Ténis de mesa fechado sobre si próprio
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis de Mesa
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Marcos Freitas a distribuir autógrafos a jovens atletas. |
Um momento especial
A presença de três das principais figuras do ténis de mesa português — João Geraldo, Marcos Freitas e João Monteiro — deveria, por si só, ser motivo de celebração para a modalidade.
No Pavilhão Municipal de Gaia, os
três internacionais portugueses participaram numa sessão de autógrafos que
reuniu mais de uma centena de jovens atletas. Para muitos deles, ainda nos
primeiros passos no desporto, foi uma oportunidade rara de contacto com
jogadores que representam Portugal nos principais palcos internacionais.
Momentos como estes são importantes.
Inspiram, aproximam gerações e ajudam a criar ligações emocionais entre os
jovens atletas e a modalidade que praticam.
Quem
ficou de fora
Mas há uma questão que continua a
repetir-se: a comunicação.
Mais uma vez, iniciativas deste tipo
não foram previamente divulgadas junto de projetos independentes que acompanham
a modalidade. A informação circula quase exclusivamente no circuito federativo.
Na prática, isto significa que
eventos potencialmente importantes para promover o ténis de mesa acabam por ter
uma visibilidade muito limitada. Quem está no sistema sabe. Quem está fora — incluindo muitos potenciais interessados na modalidade — raramente tem conhecimento disso.
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| João Monteiro e os jovens mesatenistas. |
Um público previsível
O cenário vivido em Gaia pareceu
confirmar essa realidade.
Entre os presentes, a grande maioria
aparentava ser composta por atletas que participavam nos campeonatos nacionais
de sub-11 ou por elementos diretamente ligados à competição juvenil. Ou seja,
pessoas que já fazem parte do universo do ténis de mesa.
Naturalmente, não há nada de errado
em aproximar as estrelas da modalidade dos jovens praticantes. Pelo contrário:
esse contacto é positivo e pode ser altamente motivador.
Mas a verdadeira questão é outra: se o objetivo é divulgar a modalidade e atrair novos públicos, faz sentido falar apenas com quem já está no pavilhão?
Promover a modalidade
O ténis de mesa português tem razões
para se orgulhar. Ao longo dos últimos anos, Portugal consolidou-se como uma
potência europeia, conquistando títulos e alcançando resultados históricos em
competições internacionais.
Jogadores como João Geraldo, João
Monteiro e Marcos Freitas são exemplos claros desse crescimento. São atletas
respeitados no circuito mundial e referências para as gerações mais jovens.
Mas o sucesso desportivo não chega,
por si só, para garantir um crescimento sustentado da modalidade. A promoção, a
comunicação e a abertura ao exterior são igualmente essenciais.
Comunicação ainda por melhorar
Num tempo em que a visibilidade
mediática e a presença digital são fatores decisivos para qualquer modalidade
desportiva, continuar a comunicar apenas para dentro pode revelar-se uma
oportunidade perdida.
Os órgãos de comunicação social —
sejam grandes redações ou projetos independentes — são parceiros naturais na
divulgação do desporto. Ignorá-los ou simplesmente não os informar limita o
alcance de iniciativas que poderiam ter um impacto muito maior.
A pergunta, por isso, permanece
legítima: se a intenção é promover o ténis de mesa e aproximá-lo de mais
pessoas, não deveria a comunicação ser mais aberta e abrangente?
Uma oportunidade
Eventos com atletas de referência,
jovens praticantes e proximidade com o público têm um enorme potencial para
aproximar a modalidade da sociedade.
Mas para isso acontecer plenamente, é
necessário que a informação circule, chegue a mais pessoas e ultrapasse as
fronteiras do próprio meio federativo.
Promover uma modalidade não se resume a organizar eventos. Exige comunicar, envolver e chegar a quem ainda não faz parte do seu universo. Porque crescer no desporto significa, antes de tudo, abrir as portas a novos públicos.


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