Aprendizagem dura para Salvador Monteiro no Algarve

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

Salvador Monteiro derrubado em Vale do Lobo.
Salvador Monteiro escorrega no Vale do Lobo, depois de ter superado o qualifying.

 Qualifying superado

Salvador Monteiro chegou ao quadro principal do Vale do Lobo Open, após duas vitórias no qualifying. Um feito relevante. Especialmente para um jogador de apenas 18 anos. O ranking, ainda distante — 2048.º ATP — não refletia o bom momento competitivo mostrado nos dias anteriores.

No entanto, a estreia na fase final do ITF M25 revelou-se um obstáculo difícil de ultrapassar. Monteiro foi o primeiro português a entrar em ação no torneio e acabou eliminado na ronda inaugural.

Resultado pesado

O encontro terminou com um duplo 6-1 e 6-2 a favor do espanhol Mario González Fernández, atual 625.º do ranking mundial. Um resultado expressivo. E enganador em alguns momentos.

Apesar da diferença nos parciais, o duelo teve trocas longas e pontos disputados. O problema esteve menos na luta e mais no desenrolar tático da partida.

Monteiro nunca conseguiu assumir verdadeiramente o controlo.

Duelo ibérico

Fernández apresentou um registo extremamente passivo. Pouco risco. Muito controlo. Erros quase inexistentes.

O espanhol não saiu do seu registo desde o primeiro ponto. Recuou sistematicamente. Esperou. E construiu a vitória com base na consistência. Monteiro aceitou o convite para trocar bolas no fundo do campo. Talvez em demasia.

Armadilha tática

Obrigando o português a ganhar cada ponto com paciência extrema, o adversário montou uma teia eficaz. Cada bola extra pesava. Cada erro era castigado.

Monteiro passou grande parte do encontro atrás da linha de fundo. Jogou em contenção. Raramente entrou no court para encurtar os pontos. Faltou agressividade nos momentos certos.

A dificuldade em variar alturas, ângulos e velocidades permitiu ao tenista do país vizinho manter o conforto estratégico durante quase todo o encontro.

Experiência que pesa

A diferença de ranking e de experiência tornou-se evidente. O espanhol soube gerir o ritmo. Quebrar a fluidez do jogo. Desgastar mentalmente o jovem português.

Monteiro tentou ajustar. Procurou maior profundidade. Arriscou mais com a direita. Mas sem sucesso prolongado.

Sempre que parecia ganhar balanço, surgia o erro. Ou a resposta longa e segura do outro lado da rede.

Primeiro impacto

Para Monteiro, esta estreia no quadro principal tem valor formativo. O salto do qualifying para o quadro principal implica outros desafios. Mais exigência. Menos margem de erro.

O jovem português demonstrou capacidade física e competitiva. Mas ficou claro que, a este nível, é necessário assumir riscos. Mandar no ponto. E não apenas reagir.

É um processo. E faz parte do crescimento.

Caminho a construir

Ser o mais novo entre sete portugueses no quadro principal já era um sinal positivo. Ultrapassar duas rondas de qualifying também. A eliminação não apaga isso.

Pelo contrário. Oferece pistas claras sobre o que precisa ser trabalhado. Jogo dentro do court. Tomada de decisão. Agressividade controlada.

Vale do Lobo deixa uma lição dura. Mas útil.

Monteiro sai cedo. Sai derrotado. Mas sai mais preparado para o próximo passo. Porém, ainda é júnior.

Monteiro analisou a derrota com franqueza. 

“Tentei fazer o meu jogo, mas não saiu como queria.”

Reconheceu que teve dificuldades para impor-se. 

“Pensei que nem entrei muito no jogo dele. Procurei a bola para sair para a frente e chegar à rede. No entanto, não consegui desequilibrar e acabei sempre por ficar no fundo do campo.”

O jovem português admitiu a superioridade do adversário em determinados momentos. “Ele foi mais forte e não tive grandes hipóteses de discutir o resultado. Era um pouco frustrante porque senti que tinha mais qualidade de bola e mais profundidade, mas não conseguia finalizar os pontos.”

Monteiro destacou também a experiência e resistência do adversário. 

“Ele tem mais resistência física e é mais velho. Tem mais experiência, por isso geriu melhor esses momentos do jogo”, concluiu, demonstrando maturidade e capacidade de autoavaliação.


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