para conseguirmos a melhor preparação possível.”

A resposta reflete um corredor consciente da fase da época e do peso que o Tour de France tem na construção da temporada.

Uma equipa que sai reforçada

A Lidl-Trek termina esta semana com sinais positivos em vários níveis. A vitória de etapa de Quinn Simmons, a consistência de Skjelmose e o comportamento coletivo na montanha deixam a estrutura com motivos para confiança.

Ayuso fez questão de sublinhar esse ponto.

“Estou muito orgulhoso da forma como a equipa correu. Acho que fomos a equipa mais forte. Controlámos a corrida praticamente sozinhos.”

Mais do que resultados imediatos, o espanhol destaca o processo interno de crescimento.

“Também quero auxiliar os meus companheiros a evoluir. É isso que vamos continuar a fazer até ao Tour.”

Um passo em frente antes do verão

O Plateau de Solaison não deu a vitória nem a luta pela classificação geral até ao fim. Mas ofereceu algo igualmente relevante nesta fase da temporada: sinais claros de evolução física e competitiva.

Para Ayuso, a semana termina com a confirmação de que o caminho é feito na direção certa. E no ciclismo moderno, sobretudo em ano de grandes voltas, isso pode valer tanto quanto um pódio.

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