Alerta na Visma: Wout van Aert falha estágio em altitude e Tour de France em perigo

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 15 junho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 4 min



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O belga sofre de uma lesão no cotovelo e a preparação para a maior corrida do ano está seriamente comprometida.

A menos de três semanas do arranque do Tour de France, cresce a preocupação em torno de Wout van Aert. O belga da Visma-Lease a Bike atravessa um dos momentos mais delicados da sua preparação após a lesão no cotovelo ter voltado a causar problemas e ter obrigado a uma alteração significativa dos planos da equipa neerlandesa.

O que parecia uma queda sem gravidade tornou-se um problema que pode comprometer a preparação de um dos ciclistas mais completos do pelotão para a maior corrida da temporada.

E o sinal mais evidente surgiu esta segunda-feira. Van Aert não viajou para Tignes, nos Alpes franceses, onde a Visma-Lease a Bike iniciou o seu habitual estágio em altitude, uma fase considerada fundamental na construção da forma física para o Tour de France.

A ausência foi confirmada pela própria equipa e aumentou as dúvidas em torno da condição física do corredor belga.

Uma queda que continua a cobrar fatura!

Tudo começou durante a preparação para o Tour Auvergne-Rhône-Alpes. Van Aert sofreu uma queda enquanto treinava com a bicicleta de contrarrelógio e acabou por sofrer lesões no joelho e no cotovelo.

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Apesar do incidente, o belga decidiu participar na corrida francesa. No entanto, ao longo dos dias, tornou-se evidente que a recuperação estava longe de ser ideal.

Em vez de diminuir, o desconforto aumentou progressivamente, sobretudo na região do cotovelo, afetando tanto o rendimento competitivo como a capacidade de treinar normalmente.

O problema agravou-se durante o contrarrelógio por equipas, em que a posição aerodinâmica exigiu uma pressão adicional sobre a articulação lesionada.

O resultado foi uma inflamação significativa que acabaria por forçar o abandono da prova antes das etapas decisivas.


A lesão de Van Wourt.

Visma confirma ausência em Tignes

A equipa optou por manter discrição relativamente ao estado clínico do corredor, mas confirmou um dado importante.

“Não podemos fornecer informações atualizadas sobre o seu estado de saúde”, explicou a Visma-Lease a Bike ao Sporza.

Ainda assim, a formação neerlandesa confirmou que muitos temiam.

“Podemos confirmar que ele não partiu para Tignes.”

A declaração, embora curta, revela muito sobre a situação atual.

Nesta fase da temporada, cada dia de preparação assume um peso enorme. Os estágios em altitude fazem parte da metodologia utilizada pelas principais equipas do WorldTour para maximizar a adaptação fisiológica antes das grandes voltas.

Perder dias de treino num momento tão importante significa perder oportunidades de afinar a condição física numa altura em que os rivais concluem precisamente os últimos blocos de preparação.

Por enquanto, não há garantia de quando Van Aert poderá juntar-se aos colegas de equipa, deixando o seu calendário imediato envolto em incerteza.

Uma preocupação que vai além de Van Aert

A situação não preocupa apenas o próprio corredor.

Nos últimos anos, Wout van Aert tornou-se uma das peças-chave da estratégia da Visma-Lease a Bike no Tour de France. A sua capacidade para controlar fugas, impor ritmo em terrenos variados, proteger os líderes da equipa e ainda lutar por vitórias em etapas transformou-o num dos ciclistas mais valiosos do pelotão.

Poucos corredores conseguem oferecer tantas soluções numa corrida de três semanas.

Além disso, o belga tem desempenhado frequentemente um papel determinante no apoio a Vingegaard. Em várias ocasiões, foi Van Aert quem assumiu o trabalho de desgaste do adversário antes dos ataques decisivos do dinamarquês.

Uma versão fisicamente limitada do belga poderá retirar à Visma-Lease a Bike uma das suas armas mais importantes para enfrentar equipas como a UAE Team Emirates-XRG de Pogačar.

A frase que mais preocupa na equipa

A apreensão já era visível no último fim de semana.

O diretor desportivo Maarten Wynants deixou escapar uma declaração que ajuda a entender o verdadeiro alcance do problema.

Segundo o responsável da Visma-Lease a Bike, Van Aert já se encontrava atrasado relativamente aos níveis físicos desejados antes mesmo desta nova interrupção.

“Porque já sabíamos que ele não tinha muita margem de erro”, afirmou Wynants.

E acrescentou:

“Ele já estava abaixo do nível esperado. Isto, certamente , não vai ajudar.”

São palavras que deixam um sinal de alerta na equipa neerlandesa.

Quando uma equipa admite publicamente que um dos seus principais corredores está abaixo do patamar pretendido numa fase tão avançada da preparação, é difícil ignorar a gravidade da situação.

Um cenário diferente de outros anos

O contraste com as temporadas anteriores é evidente.

Habitualmente, Van Aert chegava ao Tour de France após blocos competitivos consistentes, acumulando dias de corrida e trabalho específico sem grandes interrupções.

Em 2026, o cenário é bastante diferente.

As últimas semanas ficaram marcadas por problemas físicos, ajustes constantes no planeamento e pela impossibilidade de participar integralmente num estágio em altitude considerado fundamental.

Embora ainda haja tempo para recuperar parte da forma perdida, a margem de erro está a diminuir.

No ciclismo moderno, onde cada detalhe é cuidadosamente preparado, perder vários dias de treino numa fase tão importante pode fazer a diferença entre lutar por vitórias e simplesmente tentar sobreviver às exigências da corrida.

Corrida contra o cronómetro

Atualmente, a prioridade absoluta da Visma-Lease a Bike é garantir a recuperação completa do corredor.

Forçar o regresso aos treinos poderia agravar o problema e comprometer não apenas o Tour de France, mas também o restante do verão competitivo. 

Contudo, o calendário não espera por ninguém.

A Grand Départ aproxima-se e cada dia perdido reduz a margem na recuperação da intensidade, do ritmo competitivo e da condição física.

Van Aert continua a ser uma das figuras-chave do pelotão internacional e uma peça fundamental na estratégia da Visma-Lease a Bike.

Mas o relógio avança e a margem de manobra diminui.

A menos de três semanas da partida do Tour de France, cada sessão de treino perdida pesa mais do que a anterior. Para Wout van Aert, a corrida contra o tempo poderá já ter começado muito antes da primeira etapa.

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