Avançar para o conteúdo principal

Jaime Faria reencontra o ritmo em Canberra

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: ATP Tour

⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos

Jaime Faria dispara para a segunda ronda em Canberra.
Canhão do Jamor esteve afinado em solo australiano.

Virar a página

Depois da desilusão recente no Nacional Absoluto, onde ficou pelas meias-finais frente a Francisco Rocha, Jaime Faria encontrou em Canberra um espaço de resposta e de reencontro pessoal.

No Challenger 125 australiano, o tenista português apresentou-se com clareza competitiva e venceu o dinamarquês Elmer Moeller, atual 119.º do ‘ranking’ mundial e sétimo cabeça de série, em somente uma hora e oito minutos.

O triunfo permitiu ao 151.º do mundo recuperar sensações e confiança num arranque de temporada que exige paciência, mas também traz sinais claros de afirmação.

O encontro teve valor simbólico. O desaire no Jamor ainda estava próximo no calendário, mas o lisboeta entrou em campo sem resquícios emocionais. Desde os primeiros jogos, mostrou serenidade e intenção clara de assumir o controlo, apostando numa execução simples e eficaz.

A resposta construiu-se com leitura dos momentos e rigor competitivo, numa exibição em que a gestão foi tão importante quanto a iniciativa.

Serviço afinado

O serviço voltou a ser decisivo. O Canhão do Jamor esteve particularmente eficaz, com oito ases distribuídos ao longo do encontro. A qualidade do primeiro serviço permitiu-lhe proteger os seus jogos com segurança e reduzir a duração dos pontos sempre que necessário.

Mais do que potência, destacou-se a clareza nas escolhas. Faria variou direções, evitou riscos excessivos e manteve o adversário sob pressão constante.

Controlo emocional

Do fundo do campo, o português apresentou um jogo sólido e paciente. Reduziu o erro não forçado, respondeu com profundidade e soube esperar pelo momento apropriado para acelerar. Moeller, campeão do Maio Open de 2025, tentou alterar o ritmo, mas raramente conseguiu inverter a tendência do encontro.

A estabilidade emocional foi outro fator-chave. Sem oscilações visíveis, Faria manteve um registo consistente e evitou contornos imprevisíveis no duelo.

Próximo desafio

A vitória em Canberra não resolve uma época, mas aponta um caminho claro.Num Challenger 125, frente a um adversário melhor cotado, o português mostrou competitividade e maturidade crescente.

Faria, que voltou a exibir o nível demonstrado no início de 2025, prepara-se agora para disputar o acesso aos quartos de final da prova australiana, frente ao vencedor do encontro entre o espanhol Rafael Jodar e o chileno Nicolas Jarry.

Canberra trouxe ritmo, confiança e continuidade. O calendário dirá o resto.

Artigos Relacionados 

Nuno Borges: “Há sempre alguma ferrugem no início da temporada” 

Henrique Rocha cai na estreia em Canberra

Nuno Borges mede forças com Marin Cilic

Comentários

Mensagens populares deste blogue

André Carreiras: precisão e disciplina nas mesas e na vida

🖋️ Por:   António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Direitos Reservados ⏱️  Tempo de leitura: 5  minutos André tem percurso exemplar nos estudos, conciliando com o desporto. Influência de Viana do Castelo e do mar André Carreiras, 20 anos, natural de Viana do Castelo, atleta de ténis de mesa, carrega consigo a harmonia que se encontra entre o mar e o vento da sua cidade natal. Desde cedo, a ligação com o oceano moldou o seu carácter e a sua forma de encarar desafios. O contacto diário com o mar transmitiu-lhe paciência, constância e resiliência. Essas qualidades mostraram-se essenciais tanto no desporto quanto nos estudos. “Viana do Castelo deu-me um certo equilíbrio entre humildade e ambição. É uma cidade calma, onde o trabalho conta mais do que o barulho. No ténis de mesa e nos estudos isso traduziu-se em disciplina e foco desde cedo”, sublinha.  Crescer junto ao oceano ajudou-o a compreender a importância da persistência. “O oceano ensina paciência, r...

Diogo Glória: “Não devemos tentar vencer o medo, mas usá-lo como alavanca”

  🖋️ Por:   António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Direitos Reservados/Federação Portuguesa de Badminton ⏱️  Tempo de leitura:  6   minutos Diogo Glória adora estar no recinto de jogo. O percurso até ao recinto Na véspera do Campeonato Nacional de Badminton absoluto, onde é um dos principais candidatos ao título,  Diogo Glória  recebeu o   Entrar no Mundo das Modalidades  para uma conversa sobre o jogo, a mente e os sonhos que o movem. Com somente 23 anos, o atleta natural de Peniche representa a equipa algarvia CHE Lagoense e concilia o desporto de alta competição com o curso de medicina. Entre raquetes, volantes e horas de treino — visíveis e invisíveis —, o jovem atleta partilha a sua visão sobre o jogo, a mente e os sonhos que o movem. Entrar no Mundo das Modalidades (EMM)   — Como o badminton entrou na sua vida — foi amor à primeira raquete ou uma paixão que cresceu com o tempo? Diogo ...

FPT continua em festa

Por Manuel Pérez Créditos: FPT. Futuro da Federação de sorriso dourado. A Federação Portuguesa de Ténis viu ser ontem saciada por maioria e talvez com um louvor à confiança, a AG virada para a apresentação, discussão e votação do Relatório e Contas de 2024. Juntaram-se todos os membros dos órgãos sociais, os vários delegados das 13 associações regionais, mais os dos treinadores e dos jogadores. Quiçá renascida das cinzas a dos árbitros, também, segundo informação local. Tudo indica que o novo CEO/secretário-geral tenha assistido ao concílio. Uma honraria histórica, tratando-se de um vice-recém-eleito-presidente do Comité Olímpico Português e logo na primeira AG em Ponta Delgada. Sem a habitual presença de jornalistas nas reuniões magnas, presumo que a parte que interessava a todos(as) era confirmar a subida de cotação dos ovos de ouro, depois de há ano o RC'2023 ser aprovado, graças a 1,6 milhões de euros de resultado líquido e 8,8 milhões de euros de situação líquida. Também a...